Blog de Alexandre Montagna Alexandre Montagna com o educador DeRose em setembro de 2010.
Twitter Facebook Feed RSS Cultura e geral Sentir Saber Poder Nossa Cultura
Posts marcados com a tag ‘saber’
13 de agosto, Dia Internacional do Canhoto Agosto 13, 2009 | 01:08 am

dia-internacional-canhoto-13-agosto-abridor-latas-blog-alexandre-montagna
Parabéns a todos os leitores canhotos deste blog! Feliz de você que nasceu neste último século e já não sofre tanto preconceito. Em certos países, hoje, esquerdinos realizam feiras com produtos especiais para essa especial minoria genética. Quem é canhoto sabe o quão ruim é ter que lidar com um abridor de latas, tesoura ou régua. Mas pior ainda era receber cascudos do pai por “escrever com a mão errada”, ou então enfrentar as dificuldades da era medieval que a tirinha abaixo ilustra.

teste

Diga-se de passagem, há uma ligação entre a genialidade e a utilização dos membros esquerdos para os afazeres. O lado esquerdo do corpo está conectado ao hemisfério direito do cérebro, que é o responsável pela criatividade, imaginação, conhecimento intuicional, sem limitações impostas pela razão. Será por isso que diversos gênios da Humanidade, como Einstein e Beethoven, são canhotos?

Leonardo da Vinci
Dentre os canhotos famosos, o gênio renascentista Leonardo da Vinci chegou a elaborar um sistema de escrita que durante muitos séculos permaneceu obscuro. Acreditava-se que era um código secreto usado pelo artista/inventor, a fim de ocultar suas anotações – e cuja decifração somente ele seria capaz de fazer. Entretanto, ao ser colocada diante dum espelho, constatou-se que era a escrita normal, feita da direita para a esquerda: Da Vinci, escrevendo com sua canhota, passara a grafar puxando o instrumento de escrita, tal como fazem os destros, simplesmente para que sua mão não borrasse a tinta das anotações. (Wikipedia)

Em tempo: para 98% dos humanos, o hemisfério dominante é o esquerdo, responsável pelo raciocínio lógico, linear, dedutivo. Não temos o lado direito bem desenvolvido e utilizado; há de chegar o dia em que adestraremos perfeitamente os dois hemisférios cerebrais, e então estaremos mais perto do autoconhecimento.

O teatro da gripe Agosto 11, 2009 | 08:08 am

gripe-suina-mascara-blog-alexandre-montagnaHá pessoas apavoradas com a grine suína. Mesmo que eu fale para não acreditar no exagero e entender que a televisão é um palco, elas continuam preocupadas. Mesmo que os noticiários digam (em voz baixa) que os índices de morte da gripe suína são iguais ou menores que o da gripe comum, elas continuam consternadas. Tem gente que gosta de histeria.

Entenda que a História se repete. O povo é se assusta facilmente e entra em pânico rapidinho. Quantas vezes eu terei que reforçar o principal axioma do Método DeRose? Ele declara laconicamente Não acredite! Terei que repetir isso às pessoas durante minha vida inteira. E muitas vezes terei que lembrar-me a mim próprio disso, pois eu mesmo posso cair nessa péssima tendência de acreditar nas informações que chegam a nós pelos televisores, jornais, internet e boca-a-boca. A probabilidade de estarmos sendo ludibriados em algum grau é bastante elevada.

A gripe suína é sim terrível, te deixa de cama e com dores no corpo, pode causar vômito, febre alta, entre outras coisas. Acontece que esses são os mesmos sintomas que a gripe comum também apresenta! Não vamos subestimar o poder do vírus, mas sim lembrar que não podemos desconsiderar o poder da TV e das grandes corporações em manipular e até mesmo gerar um fato. Isso me lembra a propaganda de uma emissora de televisão que dizia “…nós só não podemos gerar um fato, mas você pode.” É uma frase linda, mas não é verdadeira. Embora não seja ético, os fatos podem, sim, ser criados e mantidos, ou – o que é mais comum – apenas aumentados em proporções assustadoras. Motivo? Lucro ou poder político. Toda catástrofe sempre beneficiará bastante alguma organização ou grupo político.

