Blog de Alexandre Montagna Alexandre Montagna com o educador DeRose em setembro de 2010.
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História de um brahmane, por Voltaire Dezembro 28, 2011 | 09:25 pm
História de um brahmane

“Durante as minhas viagens encontrei um velho brahmane – homem muito sábio, cheio de espírito e erudição; além do mais, era rico, e portanto mais sábio ainda, já que, como não lhe faltava nada, não precisava enganar ninguém. Sua casa era otimamente governada por três lindas mulheres que faziam de tudo para agradá-lo; e quando não se divertia com elas, sua ocupação era filosofar.

Perto de sua moradia, que era bonita, bem decorada e cercada de encantadores jardins, morava uma velha hindu, muito devota, imbecil e extremamente pobre.

- Quem me dera não ter nascido! – disse-me um dia o brahmane. Perguntei-lhe por quê. – Faz quarenta anos que eu estudo – respondeu-me -, e foram quarenta anos perdidos: ensino aos outros, e ignoro tudo; esse estado me enche a alma de tanta humilhação e desgosto que faz com que minha vida seja insuportável. Nasci, vivo no tempo, e não sei o que é o tempo; encontro-me num ponto no meio das duas eternidades, como dizem os nossos sábios, e não tenho a mínima idéia do que seja a eternidade. Sou feito de matéria, penso, e nunca pude saber o que é que produz o pensamento; ignoro se o meu entendimento é em mim uma simples faculdade, como a de caminhar, de digerir, e se penso com a minha cabeça como seguro com as minhas mãos. Não apenas o princípio de meu pensamento me é desconhecido, mas também o princípio dos meus movimentos: não sei por que existo. Não obstante, cada dia me fazem perguntas sobre todos esses pontos; é preciso responder; nada tenho que preste para lhes comunicar; falo bastante, e fico confuso e envergonhado de mim mesmo depois de haver falado. O pior é quando me perguntam se Brahma (Deus do panteão hindu que personifica o Absoluto no aspecto de criador do mundo. Pertence à trimurti junto com Vishnu e Shiva [N. de A.M.]) foi produzido por Vishnu, ou se ambos são eternos. Deus é testemunha de que nada sei a respeito, o que bem se vê pelas minhas respostas. “Ah! Meu reverendo”, imploram-me, “dize-me como é que o mal inunda toda a Terra.” Sinto-me nas mesmas dificuldades que aqueles que me fazem tal pergunta: digo-lhes algumas vezes que tudo vai o melhor possível; mas aqueles que foram arruinados ou mutilados na guerra não acreditam nisso, nem eu tampouco; retiro-me abatido pela sua curiosidade e pela minha ignorância. Vou consultar nossos antigos livros, e estes duplicam minha escuridão. Vou consultar meus companheiros: respondem-me alguns que o essencial é gozar a vida e zombar dos homens; outros acreditam saber alguma coisa, e perdem-se em divagações; tudo contribui para aumentar o doloroso sentimento que me domina. Às vezes me sinto à beira do desespero, quando penso que, depois de todas as minhas pesquisas, não sei nem de onde venho nem para onde vou ou no que me transformarei.

O estado desse excelente homem me causou verdadeira compaixão: ninguém tinha mais senso e boa-fé. Compreendi que, quanto mais luzes havia no seu entendimento e mais sensibilidade no seu coração, mais infeliz era ele.

Vi no mesmo dia a velha sua vizinha: perguntei-lhe se alguma vez havia ficado aflita por querer saber como era a sua alma. Ela nem entendeu a minha pergunta: jamais em sua vida refletira um instante sobre um só dos pontos que atormentavam o brahmane; acreditava de todo o coração nas metamorfoses de Vishnu e, desde que algumas vezes pudesse conseguir água do Ganges para se lavar, considerava-se a mais feliz das mulheres.
Impressionado com a felicidade daquela pobre criatura, voltei ao meu filósofo e lhe disse:

- Não te envergonhas de ser infeliz, quando mora à tua porta uma velha autômata que não pensa em nada e vive feliz?

- Tens razão – respondeu-me ele. – Mil vezes eu disse a mim mesmo que seria feliz se fosse tão tolo como a minha vizinha, contudo não desejaria tal felicidade.

Essa resposta me impressionou mais que todo o resto; consultei minha consciência e vi que na verdade também não desejaria ser feliz sob a condição de ser imbecil.

