Alexandre Montagna

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A Cultura do Poder, do Saber e do Sentir

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Concurso Miss Universo é pura marmelada! Junho 9, 2010 | 08:08 am

Não é diplomaticamente correto denominar Miss Universo uma mulher que não competiu com as beldades dos outros planetas! Esse concurso é geocêntrico. Cadê as gatinhas de Vênus, hein?

Devemos trocar o nome para “Concurso Miss Terra“.

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Ilustração inspirada na brincadeira compartilhada pelo @claushaas.

Para onde vamos depois que morremos? Maio 1, 2010 | 08:08 pm

Sensato é considerar que morrer é ir a todo lugar. E, ao mesmo tempo, a lugar algum.

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Que tal este estilo retrô de crença pós-mortis?

Desconverse quando alguém começar a falar nas vidas após a morte, reencarnação, reencadernação, etc. Os que consideram vidas vindouras são crentes, porque acreditam. Os que preferem saber são agnósticos quanto a isso. Vida após a morte é fitfty-fifty (“cinquenta-cinquenta”), ou seja, pode haver como pode não haver. Comprovar por via racional, em tese, não há como. Não há indícios de que exista tal façanha, e os registros mediúnicos de pessoas mortas que paranormais alegam ter feito e que vez ou outra escutamos falar podem perfeitamente serem compreendidos à luz da esperta linguagem genérica, que é a arte de falar muito sem dizer nada, parecendo que se disse tudo.

Por outro lado…

“Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!”
Miguel de Cervantes

“Hay, sí, pero no son brujas.”
Alexandre Montagna

Quando o pensador não-religioso e não-crente pensa, ele prefere levantar hipóteses sem apegar-se a elas freneticamente. Levantemos uma questão: quando morremos, para onde vão os nossos registros emocionais e mentais, como as nossas memórias? Para um materialista-seco tudo se acaba e ponto final. Está bem, vá lá. Pode ser isso mesmo. Entretanto, levantemos uma hipótese (hipóteses podem ser levantadas, não?): e se, ao morrermos, os traços de nossa personalidade ainda vagassem pela atmosfera? Ora, se você acha muito estranho o que estou falando, vale lembrar que neste exato momento há diversas ondas hertzianas viajando ao seu redor. São ondas de rádio-frequência que estão há muito tempo no ar, foram disparadas e seguem seu tráfego. (Um pouco de cultura geral profunda: cientistas declaram que boa parte da interferência nos sinais de televisão são ondas praticamente atemporais do Universo, radiação gerada desde o Big-Bang e que ainda estão por aí). Bem, e se nossos pensamentos fossem radioativos? Gerados e disparados no ar? E se pudéssemos desenvolver a capacidade de receptar os pensamentos em rádio-frequência que estão no ar? Bem isso seria a tão famosa telepatia. No mínimo, interessante. Mas, hei! E se o emissor dos pensamentos já estivesse morto? Aí então seria algo como a mediunidade, pois estaríamos escutando o que um morto disse*. Isso é, no mínimo, muito interessante!

* não diz mais, pois está morto – portanto, descartemos a possibilidade de conversa em tempo real com defuntos, coisas do tipo: “querida, eu morri mas estou bem, cuide das crianças” e etc.

Conclusão do cético-ateu-agnóstico-racional Montagna: duvide de tudo, mas não descarte nada. O mundo é louco o bastante para tudo ser possível. Aí alguém diz: – “Ué, Alexandre, mas se tudo é possível, então porque não acreditas nesta fantasia ou naquele delírio?”. Ora, é verdade que admito que tudo pode ser possível; ocorre que muita coisa é bastante improvável. Além do mais, eu não gosto de acreditar: prefiro saber! Se eu não souber, não preencherei minhas lacunas mentais com crenças. Isso, jamais! Aprofundando um pouco (e agora vem a parte mais metafísica do texto), eu defendo que não adianta dizer que isso ou aquilo é impossível porque, em pontos profundos, as nossas próprias vidas já são impossíveis. Não há motivos aparentes para estarmos aqui. Você já tentou regressar na história da humanidade, planeta, sistema solar e Cosmos? É uma loucura das grandes! Admito que, numa análise imparcial, nossa existência é bastante improvável. Entretanto, cá estamos, e há todo um Cosmos, micro e macro, a desvendar.

Vamos desvendá-lo!