Eu assisti ao vídeo abaixo graças ao link que o Marco Carvalho disponibilizou em seu Twitter. Chamo este vídeo de “O Zeitgeist da Gripe Suína”.

Leia o post O Festival Internacional de Yôga de Buenos Aires está com a saúde ótima no Blog do DeRose.

Há uma entrevista feita entre a revista Veja e Nathália Prosperi, uma vítima da gripe, em que ela declara estar bem e já teria saído de casa, não fosse a proibição a ela imposta. Você pode ler a entrevista aqui: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/depoimento-eu-tenho-gripe-suina-480085.shtml

Minha aluna Ozana compartilhou este link que também saiu na Veja online: http://veja.abril.com.br/290709/nao-ha-motivo-tanto-alarme-p-098.shtml

Esse post não é apenas sobre a gripe suína, e sim sobre o reforço do axioma Não Acredite. Quando surgir uma nova notícia bombástica e catastrófica, você voltará a roer unhas? Quando vier o próximo teatro da mídia, você estará na plateia?

Um texto meu no “Livre Pensar do Yôga” Agosto 6, 2009 | 12:08 pm
Imagem característica do portal

Shiva, o criador mitológico do Yôga, ilustra o portal.

Tenho a alegria e o prazer de ver minha primeira contribuição ao belo portal chamado Livre Pensar do Yôga, gerenciado pelo meu amigo Caio Melo e que compila textos de diversos instrutores e praticantes da Nossa Cultura.

Inicialmente, publicaria o texto aqui no blog, mas ao perceber a possibilidade de publicar lá no Livre Pensar, enviei meu texto, pois achei cabido e gentil compartilhar minhas ideias noutros sites que me permitam fazer isso. O artigo chama-se Método DeRose é uma Cultura, e você pode encontrá-lo neste link: LivrePensardoYoga.com. Acesse!

Zeitgeist no Yôgacine de sábado – 4/7/2009 Julho 9, 2009 | 03:13 pm
Zeitgeist - 'o espírito da época'

Zeitgeist é um termo alemão que significa 'o espírito de época' ou 'espírito do tempo'. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.

Tivemos Yôgacine no último sábado e foi maravilhoso como sempre. O filme foi muito bom, interessante e instigante, feito para sacudir o indivíduo pelos ombros e alertá-lo para algo que, se eu for resumir numa expressão, seria esta: “não acredite“. Não acredite no quê? Apenas não acredite. A probabilidade de você ser ludibriado é grande. Isso vai ao encontro do verbo que define o Sámkhya (filosofia teórica que fundamenta o Yôga Antigo), que é o verbo saber – justamente o oposto do verbo crer, que melhor define o Vêdánta – a filosofia oposta ao Sámkhya! Não é à toa que o Mestre DeRose, o sistematizador do Yôga Antigo, escreveu um pequeno texto sobre esta expressão: O que é o Axioma Número Um do SwáSthya Yôga. De quebra, você já pode conferir este artigo para enriquecer mais sua leitura “Afinal, por que “doutrinação” deve ser execrada?

Zeitgeist – The Movie, de Peter Joseph, é uma codificação de fatos históricos, políticos e econômicos, numa compilação de efeito e alto impacto no espectador. É um trabalho de resgate dos acervos da mídia e da história, e colocados na película num formato dividido em 3 partes:

1 – A maior história já contada (religião);
2 – O mundo é um palco (política);
3 – Não te preocupes com os homens por trás das cortinas (economia).

O resultado é digno de apreciação, e você pode conferir ao final deste post. Além do filme, foi muito gostoso estar presente nesse encontro com tantas pessoas legais, simpáticas e queridas que são a galera do SwáSthya Yôga de Chapecó; e ainda podendo apreciar pizzas saborosíssimas – e vegetarianíssimas também, claro – à mesa.  A pizzaria Don Marco aqui de Chapecó está produzindo belas fornadas. Abaixo, a foto do encontro. Faltou a foto de todos sentados à mesa com as pizzas coloridas e gigantes ao longo dela.

yogacine-zeitgeist-the-movie-swasthya-yoga-metodo-derose-chapeco-blog-alexandre-montagna