Apresentei a questão a filósofos, e eles concordaram com a minha opinião. “Contudo”, dizia eu, “existe uma terrível contradição nessa maneira de pensar”. Pois de que se trata, afinal? De ser feliz. Que importa, então, ter espírito ou ser tolo? Mais ainda: aqueles que estão contentes consigo mesmos estão bem certos de estar contentes; mas aqueles que raciocinam não tem tanta certeza de raciocinar bem. “É claro”, dizia eu, “que se deveria preferir não ter senso comum, desde que este contribua, o mínimo que seja, para o nosso mal-estar.” Todos concordaram comigo, porém não encontrei ninguém que aceitasse se tornar imbecil para se sentir contente. Daí concluí que, se damos muito valor à felicidade, damos mais ainda à razão.

Contudo, pensando bem, parece uma insensatez preferir a razão à felicidade. Como explicar, então, tal contradição? E também todas as outras. Há muito a discutir a respeito disso.”

(Histoire d’un Bramin, Voltaire)

 

Vamos para Porto, alegres! Novembro 12, 2010 | 10:08 am

Mentalize para mudar, mude para viver

Vida é uma oportunidade temporária para sofrer experiências e saborear escolhas. Entretanto, ao chegar na idade adulta, ficamos com muito medo das experiências e com receio das escolhas que exijam mudanças. Buscamos o mais rápido o possível uma zona de conforto e nela ficamos nos desenvolvendo em ritmo lento e criando a famosa casca protetora, blindada contra desafios que nos tirem do casulo. Pois este casulo é justamente o que nos impede de viver a vida.

Para saborear bem a nossa breve passagem pela Terra, é importante mentalizar o que queremos. Mentalizar é quase o mesmo que imaginar, mas trata-se de uma imaginação educada, norteada pelo que realmente desejamos com sinceridade. Eu aprendi a antecipar meu futuro através das mentalizações, e posso dizer com saudável orgulho que todas elas já aconteceram ou estão em processo de realização. Funciona porque é uma matemática cósmica, uma técnica, e não algo que se obtém por mérito espiritual ou por segredos místicos. Ocorre que ao anteciparmos o futuro e imaginarmo-nos lá, nossas ações passam a conspirar a favor da consecução deste objetivo maior. É um mecanismo da Natureza: mentalizar com dedicação, agir com norte e obter o resultado.

Lisandra, minha monitora, interagindo com a Natureza em sua viagem a Bali. Esta viagem é uma de suas mentalizações. Foto de outubro de 2010.

É da nossa natureza desejar coisas que ainda não temos. Queremos nos mudar para um lugar qualquer, queremos abrir um negócio diferente, queremos mudar qualquer coisa! Ocorre que, quando a vida, a Natureza ou o mero acaso vem nos ajudar a realizar estas mentalizações, arrumamos mil e uma desculpas para não ir adiante.  Dá um certo medinho e embrulho no estômago, mas é sempre assim, é como se nós mesmos nos sabotássemos na hora H. É porque a gente aprende a sonhar, mas não a realizar o sonho; na hora de realiza-lo, tudo se torna um pretexto para rechaçar a Grande Chance! Bolamos vergonhosamente uma desculpa qualquer para empurrar com a barriga e dizer que não é o momento certo de mudar. É sempre a mesma coisa: não mudamos porque a culpa é do companheiro que não ajuda, ou é a falta de dinheiro, ou arranja-se outro pretexto qualquer. É preciso trabalhar o poder interior e desenvolvê-lo para atingir nossos anseios e agarrar as oportunidades, sem desculpas para se manter na famigerada zona de conforto. O sistema que professo possui uma forte orientação para que não enrolemos e seguremos com garra e força quando o bonde da oportunidade vier ao nosso encontro.

Podemos e devemos mentalizar alto, sem medo e sem baixa auto-estima. Afinal, se nós não pudermos atingir nossos sonhos, então quem poderá? Somente os outros? Os que aparecem na TV? Os que tem dinheiro? Que absurdo! É óbvio que nós podermos atingir nossos objetivos, sejam lá quais forem. Não importam o quão grandes sejam, nem o quão loucos possam parecer aos olhos de quem não ouve a música. (““E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos pelos que não podiam escutar a música.” Friedrich Nietzsche). Tudo é atingível dentro do bom-senso.  Mentalize tudo!

Após mentalizar, é preciso ação. Finalmente, depois de muita ação, a oportunidade virá e é preciso aproveitá-la. Há um momento em que é preciso segurar firme.

