Receita de chai indiano
(pronuncie “tchai”)
“Aceita um chai?”
Escrito por DeRose (www.MetodoDeRose.org/blog). Assista a um vídeo com a receita no YouTube.

DeRose ensina a fazer o chai indiano
Chai é o nome do chá indiano, feito com um pouco de leite, açúcar e podendo conter gengibre, cardamomo e outras especiarias. Da palavra chai, provém o português chá. A partir de 1975, comecei a introduzir o chai no Ocidente. Adotamos o chai como bebida oficial nas nossas escolas. No início, teve pouca repercussão. Depois, à medida que eu viajava mais e por vários países, a influência se fez sentir. E cresceu mais quando nossa rede de escolas e associações filiadas tornou-se numericamente relevante e influente na vida de tantas pessoas. Daí, a partir de um dado momento, começamos a encontrar o nosso chai em casas de chá e até mesmo restaurantes. Em muitos deles, constava como chá yôgi, numa clara referência à nossa escola, pois na Índia esse chá não é tomado apenas em entidades de Yôga, mas em toda parte. Mesmo se você entra em uma loja de comércio, oferecem-lhe logo um chai. É uma demonstração de cordialidade. Aceitá-lo, uma demonstração de boa educação. Pois, bem, a história que quero contar tem a ver com isso.
Como um simples chai endossa nossas intenções de autenticidade
Na escola do Fernando Prado, em Buenos Aires, um senhor indiano levava a esposa para praticar SwáSthya e ficava esperando por ela na recepção da escola. Não conversava, não sorria. Quando o diretor da escola procurava ser cordial, o maridão respondia com monossílabos. Algum tempo depois, Fernando se lembrou de lhe oferecer um chai. O senhor indiano ergueu as sobrancelhas e redarguiu: “Vocês tem chai? Quero ver.” Fernando serviu-lhe um chai. O senhor indiano provou. Sorriu. Começou a conversar. Tempos mais tarde, Fernando lhe perguntou por que depois do chai ele ficou tão simpático e antes não queria nem conversa. Então, a glória: “Eu achava que vocês eram como os outros ocidentais que dizem ensinar Yôga e transmitem uma deturpação ofensiva às nossas tradições. Mas quando provei a bebida tradicional indiana, percebi que se até no chai vocês fazem questão de autenticidade, o Yôga que ensinam também deve ser autêntico.”
Chazinhos naturébas, não!
Por isso, fico muito triste quando visito alguma escola que diz seguir o nosso método, mas serve chazinhos naturébas, que são um modismo ocidental contemporâneo. Nada contra as infusões medicinais, para ser tomadas quando necessário. Mas oferecer essas bebidas sem graça dentro de uma escola de Yôga é subordinar-se a um paradigma equivocado, associando erroneamente Yôga com terapia. Yôga é filosofia. Todos os dicionários e enciclopédias o definem como tal. Sua meta, segundo Pátañjali, é o samádhi, o estado de consciência expandida que proporciona o autoconhecimento. Se, por efeito colateral, aumenta a vitalidade e todas aquelas consequências positivas, devemos interpretar isso como acidentes de percurso, positivos, por certo, mas jamais como objetivo. Uma abordagem mais séria não deve acenar com benefícios. É como se o instrutor quisesse convencer alguém de alguma coisa, ou como se quisesse vender algo a alguém. Mais nobre é praticar o Yôga pelo Yôga e não visando a benefícios pessoais. Este posicionamento está muito claramente exposto em nossos livros, sempre que, pela exigência do capítulo, somos obrigados a mencionar os tão decantados “benefícios do Yôga”. Não negamos que eles existam, mas preferimos não fazer apelação. Ao não oferecer benefícios terapêuticos e não aplicar misticismo, fica evidenciada a seriedade do nosso trabalho.
Como preparar o chai
(Texto extraído do livro Alimentação biológica, do Comendador DeRose)
Na Índia, o chai é feito com leite e, eventualmente, com condimentos. Muitas vezes, vi os hindus preparando o chai na rua. É muito simples.
Eles colocam em uma panela sobre o fogo a quantidade desejada de água, para um copo, dois copos etc. Juntam a quantidade de leite que é quase igual à de água. Colocam a erva do chá preto e o açúcar. Quando sobe a fervura, está pronto! Retiram do fogo e servem.
No entanto, o chá preto não deve ferver porque se torna tóxico. Claro que uma leve fervura não faz mal, porém se puder evitar é melhor. Então, sugiro que você coloque a água para ferver antes, desligue o fogo e – só então – coloque a erva do chá preto, o leite e o açúcar. Açúcar branco, é claro! Na Índia nunca vi o tal de açúcar mascavo. Mas se quiser, tome sem adoçar, pois o adoçante artificial é execrável.
Masala tea, ou masala chai, é o que leva especiarias. Existe um composto que se pode encontrar em alguns importadores de condimentos, denominado tea masala. Masala (pronuncie “massála”) é masculino e significa blend. Basta colocar um pouco do pó, a gosto.
Ginger tea, ou ginger chai, é feito com gengibre, o qual deve ser cortado em fatia finas ou ralado e posto na água que vai ferver. Nesse caso, deixamos ebulir alguns instantes para retirar o sabor e os princípios ativos do gengibre, antes de prosseguir na confecção do chai.
Para variar e também para dar uma refrescada no hálito, pode-se acrescentar cardamomo. Ou em pó, ou em sementes. Neste caso, retiramos as sementes da palha e esmagamo-las com uma faca ou pilão.
É de bom tom coar antes de servir, a fim de evitar fragmentos do gengibre ou do cardamomo.
Use um tipo de chá preto forte. As marcas inglesas costumam ser as melhores e são produzidas na Índia. Os melhores chás ingleses são do tipo Assam e Darjeeling, pois deixam o chai encorpado, com boa cor, aroma e sabor. Os chás pretos sul-americanos não devem ser utilizados porque são muito fracos e têm um sabor bem diferente, em nada aparentado com o do verdadeiro chá preto indiano. No Brasil, os chás indianos ou ingleses são muito caros, mas na Inglaterra e nos Estados Unidos são extremamente baratos. Vale a pena fazer uma viagem para se abastecer.
E um bom chai para você!