Galera faceira reunida para a foto do final do encontro. Linha 1 - Cláudio (nosso engraçado amigo que aparece só para os documentários profundos, vindo no fluxo da Ci), Dani (nossa querida amiga também instrutora de SwáSthya), Helio (o guerreiro de Xanxerê, que atravessa mares ao nosso encontro), Ozana (nossa simpática colega com presença sempre confirmada); Linha 2 - Sérgio (grande e entusiasmado debatedor da noite), Cris (outra parceiraça que sempre nos alegra com sua ótima companhia), Cezar (que pela primeira vez participou de um evento da turma - que seja a primeira de muitas!), Sirlei (nossa nova e simpática colega que já chegou mostrando que é de marcar presença, companheira do Cezar), Alexandre (dispenso autocomentários hehehe); Linha 3 - Sary (minha amada companheira, sempre presente e me ajudando na organização dos eventos), Jeferson (nosso estimado amigo jornalista e empresário do restaurante vegetariano San Wila) e Cinara (também sempre presente e compartilhando alegrias, divertimentos e boas conversas, puxando o Cláudio até o momento em que ele começará a praticar também.)

O próximo Yôgacine provavelmente será sobre vegetarianismo, já que este é um assunto que atrai e interessa bastante quem ainda não é vegetariano ou não possui conhecimento o suficiente sobre.

O evento foi nas instalações acima da querida loja Samarga Fran Modas.

Fique ligado para conferir em breve os próximos posts!

SwáSthya!


Zeitgeist, O Filme (ver no Google Video)

Quem somos nós? (What the bleep do we know?) Maio 27, 2009 | 08:05 pm

Quem somos nós? foi o filme do nosso último Yôgacine, na casa da nossa querida colega Ozana. Se eu tiver que destacar um ponto ruim desse documentário, eu diria que é a abordagem excessiva do termo “espiritualidade”. Há inclusive um cientista (David Albert) que ficou indignado com o documentário, pois sua entrevista reiterou a não-relação entre física quântica e espiritualidade, enquanto a edição final de suas palavras insinuou o contrário. Depois, na segunda versão do filme que possui o subtítulo “Down the rabbit hole” (entrando na toca do coelho), o diretor ofereceu uma nova entrevista para esclarecer o posicionamento do professor Ph.D.

O radical espirit pode fazer o espectador começar a misturar com espiritualismo. Bem, caros amigos, é como diz o Mestre DeRose: “Não confunda espiritualismo com espiritualidade. A espiritualidade é um patrimônio do ser humano. O Yôga de qualquer modalidade, desde que autêntico, desenvolve a espiritualidade. Espiritualismo é a institucionalização da espiritualidade, ou o sistema que toma por centro o espírito em contraposição à matéria, baseando-se no conceito da dicotomia entre corpo e alma como coisas separadas e oponentes.” É importante reler este trecho para compreender bem estes conceitos e não misturá-los.

Há diversos links que podem ser feitos entre o filme em questão e a filosofia do Yôga, o que torna impraticável dialogar sobre todos eles em um só encontro de sábado à noite (após três deliciosas e saborosas pizzas gigantes vegetarianas). Um dos aprendizados mais importantes que temos para aplicar desde já no dia-a-dia é sobre os condicionamentos e o impacto das ações e reações em nossa rede neural. No Yôga, utilizamos os termos vásana (condicionamento) e sámskara (registro existencial) para abordar este assunto.  O filme ensina de forma clara como desenvolvemos a nossa personalidade baseada nos comportamentos anteriores, e como eles vão se consolidando e ganhando força. Alguém que se irrita uma vez, irritar-se-á outra vez mais adiante, e outra, e outra, chegando a tal ponto que o comportamento de irritação e descontrole emocional estará intrínseco à sua personalidade, amalgamando-se de tal forma que ficará difícil visualizar uma luz no fim do tunel daquela pessoa.