Segurei firme. Vou para Porto, alegre!

Escola Moinhos, em Porto Alegre

Digo com enorme alegria, vontade, entusiasmo e friozinho na barriga (afinal, faz parte), que escolhi agarrar uma grande oportunidade, fruto de convicta mentalização. Após um convite muito especial, aceitei negociar a aquisição da Unidade Moinhos de Vento do Método DeRose, tradicional instituição fundada pelo Professor Ricardo Mallet. Mallet está expandido o seu excepcional trabalho às empresas, e eu tive a honra de receber uma ligação de sua esposa, Fernanda Meixedo, e ser convidado para dar continuidade a esta linda história na Moinhos com mais um novo capítulo, no qual certamente escreverei as mais dedicadas páginas que já produzi em toda a minha vida.

Quero registrar aqui a minha gratidão a todos os meus amigos próximos e identificados com a cultura que semeio, pois são os amigos identificados, com brilho nos olhos e que percebem o valor do estilo de vida que me esforço para disseminar, que sempre me motivam a fazer mais e melhor. Estes são o colorido da minha paisagem e me injetam de alegria, confiança e perspectivas. O brilho nos olhos dos outros é a minha razão de existir. À egrégora de Chapecó, que ao longo destes 3 anos cultivei com enorme carinho, deixarei o “caminho de pão” até Porto Alegre para que venham até mim. Não para uma visita somente, mas para dar continuidade a uma história que pode ser ainda mais enriquecedora: viabilizarei a aproximação de todos que quiserem manter acesa a chama desta Cultura dentro de si. Um caminho-de-pão é perecível, e se o tempo for passando, a idéia de seguirmos juntos se esmaecerá como um sonho que ficou no passado, e que era muito bonito. Aos alunos de Chapecó, oferto o convite para que vão a Porto uma vez por mês, assim como eu costumava ir para Florianópolis para realizar minha formação profissional no Método DeRose.

Por tudo o que sou hoje, devo agradecer aos meus pais Fernanda e Eliseu, que aos poucos foram assimilando a idéia de que eles tem um filho que toma decisões diferentes, mas conscientes e saudáveis, e por isso mesmo me apóiam bastante. Agradeço a todos os meus amigos e familiares que guardo no coração. Minha família chapecoense, meus alunos, minha monitora Lisandra, professor Joris Marengo – presidente da Federação do Método DeRose de Santa Catarina, meu primeiro instrutor Marcelo Mendonça – diretor da unidade onde comecei em Pelotas, e minha companheira de vida Sarita Borges, a Sary, a qual me dará a honra de sua companhia e terá uma fascinante trajetória nesta “guinada existencial” que ambos realizaremos na capital gaúcha. Vamos para Porto, alegres!

Pela superlativa oportunidade e pelo nítido carinho, muito obrigado, Fernanda Meixedo, e muito obrigado, Mallet!

Desapego para viver feliz Janeiro 25, 2010 | 11:16 am

Leia este pequeno artigo compartilhado por Margareth Peres no Facebook:

Desapego es la palabra clave para vivir feliz en un mundo donde hay tanta confusión y tantos cambios. La persona desapegada siempre tiene una sonrisa en su cara, pues la vida no le pesa nada. Aún así, es capaz de dar mucho amor, pues no impone condiciones, sino que acepta al otro, tal como es. Sin embargo, no significa rechazo. Todo lo contrario: la persona que realmente es desapegada, estará lista para apreciar al otro, pues no se puede dejar influir. Será capaz de ver las verdaderas cualidades positivas que el otro guarda dentro de sí.

Cuando dependemos de algo o alguien lo que olvidamos es que no podemos poseer nada. Podemos cuidar, podemos usar, podemos disponer. Pero no podemos poseer. Como reza el dicho: cuando te vayas, no puedes llevártelo contigo. Y sin embargo, es la idea de posesión la que yace en la raíz de todos los miedos y conflictos. El miedo a la pérdida, el miedo a no poder conseguir lo que ya hemos decidido que es nuestro en nuestras mentes.

Agradeça-me por treinar o seu espanhol. É fácil de compreender, não?