Nota de rodapé: este post está na categoria Sámkhya: o Saber. Sámkhya é uma filosofia teórica indiana de linha naturalista, ou seja, atribui causas naturais a todos os efeitos. Dess’arte, não há crença, misticismo, doutrinação, delírios. Trabalha-se o mapeamento e a enumeração do Cosmos através do verbo saber, e não do crer. É uma filosofia milenar que desnuda o Universo com muita propriedade: estudando o erudito Niríshwarasámkhya obtém-se grande percepção da realidade. Não é à toa que as escrituras indianas declaram “não há conhecimento como o Sámkhya”.

O Deus de Einstein e dos cientistas profundamente religiosos Abril 21, 2010 | 08:08 am
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Teísta ou ateísta? Teísta, perante um outro conceito de Theos

Certa vez, alguém disse: “os cientistas são os únicos profundamente religiosos”, e isso causou frisson devido ao maravilhoso argumento que então os religiosos passaram a possuir para unir ciência e religião. Mas será que é este o verdadeiro sentido da frase? O mais citado cientista que declaram ser religioso é Albert Einstein, tanto pelas margens que ele deu para essa interpretação como também devido à sua fama. Há outros que estão na lista, provável que injustamente, tais como Isaac Newton, Gauss, Kelvin e Jung – mas vou me concentrar no Albert, já que estou com seu livro Como vejo o mundo em minhas mãos. Vamos ver o que ele fala.

“[...] Sendo assim, que sentimentos e condicionamentos levaram os homens a pensamentos religiosos e os incitaram a crer, no sentido mais forte da palavra? Descubro logo que as raízes da idéia e da experiência religiosa se revelam múltiplas. No primitivo, por exemplo, o temor suscita representações religiosas para atenuar a angústia da fome, o medo das feras, das doenças e da morte. Neste momento da história da vida, a compreensão das relações causais mostra-se limitada e o espírito humano tem de inventar seres mais ou menos à sua imagem. Transfere para a vontade e o poder deles as experiências dolorosas e trágicas de seu destino. Acredita mesmo poder obter sentimentos propícios desses seres pela realização de ritos ou de sacrifícios. Porque a memória das gerações passadas lhe faz crer no poder propiciatório do rito para alcançar as boas graças de seres que ele próprio criou.” (Trecho retirado do livro Como vejo o mundo (original Mein Weltbild), de Albert Einstein, página 19, editora Círculo do livro)

Nas páginas que se seguem, Einstein rejeita o conceito de um Deus antropomórfico, o que, convenhamos, deveria não ser surpresa para ninguém e deveria, também, ser o mínimo a se esperar de uma pessoa sensata.  Mais adiante, o autor cita Schopenhauer, Demócrito, Francisco de Assis e Spinoza. Quem ler com atenção, entenderá porque ele declara que os mais próximos da verdadeira religião são, realmente, os cientistas. Esqueça a religião da crença, Einstein está falando da religião cósmica. Isso tudo foi um belo jogo de cintura do cientista, que menciona religião e Deus e faz média com todo mundo, e só quem encara suas leituras entenderá que, considerando o Deus da religião, que recompensa e castiga, Einstein era categoricamente ateu; por outro lado, ele alegava crer sim em Deus, referindo-se ao Deus de Spinoza, de Schopenhauer, a Força Cósmica, a Emanação de Energia Universal, ou quem sabe a Massa Energética Indiferenciada (Mahat, em sânscrito). E foi isso o que eu quis dizer com jogo de cintura, afinal, por que Einstein haveria de chamar isso de Deus, palavra esta que está tão atrelada a conceitos antropomórficos, se não fosse para evitar causar um grande choque em seus admiradores e leitores teístas? Volto a convocar o nosso amigo Fernando Pessoa a participar deste post através de um de seus poemas naturalistas:

Se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e luar
Então acredito nele a toda hora.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar.

(Fernando Pessoa, ilustrando muito bem o pensamento naturalista)

Mitologia e verdade se misturam em mentes obtusas.

Mitologia e verdade se misturam em mentes obtusas.