“O Homem faz escolhas, e as escolhas fazem o Homem.”
Ricardo Mallet

Ilustração da rede neural, onde registram-se os condicionamentos

Ilustração da rede neural, onde registram-se os condicionamentos

Encerro com o excelente texto de Joris Marengo, o bem conhecido Jojó, Presidente da Federação de Yôga do Estado de Santa Catarina:

O inconsciente é como um disco de vinil virgem.
Desde o nascimento são registrados, marcados na superfície lisa do disco, todas as experiências de dor e prazer.
Elas ficam ali, indefinidamente: totais, silenciosas, perenes e inconscientes. O Yôga denomina estes registros de samskáras.
O samskára, como sulcos de um vinil, obriga-nos a dançar sempre as mesmas músicas, ou seja, a repetir os atos condicionados, os vásanás.
Aquilo que denominamos de personalidade, individualidade são apenas atos condicionados mais sutis, mas ainda reações reflexas ao domínio silencioso do samskára.
- Existirá uma condição de liberdade, além dos samskáras e vásanás?
É este o estado não-condicionado que o yôgin aspira com toda a força do seu sádhana, dia após dia, samyama após samyama, sem concessões, até a liberação absoluta.

Joris Marengo

Ele ainda acrescenta no rodapé:

Samskára: as raízes profundas dos condicionamenos humanos, tendências subconscientes de caráter inato e hereditário.
Vásaná: odor, desejo, ignorância. Impressões subconscientes, tendências ou disposições que condicionam o homem.

quem-somos-nos-reflita-blog-alexandre-montagna

Cena que encerra o documentário

Blog do Jojó: www.yogafloripa.com/blogdojojo/

Blog do DeRose: www.uni-yoga.org/blogdoderose/

Twitter de Ricardo Mallet: twitter.com/ricardomallet

A volta de Ida: encontramos o elo perdido? Maio 20, 2009 | 11:00 am

Ainda é muito cedo para lançar sólidas notícias… porém, já demonstro-me bastante empolgado com a leitura deste artigo divulgado no TED, que abaixo publico traduzido ao nosso bom português:

ted-logo-blog-alexandre-montagna

Nesta última terça (19), no Museu Americano de História Natural, em New York, foi anunciada uma descoberta revolucionária – uma que permanecerá como um marco para paleontólogos e evolucionistas de todo o mundo. Cientistas da Universidade de Oslo descobriram “Ida”, também conhecida como Darwinius masillae, um fóssil de 47 milhões de anos que foi proclamado como o “elo perdido” na ligação entre a estrutura do esqueleto humano e os primeiros mamíferos.

Os cientistas encontraram Ida em Messel Pit, na Alemanha, e logo descobriram que ela é cerca de vinte vezes mais velha do que a maioria dos fósseis relacionados com a evolução humana. O que torna Ida tão especial é que, além de sua classificação como um precoce pró-símio (lêmures), ela tem certas características humanas inegáveis, como os olhos virados para a frente e até mesmo um polegar opositor.

Este é um dia emocionante de confirmação para os cientistas em todo o mundo. O apresentador e naturalista Sir David Attenborough disse: “Esta pequena criatura vai mostrar a nossa conexão com todo o resto dos mamíferos.”

Fique ligado no site oficial The Link para fotos, vídeos e mais informações sobre Ida e sobre a equipe de pesquisadores por trás dela.

ida-fossil-plate-darwin-evolucionismo-blog-alexandre-montagna

Será o elo perdido da nossa evolução? Será um alarme falso, que passou muito perto? Ou será apenas uma travessura de Deus para testar a nossa fé, como dizem alguns crentes?

Veja um trecho do artigo que saiu no Terra: “O formato do osso tálus dos humanos, que fica no calcanhar, é igual ao de Ida. Os polegares opositores e a presença de unhas em vez de garras também confirmam que ela era uma primata. A análise dos intestinos do fóssil mostrou que ela comia sementes e folhas.

Independentemente da importância deste esqueleto, a sua descoberta representa um importante passo na conquista do nosso mapa evolutivo.

Frase para carregar no coração e pendurar na porta de casa Maio 14, 2009 | 05:46 pm

Este é um texto para todos que possuem apurado senso crítico e estão abertos
a conversar sobre qualquer, qualquer, qualquer coisa!