É interessante traçar um paralelo ao universo de conhecimento da nossa filosofia. Há uma norma ética milenar do Yôga chamado aparigraha, que significa não-possessividade ou desapego e consta no Yôga Sútra de Pátañjali. Encerrarei o post com um preceito moderador que está no Código de Ética do Yôgin, elaborado pelo Comendador DeRose, inspirado no Yôga Sútra, que preconiza: a observância de aparigraha não deve induzir à displicência para com as propriedades confiadas à nossa guarda, nem à falta de zelo para com as pessoas que queremos bem.

Vinho, o álcool tradicional mantido pela sofisticação Agosto 8, 2009 | 08:08 am

Sobre a manutenção das tradições

Não importa se uma tradição é boa ou ruim, ou se é cruel ou inútil para a maioria da sociedade: ela será mantida e passada adiante se for conveniente para um grupo estratégico de pessoas. Em grande parte das vezes, as tradições favorecem econômica ou politicamente um grupo de engravatados e você nem sabe. Só se vê a parte do teatro, mas não se enxergam os bastidores. É assim que se mantêm as tradições das touradas na Espanha, do churrasco no Rio Grande do Sul, da farra do boi em Santa Catarina, do espancamento e mutilações dos muçulmanos para homenagear o neto do profeta Maomé… Já a tradição da saudação através de cuspe, presente na tribo Masai, bem… esta não deve ter dinheiro rolando por trás das cortinas, soa apenas inocente e melecada, e se perguntarmos aos tribais por que ela é mantida eles provavelmente não saberão responder.

Agora, existe uma outra tradição que não é muito inteligente, mas que recebe um colorido especial para causar uma boa imagem. Vamos a ela.

A boa imagem do vinho

Isso é sszuper (hic) refiñado..

Issso é sszzuper refiñaado.. (hic)

O vinho. Quase todos têm uma boa imagem do vinho, e como não ter? Só ouvimos falar bem dele, que faz bem para o coração, faz bem para frieira, bicho de pé e por aí vai. Há profissionais que recomendam uma ingestão frequente e todos conhecem pelo menos um vivente que beba uma taça diária. Algumas vezes, ao mencionar que o Yôga recomenda a abstinência alcoólica, sou interrogado: – “Mas, e o vinho? Ele não é bom?” Permita-me ser direto: não. Simplificando, vinho é a soma de uva espremida com fermentação alcoólica. Pegue todos os benefícios do vinho e todos os benefícios do sumo de uva e se espante: são iguais! Por que será? Eu respondo: isso ocorre porque a parte elogiável do vinho é exatamente as propriedades da uva. E só. Tire o álcool dessa bebida e você terá um resultado muito melhor: um belo e nutritivo suco, que é ainda mais saudável porque não possuirá o efeito negativo de redução da consciência e intoxicação proporcionadas pelo álcool. Ah, e o suco de uva não te dará dor de cabeça!

Veja a seguir um trecho de um artigo sobre os benefícios do vinho:

“Observou-se que a reatividade dos vasos sangüíneos melhorava nestes voluntários, tanto com o vinho como com o suco de uva. Os achados, sugerem que os flavanóides da casca da uva, encontrados tanto no vinho como no suco da uva, seriam os responsáveis por tais bebefícios.”
http://portaldocoracao.uol.com.br/nutricao.php?id=957

É tão complicado entender essa simplicidade? Não precisa ser PhD para perceber isso.

O vinho é tão bem visto porque fazem uma forte campanha para sua boa imagem cheia de pompa e sofisticação. Nos restaurantes, os garçons o servem com rituais repletos de majestade, utilizando parafernalhas vinícolas dignas da Realeza Britânica. Por outro lado, quando vão servir a preciosa água, em muitos estabelecimentos utilizam copos simplórios, banais, que parece até de requeijão! Esta sofisticação do vinho para enaltecer a imagem do líquido ocorre também no mundo cibernético. Entrei num famoso portal de comércio eletrônico e adivinhe o que havia na seção “presentes sofisticados“? Somente relógios, alguns itens aleatórios e toooodo o resto da página estava preenchido com acessórios referentes ao vinho. Está muito clara a ligação feita entre essa bebida e o requinte. E é assim que preservamos esta tradição. Além dos benefícios do suco de uva, não presta nada no vinho. Nada. Nada! Pois é. Nada.

Não há motivos para colocar o vinho num pedestal. Isso é lavagem cerebral. Lavagem promovida pelo requinte da indústria do ramo. Remova o álcool e aprecie o sagrado sumo da uva, manuseando-o com a mesma pompa e circunstância, e sorvendo-o numa linda taça de cristal.