“[...] Somente indivíduos particularmente ricos, comunidades particularmente sublimes se esforçam por ultrapassar esta experiência religiosa. Todos, no entanto, podem atingir a religião em um último grau, raramente acessível em sua pureza total. Dou a isto o nome de religiosidade cósmica e não posso falar dela com facilidade já que se trata de uma noção muito nova, à qual não corresponde conceito algum de um Deus antropomórfico.” (Trecho retirado do livro Como vejo o mundo (original Mein Weltbild), de Albert Einstein, página 20, editora Círculo do livro)

Textículo de Krauss Março 6, 2010 | 03:49 pm

Eis abaixo um pequeno texto de Lawrence Krauss:

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“Todos os átomos do seu corpo vieram de uma estrela que explodiu. E os átomos na sua mão esquerda provavelmente vieram de uma estrela diferente dos átomos de sua mão direita. É, realmente, a coisa mais poética que eu sei sobre física: você é completamente poeira das estrelas. Você não poderia estar aqui se as estrelas não tivessem explodido, porque os elementos – carbono, nitrogênio, oxigênio, ferro, todas as coisas que importam para a evolução e para a vida – não foram criadas no início dos tempos. Elas foram criadas nas fornadas nucleares das estrelas, e a única maneira para que elas tenham chegado no seu corpo é se aquelas estrelas foram gentis o suficiente para explodirem. Então, esqueça Jesus. As estrelas morreram para que você pudesse estar aqui hoje.”

Lawrence Krauss

Lawrence, 55 anos, é um físico estadunidense que ficou famoso ao sugerir que a chave para entender o surgimento do Universo é um tipo de matéria impossível de detectar da Terra, conhecida como matéria escura. Ele também se dedica a combater a aproximação entre ciência e religião e está em campanha contra o criacionismo, que contesta a teoria da evolução de Darwin (sim, em pleno século XXI ainda há criacionistas perambulando por aí). Sobre esse assunto, Krauss já manifestou sua preocupação até em uma carta aberta enviada ao papa em 2005.

Os créditos da fonte deste texto já estão apagados pelo tempo, talvez tenha sido compartilhado pelo @Alessandro_M, que tuíta muita coisa interessante, ou por um dos blogs agnósticos cujo feed RSS eu assino.

Para que lado está a arca? Novembro 24, 2009 | 08:08 am

Apesar de as primeiras descobertas de dinossauros ocorrerem há mais de dois mil anos nas terras chinesas – o que culminou na cultura de dragões daquele país – nós só codificamos a primeira espécie no ano de 1824 da era cristã. Puxa, foi tarde demais! Talvez, se tivéssemos o conhecimento efetivo dos dinos alguns séculos antes, os homens que inventaram um deus à nossa imagem e semelhança teriam feito algo melhor e boa parte da nossa ignorância sobre o Universo não existiria.

Charles tinha 15 anos e deve ter ficado fascinadíssimo com a descoberta científica de 1824. Anos mais tarde, no embalo da expedição feita com o barco Beagle, tornou-se um grande naturalista britânico e um dos mais importantes cientistas da História, proporcionando Luz e afastando Trevas com seu livro A Origem das Espécies, que neste dia 24 de novembro completa 150 anos desde a primeira publicação. Valeu, Darwin!

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Você não é o centro do Universo Novembro 20, 2009 | 08:08 am

Abaixo, um dos poucos vídeos que carrego em minha pasta de diretrizes conceituais e que explica o motivo pelo qual os cientistas são mais religiosos que os padres: eles estão mais em contato com a magnitude do mundo ao nosso redor, sem crença, sem temência, sem folclores.

Como sou muito querido, vou traduzir o vídeo:

- Vamos falar de TAMANHO
- O quão grandes são os objetos que flutuam em nosso Universo e o quão grandes eles podem ser?
- Aproveite a comparação a seguir, começando com um objeto bem grande, a nossa própria lua.

#Planetas

  • Lua da Terra
  • Mercúrio
  • Marte
  • Vênus
  • Terra (você está aqui)
  • Netuno
  • Saturno (sem os anéis)
  • Júpiter

#Estrelas

  • O Sol (nossa própria estrela)
  • Sirius A
  • Pollux (Laranja Gigante)
  • Arcturus (Vermelha Gigante)
  • Aldebaran (Vermelha Gigante)
  • Rigel (Azul Supergigante)
  • Pistol Star (Azul Hipergigante)
  • Antares A (Vermelha Supergigante)
  • Mu Cephei (Vermelha Supergigante)
  • VY Canis Majoris (Vermelha Hipergigante) [maior estrela conhecida]

- Tamanho da Terra (em relação à VY Canis Majoris)
- Esta estrela tem um diâmetro de aproximadamente 2.800.000.000km. Como você pode imaginar este tamanho?
- Pense em um avião de passageiros voando pela superfície desta estrela a 900km/hora.
- Levaria 1.100 anos(!) para dar uma volta completa nela.
- Ainda assim, ela é apenas um pequeno ponto entre diversas centenas de bilhões de estrelas formando nossa galáxia.
- E há centenas de bilhões de galáxias lá fora!
- Não, – você – não – é – o – centro – do – Universo!


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