Blog de Alexandre Montagna Alexandre Montagna com o educador DeRose em setembro de 2010.
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Arquivo da categoria ‘Sámkhya: o Saber’
Escravidão mental Maio 4, 2012 | 10:08 am

Lembre-se do primeiro axioma do Método DeRose: “não acredite!”.

É bastante sério o ato de estar preso a um paradigma e conceber toda uma visão de mundo dentro de premissas ilusórias. Estas concepções acabam tornando-se engessadas e são difíceis de ser transformadas ou aprimoradas em nossa mente.

Em A Origem, DiCaprio ilustra isto ao dizer que uma ideia é o mais resiliente parasita. Não um vírus, uma bactéria ou verme intestinal: uma ideia. Uma vez alojada na mente, é quase impossível erradicar uma ideia. Uma vez completamente formada e entendida, ela gruda em algum lugar no cérebro. E é altamente contagiosa.

As idéias falsas são facilmente permitidas pelo indivíduo quando elas suprem carências emocionais. Depois, para esta pessoa, será desconfortável aprovar uma ideia verdadeira que refute uma confortável ideia falsa já aceita.

Quando em debate, uma ideia falsa sempre perderá para uma ideia verdadeira. No entanto, é possível vencer uma ideia verdadeira sem ter razão: basta realizar um contorno intelectual, dançando com a dialética e escapando das associações corretas, fazendo o interlocutor aceitar que 2 mais 2 é igual a 5. Esta é a tática que muitos líderes espirituais utilizam. E tem dado certo.

Para não se tornar escravo de um paradigma, você deve viver em constante meditação.

Veja como a televisão pode mostrar filmagens manipuladoras (Shining / “O Iluminado”) Fevereiro 11, 2012 | 02:06 am

Seja no noticiário ou nas gravações de um reality show, a televisão edita as cenas de acordo com as conveniências dos mandantes.

Deus, o Universo e tudo mais Janeiro 14, 2012 | 08:08 am

“Em Deus, o Universo e tudo mais, professor Stephen Hawking, doutor Carl Sagan e novelista Arthur C. Clarke discutem sobre a origem e o fim do universo assim como a natureza de Deus, a essência da ciência, e os mecanismos da criatividade.”

Parte 1
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Ut0Q4SwCetE[/youtube]
http://www.youtube.com/watch?v=Ut0Q4SwCetE

História de um brahmane, por Voltaire Dezembro 28, 2011 | 09:25 pm
História de um brahmane

“Durante as minhas viagens encontrei um velho brahmane – homem muito sábio, cheio de espírito e erudição; além do mais, era rico, e portanto mais sábio ainda, já que, como não lhe faltava nada, não precisava enganar ninguém. Sua casa era otimamente governada por três lindas mulheres que faziam de tudo para agradá-lo; e quando não se divertia com elas, sua ocupação era filosofar.

Perto de sua moradia, que era bonita, bem decorada e cercada de encantadores jardins, morava uma velha hindu, muito devota, imbecil e extremamente pobre.

- Quem me dera não ter nascido! – disse-me um dia o brahmane. Perguntei-lhe por quê. – Faz quarenta anos que eu estudo – respondeu-me -, e foram quarenta anos perdidos: ensino aos outros, e ignoro tudo; esse estado me enche a alma de tanta humilhação e desgosto que faz com que minha vida seja insuportável. Nasci, vivo no tempo, e não sei o que é o tempo; encontro-me num ponto no meio das duas eternidades, como dizem os nossos sábios, e não tenho a mínima idéia do que seja a eternidade. Sou feito de matéria, penso, e nunca pude saber o que é que produz o pensamento; ignoro se o meu entendimento é em mim uma simples faculdade, como a de caminhar, de digerir, e se penso com a minha cabeça como seguro com as minhas mãos. Não apenas o princípio de meu pensamento me é desconhecido, mas também o princípio dos meus movimentos: não sei por que existo. Não obstante, cada dia me fazem perguntas sobre todos esses pontos; é preciso responder; nada tenho que preste para lhes comunicar; falo bastante, e fico confuso e envergonhado de mim mesmo depois de haver falado. O pior é quando me perguntam se Brahma (Deus do panteão hindu que personifica o Absoluto no aspecto de criador do mundo. Pertence à trimurti junto com Vishnu e Shiva [N. de A.M.]) foi produzido por Vishnu, ou se ambos são eternos. Deus é testemunha de que nada sei a respeito, o que bem se vê pelas minhas respostas. “Ah! Meu reverendo”, imploram-me, “dize-me como é que o mal inunda toda a Terra.” Sinto-me nas mesmas dificuldades que aqueles que me fazem tal pergunta: digo-lhes algumas vezes que tudo vai o melhor possível; mas aqueles que foram arruinados ou mutilados na guerra não acreditam nisso, nem eu tampouco; retiro-me abatido pela sua curiosidade e pela minha ignorância. Vou consultar nossos antigos livros, e estes duplicam minha escuridão. Vou consultar meus companheiros: respondem-me alguns que o essencial é gozar a vida e zombar dos homens; outros acreditam saber alguma coisa, e perdem-se em divagações; tudo contribui para aumentar o doloroso sentimento que me domina. Às vezes me sinto à beira do desespero, quando penso que, depois de todas as minhas pesquisas, não sei nem de onde venho nem para onde vou ou no que me transformarei.