Beber para se soltar

Há quem beba para se soltar, um pouco, muito, ou para soltar a franga de vez. É compreensível essa atitude dentro de uma cultura repressora como a nossa. Vivemos trancados em nós mesmos, segurando desejos e sentimentos constantemente. Algumas pessoas colocam em suas cabeças que precisam beber um pouco para conseguir conversar melhor. Ora, que enorme declaração de personalidade fraca! Comunicação social é o mínimo que todos nós deveríamos praticar, jamais precisando de uma bebida misturada com álcool para isso. Aliás, toda vez que alguém vem falar comigo com aquele hálito-espanta-tubarão do vinho ou cerveja, eu já desconverso e me abstenho da frustração desse contato: ou meu interlocutor não entenderá minhas palavras, ou esquecerá boa parte do que eu falar. Isso se eu não testemunhar outros sintomas do álcool, tais como falar bobagens, ser inconveniente, ser teimoso, xingar, ofender e envergonhar alguém em público, envergonhar-se em público, paquerar invadindo o espaço vital da vítima, tirar a roupa para fazer um humilhante strip-tease, cair no chão deixando muita coisa à mostra, vomitar, etc.

Muitos sabem que este meu posicionamento está aliado à minha profissão, que é ensinar o life style proposto pelo Método DeRose. E todos os nossos alunos da unidade Moinhos de Vento em Porto Alegre que praticam com identificação, conhecem e vivenciam a nossa filosofia comportamental desrepressora, soltam-se na balada sem precisar de substâncias para isso, sejam elas lícitas ou não. O praticante aprende a ser mais carinhoso e extrovertido em sã consciência. E isso é coerente, afinal, a expansão da consciência é uma meta que buscamos, e cada gota de álcool (sim, cada gota) é um pequeno passo rumo à inconsciência. Quem leva a Alta Performance orgânica, emocional e mental a sério, quer exatamente o oposto dessa redução da lucidez, evitando também qualquer substância nociva ao seu organismo e prejudicial ao bom funcionamento de seu cérebro. O praticante do Método DeRose sabe que o importante na vida é ser feliz, e põe isso em prática muito bem. Poucas pessoas sabem, contudo, que essa felicidade é viável sem ter que prejudicar o corpo e sem ter que ser um maria-vai-com-as-outras nas rodas de conversa com álcool.

Extroversão e carinho com consciência é uma felicidade viável

Extroversão e carinho sem uma gota de álcool é uma felicidade viável.

Além do mais, preciso confessar: nas festas de público diversificado em que compareço, geralmente acham que eu sou quem mais bebeu, e alguns não acreditam que eu esteja de cara limpa. Abaixo, um belo registro feito numa festa de aniversário da minha querida amiga Paula Moreira.

Contemplando a virtuosa dança estão meus amigos Francisco Lima, de tenista, e Pedro Largacha, de lutador de Kung-Fu.

Contemplando a virtuosa dança estão meus amigos Francisco Lima, de tenista, e Pedro, de lutador de Kung-Fu. A Paulinha está de princesa e eu de Rambo Serelepe. “Enche o copo de Guaraná, garçom!!!”

PS.: para os que precisam de um empurrãozinho religioso, fiquem tranquilos. Em nenhuma das traduções antigas e fiéis da Bíblia há indicações de que Jesus tomou vinho. Pelo contrário, o Filho apenas tomou tiyrosh (non-alcoholic grapejuice or sweet wine [1]). Durma com um barulho desses.. até a história dos santos são modificadas para sustentar uma tradição psicotrópica!

Sary Agosto 5, 2009 | 04:04 pm

Alma-gêmea é um conceito romântico e bonitinho, mas que não existe, na verdade. Ele faz parte dos contos de fada e das novelas que sempre terminam em casamento. Faz parte da fantasia social. Somos hoje 7 bilhões de personalidades transitando pelo mapa-mundi com grandes sonhos, pequenos hobbies e desejos carnais. O par perfeito é qualquer um que suprir pelo menos dois desses três itens. Se você conseguir combinar em tudo, melhor ainda! Você estaria amando a sua personalidade-gêmea, com certeza. Contudo, isso não garantiria felicidade, já que ela não é responsabilidade de nenhuma outra pessoa a não ser você mesmo – mas isso é assunto para um outro dia.