Receita-padrão do chai do Método DeRose
O chá indiano de especiarias faz parte da rotina dos alunos do Método DeRose. Antes ou depois da prática há sempre um momento para o chai e uma boa conversa.
INGREDIENTES PARA UM AUTÊNTICO CHAI:
- 500 ml de água;
- Meio copo de gengibre ralado.
- 500 ml de leite;
- 5 sementes de cardamomo;
- 2 unidades de canela em pau;
- 6 colheres (de sopa) de açúcar;
- 3 colheres (de sopa) de chá preto;
MODO DE PREPARO:
Ferva a água e adicione o gengibre, o cardamomo e a canela. Acrescente o leite, o açúcar. Desligue o fogo e coloque o chá preto para infusão por cerca de 3 minutos. Por último, coe.
Obs.: o chai só estará pronto quando a cozinha estiver limpa e organizada.

Receita do chai indiano – versão alternativa
Esta receita foi muito utilizada na década de 90 nas escolas da Universidade de Yôga.
Você pode fazer o download desta receita do chai no formado PDF.

Talvez, no preparo, o açúcar chame abelhinhas, a menos que você feche as portas da cozinha.
INGREDIENTES:
• 2 litros de água mineral
• Entre ½ e 1 copo de açúcar refinado
• 2 paus de canela
• 1 copo de gengibre ralado
• ½ copo de leite em pó (Ninho)
• 2 colheres de chá preto inglês
• 5 sementes de cardamomo
MODO DE PREPARO:
1. Medir 2 litros de água
2. Separar 200ml da água para diluir o leite
3. Por o restante da água a ferver
4. Por as sementes de cardamomo no pilão e triturar
5. Lavar e ralar o gengibre
6. Por o açúcar e a canela em uma panela e levar ao fogo. Utilizando uma colher de pau, mexer até formar uma calda
7. Adicionar o gengibre e misturar bem
8. Acrescentar a água pré-aquecida e o cardamomo
9. Deixar ferver. Após a fervura, baixar o fogo e aguardar 5 minutos
10. Diluir o leite e adicioná-lo, deixando aquecer por mais 1 minuto
11. Desligar o fogo e adicionar as 2 colheres de chá preto. Aguardar 1 minuto
12. Verificar se a garrafa térmica está pronta para receber o chai
13. Coar o chai na peneira, depois no filtro e experimentar
14. Utilizando um funil, colocar o chai na garrafa térmica
15. Pronto para servir
Obs.: o chai só estará pronto quando a cozinha estiver limpa e organizada.