O estado desse excelente homem me causou verdadeira compaixão: ninguém tinha mais senso e boa-fé. Compreendi que, quanto mais luzes havia no seu entendimento e mais sensibilidade no seu coração, mais infeliz era ele.

Vi no mesmo dia a velha sua vizinha: perguntei-lhe se alguma vez havia ficado aflita por querer saber como era a sua alma. Ela nem entendeu a minha pergunta: jamais em sua vida refletira um instante sobre um só dos pontos que atormentavam o brahmane; acreditava de todo o coração nas metamorfoses de Vishnu e, desde que algumas vezes pudesse conseguir água do Ganges para se lavar, considerava-se a mais feliz das mulheres.
Impressionado com a felicidade daquela pobre criatura, voltei ao meu filósofo e lhe disse:

- Não te envergonhas de ser infeliz, quando mora à tua porta uma velha autômata que não pensa em nada e vive feliz?

- Tens razão – respondeu-me ele. – Mil vezes eu disse a mim mesmo que seria feliz se fosse tão tolo como a minha vizinha, contudo não desejaria tal felicidade.

Essa resposta me impressionou mais que todo o resto; consultei minha consciência e vi que na verdade também não desejaria ser feliz sob a condição de ser imbecil.

Apresentei a questão a filósofos, e eles concordaram com a minha opinião. “Contudo”, dizia eu, “existe uma terrível contradição nessa maneira de pensar”. Pois de que se trata, afinal? De ser feliz. Que importa, então, ter espírito ou ser tolo? Mais ainda: aqueles que estão contentes consigo mesmos estão bem certos de estar contentes; mas aqueles que raciocinam não tem tanta certeza de raciocinar bem. “É claro”, dizia eu, “que se deveria preferir não ter senso comum, desde que este contribua, o mínimo que seja, para o nosso mal-estar.” Todos concordaram comigo, porém não encontrei ninguém que aceitasse se tornar imbecil para se sentir contente. Daí concluí que, se damos muito valor à felicidade, damos mais ainda à razão.

Contudo, pensando bem, parece uma insensatez preferir a razão à felicidade. Como explicar, então, tal contradição? E também todas as outras. Há muito a discutir a respeito disso.”

(Histoire d’un Bramin, Voltaire)

 

A mente atrás do rosto (personam) e os jogos de poder Dezembro 6, 2011 | 12:08 am

Verbos da simplicidade inocente de um sentimento.

Há quem trate tudo isto como um jogo. De fato, um jogo é. A vida, esta que começa quando você está no ventre de sua mãe, é um jogo. Ela lhe coloca em situações nas quais você precisa se relacionar com outros indivíduos. Para você, a sua vida é o mais importante. Para os outros, o mais importante é a vida deles. Para você, a vida acontece através das janelas dos seus olhos. Para os outros, a vida é vista pela ótica do sistema visual deles. O perfume da vida que você sente, só você sente. Os outros sentem outros cheiros.

Apesar de o Cosmos ser uma grande teia em que tudo se influencia mutuamente e em que todos nós somos colegas de existência, a noção de mundo que todos têm é que o Universo se divide entre “eu” e “os outros”. E aí o jogo começa (“let the game begin”)! A corrida pela sobrevivência, as estratégias de sucesso, os jogos de poder. A transa com a fêmea-alpha, o degustar da lebre recém abatida, a melhor caverna da floresta, a melhor sombra da savana, o maior respeito angariado. Viva o macho-alpha. Longa vida ao Fuhrer.