  • Pequenos hábitos: filmes, música, culinária, esportes, lar, estudos…
  • Grandes metas: investir na carreira, cuidar da comunidade, gerenciar organizações, ajudar crianças cegas no Tibet, etc.
  • Desejos carnais: trocar carinho, abraços, conversas aconchegantes, sair juntos, andar de mãos dadas, dar beijos, transar, etc. – achou que era só transar, não achou?

Não há alma-gêmea, mas há uma infinidade de possibilidades de relacionamentos afetivos maravilhosos. Há parceiros em potencial por todo lugar com os quais você pode se divertir ao compartilhar pequenos hobbies, ou grandes sonhos, sejam eles altruístas ou não, e ainda satisfazer desejos carnais. Tem casais que se unem apenas pelo apetite sexual, sem ter pequenos hábitos em comum e muito menos os grandes sonhos ou metas de vida. Duram pouco, de fato. Quando o pior acontece, se casam por pressão de família e sociedade e acabam por ter uma vida incompleta. Você já viu algum casal assim, pois eles não são nada raros.

Eu encontrei uma garota muito especial, com quem compartilho cada vez mais todos os itens possíveis de um relacionamento, e ainda venho desenvolvendo um outro fator importante que não mencionei anteriormente, que é o de compartilhar existência. Essa expressão é tão forte que merece o artigo especial que será lançado futuramente.

Sarita, a Sary, é essa amável e amada garota com quem compartilho minha vida, e que esteve de aniversário no último 1º de agosto. Parabéns a você, princesinha!*

No Canadá

Sary e seu sorriso contagiante no Canadá.

Te amo.

* Sara, do hebraico, significa A princesa. Sarita é o diminutivo de Sara, logo, significa princesinha. Lindo, não?

ps.: meu amigo Marco Carvalho lembrou-me do significado de Sara em sânscrito: essência! Uau….

Otimismo realista: taça meio cheia e pés no chão Junho 25, 2009 | 03:27 pm

Beba água mineral em taça de cristal.
(frase inspirada em história de DeRose)

Feliz porque o copo está meio cheio, mas de olho na jarra para encher mais.

Feliz porque a taça está meio cheia, mas de olho na jarra para encher mais.

Duvide quando alguém diz: “não estou sendo pessimista, só estou sendo realista“, pois isso será, em 99% das vezes, um mero pretexto que o interlocutor utilizará para justificar suas palavras promotoras de desânimo. Toda vez que alguém se posiciona em relação a um fato está tendendo ou ao otimismo ou ao pessimismo. Ser realista seria comportar-se tal e qual o ideal romântico de um jornalista profissional: imparcialmente, contentando-se em descrever os fatos sem provocar um pio de parcialidade, não podendo sequer utilizar os subterfúgios de insinuação que só a artística sutileza da língua portuguesa permite.

O otimismo, embora seja muito querido, possui uma falha: falta o pé no chão. Vejamos como funciona:

Pessimismo – “A taça está meio vazia” – toma uma posição e só vê um lado. Só um olho aberto.
Otimismo – “A taça está meio cheia” – toma uma posição e também só vê um lado. Só um olho aberto.
Realismo – “A taça está meio vazia e meia cheia” – não toma posição, olha aos dois lados: é o fato em si. Olhos abertos.

Nesse ponto, tanto o otimista quando o pessimista ignoram o outro lado da história. A melhor atitude, então, é o otimismo realista: embora você saiba que a taça está meio vazia, fica contente porque está meio cheia. Vive feliz e de olhos abertos.

Comportando-se desta forma, você cultivará uma das dez normas éticas do Yôga: santôsha, o contentamento.

O yôgin deve cultivar a arte de extrair contentamento de todas as situações. O contentamento e sua antítese, o descontentamento, são independentes das circunstâncias geradoras. Surgem, crescem e cingem o indivíduo apenas devido à existência do gérmen desses sentimentos no âmago da personalidade. Preceito moderador: A observância de santôsha não deve induzir à acomodação daqueles que usam o pretexto do contentamento para não se aperfeiçoar.

Este foi um trecho sobre santôsha extraído do Código de Ética do Yôga (Yamas e Niyamas), elaborado pelo Mestre DeRose baseado no Yôga Sútra de Pátañjali. São dez as normas éticas milenares do Yôga. Seguí-las não é um ato de obediência, pois não são leis: é um ato de sabedoria, pois são dispositivos que conferem poder sobre si próprio. Falarei mais sobre elas num próximo post.


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