Receita chai – versão de desespero e emergencial
Caso falte leite na sua casa, mas tenha leite condensado, será tolerado fazer a receita que segue:
INGREDIENTES:
1 litro de água
1 lata de leite condensado (ou menos)
½ xícara de canela em rama picada
½ xícara de gengibre ralado
10 cravos da Índia
1 colher de sopa de chá preto
MODO DE PREPARO:
Em 1 litro de água esquente o gengibre, a canela e o cravo. Desligue o fogo quando a água ferver. Em seguida, acrescente o leite condensado e o chá preto. Depois, misture os ingredientes, tampe e deixe em infusão por 10min. Coe numa peneira fina e estará pronto para servir.
Obs.: o chai só estará pronto quando a cozinha estiver limpa e organizada.

Uma delícia chamada chai
Como a Nossa Cultura influenciou o mundo: o chai
(Texto extraído do Blog do DeRose)
Em 1975 viajei à Índia pela primeira vez. Depois, anualmente durante vinte e quatro anos. Ao retornar da primeira viagem, comecei a oferecer o chai aos alunos. Todos gostaram, mas a ideia não pegou. Eu só tinha uma escola e no Rio de Janeiro, na época, argumentava-se que o chai era quente e não deveria servir para o Rio, que tinha elevadas temperaturas. Eu contra-argumentava que se fosse assim, ninguém deveria tomar cafezinho quente e isso era (e ainda é) uma mania nacional.

DeRose em Londres, 2011
Passaram-se os anos, repetiram-se as viagens à Índia e eu insistia no chai. A nossa rede cresceu e expandiu-se por quase todo o país, bem como por Portugal, Argentina e, mais tarde, pela França, Inglaterra, Itália, Espanha, Estados Unidos etc.
Mas, curiosamente, embora todos declarassem que gostavam do chai, a ideia não pegava. O paradigma ocidental contemporâneo era de que uma escola de hinduísmo no Ocidente tinha que ter chazinho naturéba. Você sabe: aquelas infusões muito boas para a saúde, mas com gosto ruim. Acontece que não trabalhamos com terapia, nem com gente doente. Mas o pior era o fato de que esse costume constituía um falso estereótipo e nós somos contra estereótipos, especialmente os falsos.
Um dia perdi a paciência e disse que a escola que insistisse em servir “chazinhos” naturébas não estava alinhada conosco. Que o chá da Índia era o chai e que eu não queria ver outro que não fosse o chai nas nossas escolas. Aí, funcionou! Todas as nossas escolas começaram a servir o chai e assim o fizemos durante alguns anos.
Pouco a pouco, vimos aparecer o chai nesta e naquela casa de chá, bem como em alguns restaurantes mais finos. Mais algum tempo se passou e o chai se fez presente em algumas entidades culturais. Ele já estava bem popular quando a rede Globo lançou uma novela inspirada na Índia. Nossos milhares de alunos que eram aficcionados do chai exultaram ao ver na TV a nossa bebida institucional. Daí para a frente, passamos a encontrar chai em toda parte, alguns deles intragáveis. Em muitos restaurantes, inseriam no cardápio uma explanação que era a cópia literal dos nossos textos explicativos sobre o chai.
Por tudo o que foi descrito, julgamos que fomos nós que introduzimos o chai no Brasil, Argentina e Portugal.