O problema se agrava quando o cérebro é capaz de armar complexas estratégias para o poder. Esta evolução dos estratagemas de sobrevivência conduz à falsidade, às palavras para despistar, às cortinas de fumaça e veste lobos com peles de cordeiros. Indivíduos que abraçam a vítima como se fossem um irmão. Uma irmandade de Caim e Abel. Neste cenário, obter triunfo é uma arte digna de jogador que trata os demais como adversários, e não como amigos. Aliás, aos olhos de um estrategista, ninguém é, na verdade, amigo. Estes são apenas outros jogadores a quem concede-se proximidade e com quem compartilha-se um pouco do espaço vital enquanto for conveniente. Ilusórias parcerias e amizades podem se transformar em pó num piscar de olhos, antes que você consiga soletrar a frase “esta-relação-não-me-ajuda-a-obter-poder”.

“Nada é aquilo que parece ser.” (DeRose)

Tratar os amigos como adversários no jogo da vida definitivamente não é o caminho mais empático, amoroso e fraternal. Este caminho evoluído é, via de regra, uma meta proposta por diversas correntes e ordens que visam uma Fraternidade Universal, uma Irmandade sem limites e uma União e Integração entre todas as criaturas vivas. Entretanto, poucos são os seguidores, os iniciados ou os cidadãos que realmente estão engajados para que esta proposta aconteça de fato. E sem envolver dogmas, claro.

A utópica união dos seres passa pelo exercício da transparência, lealdade, sinceridade e alma pura. Este romantismo ideal tem terreno infértil no planeta Terra mesmo entre pessoas de quem espera-se um pouco mais de boa vontade. Na verdade, eu ainda não sei dizer se o problema é na fertilidade do terreno (pessoas) ou na habilidade do plantio (método para implementar a união). A impressão é que mesmo os considerados e aceitos como homens-de-bem vez ou outra são até piores do que os maus declarados. Às vezes fico imaginando que Maquiavel foi um rapaz com muita boa vontade, mas sentiu que em terra de mãos duras, mão macia se machuca, e assim produziu seus textos sobre como conquistar poder dentre tanta competição e hostilidade, baseando-se em experiências sofridas e observadas.

A chave para o sucesso na vida afetiva e de verdadeiras amizades é perceber o real valor das pessoas. A intenção por trás da ação. A mente atrás do rosto. Jamais deposite seu coração nas mãos de um jogador. Espere até encontrar um amigo.

Solidão existencial Agosto 27, 2011 | 08:08 am

Pode estar rodeado de humanos, mas sente-se só.

Uma solidão existencial, me permitindo falar de coisa tão profunda, parece expressar que algo está incompleto ou inacabado, tal como fios soltos de um aparelho eletrônico. Esta ruptura em nossos fios é um pequeno detalhe nosso, de ausência notável. Os líderes religiosos aligeiram-se para manter a doutrinação e proclamam: “para unir os fios, é preciso a religião, é preciso reconectar-se com Ele“. Esta afirmação poderia ser verdade se o Elemento em questão não fosse uma personificação masculina do imponderável, um sujet mago e vago, que só existe por dogma de fé e nós já vimos que é ótimo para manipulação de rebanhos. Logo, a afirmação é inválida.

A solidão existencial está a chamar para algo superior, sim, mas que está além do intelecto, e não aquém dele.

Tenha discernimento para encarar a sua evolução pessoal sem acomodar-se nas palavras que lhe oferecerão para conforto emocional. Quanto maior a desestrutura nas emoções, maior também será a probabilidade das correntes espiritualistas conquistarem uma nova ovelha: você. Livre-se das crenças na busca pelo autoconhecimento, pois estas acabam muito mais mascarando a Natureza e distorcendo a trilha do que ajudando ir adiante. Os fracos tremem e desistem quando confrontam-se com suas próprias fraquezas, e fogem para as respostas amenas das crenças, que afagam as emoções enquanto afogam a inteligência.

Confira a tirinha presente no post Buraco no meio do peito, no blog do João Eduardo.

Para além da curva da estrada (Fernando Pessoa) Maio 26, 2011 | 01:17 am

Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada.
(Fernando Pessoa)

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que ha para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

Este poema é para ti, Gus, que agora tem a mamãe do lado de lá da estrada.
Receba meu abraço fraternal do lado de cá.

Em quantas mentiras o povo acreditará no futuro? Abril 28, 2011 | 08:08 am

Após as armas de destruição em massa no Iraque, a histeria mundial da gripe suína, as pulseiras “Power Balance“, o fim do mundo de 2012, em quantas mentiras mais o povo acreditará?

Se você for crente, emocionalizado, abstrato ou obscuro nas idéias e impreciso no raciocínio, tenderá a ser manipulado, doutrinado, enganado, envolvido por alguma corrente qualquer, retraindo-se  com baixo senso crítico e extrema incapacidade de compreensão dos fatos puros.

É preciso que percebamos o quanto é mais seguro ter um temperamento cético, racional, matemático, claro e exato nesse mundo.


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