Que este post seja um convite à boa reflexão, e que lhe cultive um sorriso de sincera alegria.

Let the humanity be informed by science, inspired by art and motivated by compassion for all living beings. There is no God!

Em português: ”Deixe a humanidade ser informada pela ciência, inspirada pela arte e motivada pela compaixão por todos os seres vivos. Não há Deus!

Gosto muito dessa frase. Ela resume brilhantemente as diretrizes ideais para a humanidade. Vou debulhá-la:

1) Deixe a humanidade ser informada pela ciência [...]

Ciência é o conhecimento. Qual o oposto de ciência? Ora, o célebre oposto da ciência é a crença. O que não falta nesse mundão são pessoas com as crenças o mais aleatórias possível, cegas para visualizar as coisas como elas são. Aquilo em que se crê é o que não pode ser comprovado e torna-se uma “questão de fé”, como dizem. E por que fé é boa? Os mais alienados, os homens-bomba, os assassinos, racistas, machistas e homofóbicos desse planeta são aqueles que possuem fervorosa fé em suas crenças. A crença desune as pessoas. Vou repetir: a crença desune as pessoas. O conhecimento une. Há milhares de teorias sobre a criação do mundo, com trocentos mil deuses e histórias de contos de fadas, mas os cientistas do mundo inteiro estão unidos em uma irrefutável e avassaladora evidência: o Evolucionismo. O conhecimento, de fato, une as pessoas.

2) [...] inspirada pela arte [...]

“E que seja perdido o único dia em que não se dançou”. É assim que Nietzsche concluiu que a vida inspirada pela arte é muito mais bela e poderosa. A arte incita à beleza, à sutileza, à percepção sutil, às nuances de sensações. Quando percebemos que arte e beleza estão em todo lugar, o tempo todo, elas tornam-se sinônimos. A vida artística sugere o que é mais refinado, mais sofisticado, transcende a existência e conduz o humano a uma dança existencial, no tom da música que mais lhe agradar. A arte ama o corpo, ama a sensorialidade e é, por conceito e essência, desrepressora.

3) [...] e motivada pela compaixão por todos os seres vivos. [...]

Essa é uma frase-irmã da lei primeira, universal. Não são necessários livros e mais livros de conduta, pois todas as regras, leis e mandamentos são apenas desdobramentos comentados desta lei primeira: “Não faças ao outro o que não queres que te façam, esta é a Lei”. Se você não gosta que lhe contem mentiras, então não minta. Se você não gosta que lhe agridam, então não agrida. Não mate, não roube, não fale mal dos outros, pois tudo isso você não gostaria que fizessem com você. Vamos parar os exemplos aqui, pois isso vai longe na forma de várias mini-leis! Na frase mencionada, ao outro significa exatamente ao outro, lato sensu, e não ao outro “humano”, stricto sensu. Quando a criatura homo-sapiens convence-se de que ela não é o centro do universo, mas sim um ser irmão coexistencial de todos os outros seres, a compaixão deve se fazer presente soterrando todas as barreiras entre espécies. E nós estamos no topo evolutivo aqui na Terra, nós é que devemos liderar a existência harmoniosa da natureza, e não o contrário! Há uma história hindu que conta de uma passagem de Rámakrishna, um yôgi tântrico do século XX que, vendo que um escorpião estava prestes a morrer afogado, tratou de tentar pegá-lo para trazê-lo de volta à terra. Porém, o escorpião tentou fincar-lhe o ferrão nos dedos, e Rámakrishna soltou-o de volta à água. Instantes depois, Rámakrishna pegou o escorpião novamente, pois o sábio hindu queria impedir a morte daquele pequeno animal, e a cena voltou a se repetir. E depois, mais uma vez. Depois, novamente. E então seu discípulo que acompanhava e via a sequência desde o início, indagou seu Mestre, com a sua lucidez em processo de expansão e com sua sede de compreensão: “Mestre, por que o senhor não deixa este ser morrer afogado? Não vês que este escorpião não merece ser salvo?” E Rámakrisha responde, com a sapiência de um verdadeiro indivíduo humano: “Ele só está agindo de acordo com sua natureza, e eu só estou agindo de acordo com a minha.

