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Posts marcados com a tag ‘Natureza’
O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro Abril 14, 2010 | 08:08 am

E na seção de comentários do Blog do DeRose…

Querido Mestre gostaria de enviar este poema de Fernando Pessoa.
O Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro.

Só a Natureza é divina, e ela não é divina…
Se falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas,
E impõe nome às cousas.
Mas as cousas não têm nome nem personalidade:
Existem, e o céu é grande a terra larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado…
Bendito seja eu por tudo quanto sei.
Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.

Patrício Vinagreiro

Obrigado, Patrício. Você sabe o quanto admiramos Fernando Pessoa, não é?

DeRose

http://www.uni-yoga.org/blogdoderose/filosofia/como-o-ser-humano-e-cruel-com-os-animais/#comment-16425

Como sair da ilusão? Março 31, 2010 | 02:01 pm

Há quem não queira sair…

Encontrado no blog de Ricardo Lombardi Desculpe a poeira. Este, por sua vez, encontrado num buzz do Alessandro Martins.

Há metafísica bastante em não pensar em nada. Dezembro 22, 2009 | 06:08 pm

Um belo poema que carrego e me inspiro para viver 2010.
Este é do Mestre Fernando Pessoa, através de seu heterónimo Alberto Caeiro.
Feliz Ano Novo, amigos leitores!

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Alberto Caeiro

http://www.jornaldepoesia.jor.br/alberrr.html

A Santa Ceia atual Dezembro 19, 2009 | 06:00 pm
Vamos, irmão, comer uma porca sangrando para celebrar a vida e beber um vinho para celebrar consciência!

Vamos, irmãos, comer uma porca sangrando para celebrar a vida e beber álcool para brindar à consciência!

E, no revólver do organismo, alguns grandes problemas à ponto de bala, esperando a garfada fatal que puxará o gatilho rumo ao Sonrisal (ou ao hospital). Essa é a Santa Ceia atual.

No cenário coadjuvante, a alguns metros da concentração da bagunça, paira numa mesa, amparado por um suporte que tenta transmitir requinte, sobre um tecido que transborda o móvel, um livro escrito por homens e atribuído a um Ser Celestial, supostamente designado para doutrinar e direcionar a conduta de vida de seus leitores, e até nesse livro errante não há em lugar algum a indicação de que o ser humano foi projetado para comer carnes.

Pelo que me consta, em nenhuma passagem das traduções mais antigas e fiéis da Bíblia há indicações de que Jesus comeu peixe, tomou vinho, ou que o ser humano foi feito para comer carnes. Muito pelo contrário, o Filho apenas tomou tiyrosh (non-alcoholic grapejuice or sweet wine [1]) e, no Gênesis, consta que fomos projetados para durar 120 anos e que foram criadas as árvores e as ervas que dão semente para que nos sirvam de alimento.

“Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem;
quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão.”
(Isaías, 66:3)

Parece tudo bem claro. Não que esse livro sirva como norte moral válido para aplicarmos no cotidiano, da mesma forma como descartamos também o Corão, ou o Torá, mas vale o registro para todos aqueles que precisam de um empurrãozinho religioso.

“Virá o dia em que a matança de um animal
será considerada crime tanto quanto o assassinato de um homem.”
(Leonardo da Vinci, mais de mil anos depois da Bíblia)

Christian, o leão Dezembro 19, 2009 | 02:30 pm

Mais um exemplo de sentimento animal. É um vídeo emocionante para curtir bem o Natal, insuflado de amor, sensorialidade e respeito a todos seres -- de duas ou de quatro patinhas.

Você não é o centro do Universo Novembro 20, 2009 | 08:08 am

Abaixo, um dos poucos vídeos que carrego em minha pasta de diretrizes conceituais e que explica o motivo pelo qual os cientistas são mais religiosos que os padres: eles estão mais em contato com a magnitude do mundo ao nosso redor, sem crença, sem temência, sem folclores.

Como sou muito querido, vou traduzir o vídeo:

- Vamos falar de TAMANHO
- O quão grandes são os objetos que flutuam em nosso Universo e o quão grandes eles podem ser?
- Aproveite a comparação a seguir, começando com um objeto bem grande, a nossa própria lua.

#Planetas

  • Lua da Terra
  • Mercúrio
  • Marte
  • Vênus
  • Terra (você está aqui)
  • Netuno
  • Saturno (sem os anéis)
  • Júpiter

#Estrelas

  • O Sol (nossa própria estrela)
  • Sirius A
  • Pollux (Laranja Gigante)
  • Arcturus (Vermelha Gigante)
  • Aldebaran (Vermelha Gigante)
  • Rigel (Azul Supergigante)
  • Pistol Star (Azul Hipergigante)
  • Antares A (Vermelha Supergigante)
  • Mu Cephei (Vermelha Supergigante)
  • VY Canis Majoris (Vermelha Hipergigante) [maior estrela conhecida]

- Tamanho da Terra (em relação à VY Canis Majoris)
- Esta estrela tem um diâmetro de aproximadamente 2.800.000.000km. Como você pode imaginar este tamanho?
- Pense em um avião de passageiros voando pela superfície desta estrela a 900km/hora.
- Levaria 1.100 anos(!) para dar uma volta completa nela.
- Ainda assim, ela é apenas um pequeno ponto entre diversas centenas de bilhões de estrelas formando nossa galáxia.
- E há centenas de bilhões de galáxias lá fora!
- Não, – você – não – é – o – centro – do – Universo!


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