4) [...] Não há Deus!

O conceito de Deus ganhou forças entre sociedades místicas, crentes, e fáceis de serem assustadas e manipuladas. Ganhou forças em épocas que não conseguíamos explicar o mundo e apelávamos ao sobrenatural. Na verdade, alguns líderes espertos inventavam histórias e nós acreditávamos, como cordatos cordeiros com fé. Achávamos que Deus havia criado o homem à sua imagem e semelhança quando, na verdade, ocorreu o exato oposto. Em nossa própria história ocidental, chamamos de Era das Trevas o período em que a sociedade foi tomada pela crença e abolia o conhecimento, mandando cientistas às fogueiras e às prisões, somente por terem ousado expôr o conhecimento e falar a verdade… foi uma verdadeira Idade das Trevas mesmo! Mais guerras já foram travadas em nome de Deus do que em nome de qualquer outra coisa. Ódio, castigo e punição são fenômenos típicos teístas: Deus castiga, Deus odeia bichas, Deus odeia negros, e – claro – Deus odeia todos aqueles que não estão na minha religião. Os índios que aqui viviam no Brasil eram felizes e serelepes, andavam e brincavam nus em grande contato com a natureza. Então a religião veio trazendo Deus: pecado, culpa e salvação, e conseguiram, afinal, vestir roupas nos índios, escondendo-lhes o corpo, levando-os às igrejas para serem salvos de seus pecados. Na Bíblia, aquele livro que me soa igual ao Corão, está escrito que ateus são tolos. Senti cheiro de insegurança aí. Completamente cheia de julgamentos e de reputação duvidosa, a Bíblia institui a fé para que ela seja válida (afinal é preciso ter muita fé para acreditar que um senhor de barbas brancas que vive em brancas nuvens foi a fonte de conteúdo para este livro). Repito a pergunta: por que fé é boa? Por que acreditar parece tão bom aos ouvidos de muitos de nós? Os mais alienados, os homens-bomba, os assassinos, racistas, machistas e homofóbicos desse planeta são aqueles que possuem fervorosa fé em suas crenças. 75% da população dos EUA é cristã, e 10% é ateísta. 75% da população carcerária dos EUA é cristã, e apenas 0.2% é ateísta. Você percebe a proporção? Traficantes carregam um grande crucifixo no peito. Criminosos e marginais picham os muros com “Jesus salva” após matarem um casal na esquina para lhes roubar as joias. Políticos erguem a Bíblia nas mãos para fazer a média com a parcela crente do eleitorado, e cometem as maiores barbáries governamentais. Fé é uma ferramenta de manipulação. Certa vez alguém disse, ao presenciar uma cena criminosa na TV: “isso é falta de Deus no coração”. Eu diria que é falta de amor no coração, falta de compaixão com todos os seres vivos do planeta, mas não falta de Deus. Aliás, dentre os maiores problemas que a humanidade passa, um deles é o excesso de Deus.

Dr. Drauzio Varella fala sobre ser ateu (recomendo que você assista)

Alguns ateus/agnósticos famosos

Sugestão de filmes e vídeos para assistir e se aprofundar nestes assuntos que já são profundos:

  • O Ponto de Mutação (Mindwalk);
  • Quem Somos Nós? – É hora de ficar esperto! (What the bleep do we know?), de William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente;
  • Zeitgeist – parte 1, de Peter Joseph;
  • Religulous, de Bill Maher;
  • Cosmos, de Carl Sagan;
  • O Poder do Mito, de Joseph Campbell;
  • Deus, o Universo e tudo o mais, com Stephen Hawking, Carl Sagan e Arthur C. Clarke;
  • Os inimigos da razão (The enemies of reason), de Richard Dawkins.

O conhecimento leva à União. A ignorância leva à dispersão. (Rámakrishna) Abril 1, 2009 | 01:23 am

E você sabe o que leva à ignorância?


Yôga em Movimento SwáSthya - A Cultura Livre pensar do Yôga Descubra por que o Yôga é 10 Federação de Yôga do Estado de Santa Catarina Blog do Jojó Blog do DeRose Método DeRose / DeRose Method / Méthode De Rose