
Fac nos, Domine, instrumenta pacis tuae.
Agora, começarei falando sobre aborto inspirado no crítico social George Carlin: esses conservadores são mesmo umas aves raras. Fariam tudo por um feto, defendem ferrenhamente a vida de um pré-humano mesmo que seja filho de um ato de violência sexual forçada e criminosa, mesmo que seja acéfalo, mesmo que tenha quaisquer problemas, mas depois que o bebê nasce, não querem saber de mais nada: você que se vire pagando os gastos astronômicos da criança. Sabe o que esses caras são? Anti-mulheres, patriarcais e machistas, é isso o que eles são. Para esses conservadores religiosos, o papel principal da mulher é ser uma parideira para a sociedade. Eles defendem que a vida é sagrada, mas, quem disse isso? Deus? Não pode ser! Se você lê história sabe que as mais brutais e sangrentas guerras foram baseadas na intolerância religiosa. Aí você vê o quanto estes caras levam a sério essa história de “vida sagrada”.
Por mais que a vida fosse realmente sagrada, nós não praticamos isso. O humorista George Carlin, lembra todos que matamos mosquitos e moscas “porque são pestes“; leões e búfalos “porque é divertido“; bois e porcos “porque temos fome“! Lagartos, ostras, caranguejos não tem nada de sagrado no ponto de vista desses religiosos. Então parece que essa história de vida sagrada é algo meio seletivo… nós escolhemos os tipos de vida que consideramos sagradas para nossas conveniências e matamos todo o resto. Belo negócio! Sabe como isso aconteceu? Aconteceu porque nós inventamos essa bobagem toda! Mas passamos a autoria para Deus, claro. Dá mais credibilidade.
Não sou pró-aborto. Sou pró-liberdade; a liberdade de escolha deve ser respeitada. Todos têm o direito de fazer o que quiserem, enquanto não prejudique ninguém. Machucar o feto? Não, dependendo do momento em que o aborto for realizado. Deve ser feito enquanto o feto ainda não começou a ser chamado de tal forma, sendo ainda um embrião, e assim é até o início do terceiro mês de gestação.
Mas a igreja mais uma vez quer meter o fucinho na vida dos outros alegando que está exercendo a vontade de Deus – aquele homem invisível sentado em brancas nuvens, vigiando-nos o tempo todo. Já disseram certa vez que a religião precisa existir para colocar ordem nos indivíduos mais limitados intelectualmente. É verdade. Vemos que a tendência é que a parcela culta e inteligente da Humanidade seja avessa à seitas e religiões, e não precisam de Tábuas da Lei para sermos bons. O problema existe quando a igreja sai do seu quadrado e faz a cabeça das pessoas de tal forma que as supostas “Leis de Deus” viram lei. Lei mesmo, de constituição e polícia. Opa, daí me afeta, infelizmente.
Digo feliz e orgulhosamente que o presidente do meu país posicionou-se contrário à igreja toda vez que esta começou a mostrar suas garrinhas. Fez isso quando ela se posicionou contra as pesquisas sobre células-tronco e fez o mesmo depois, condenando o episódio do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, que excomungou a mãe de uma menina de nove anos após esta ter realizado um aborto de gêmeos, violentada pelo próprio padrasto. Feliz sou eu que tenho o Lula e não o George W. Bush como presidente. Bush é religioso de carteirinha, destes com o pensamento torto, contra o aborto, o homossexualismo e que também acha que a vida é sagrada. É? A vida é sagrada para ele? Fale isso na frente das vítimas sobreviventes do Iraque para ver o que elas pensam disso. Você vai levar uma bordoada de barril de petróleo na cabeça.
Falemos a verdade: o presidente errou o alvo, pois o bispo Cardoso não está errado, o bispo está certíssimo! Ele está apenas seguindo os dogmas de sua entidade. A entidade é que é equivocada, ultrapassada, medieval, mas sobrevive até hoje. As religiões só ainda estão aqui porque estão sendo amenas com as doutrinas fortes, permitindo que você seja um religioso-não-praticante. Se as instituições religiosas mostrassem a que vieram, teríamos de volta os enforcamentos em praça pública, teríamos as queimadas, as excomunhões constantes e várias outras barbáries desumanas. Tudo muito lógico e divino, é claro, na Era das Trevas.










A frase popular reza: “política, religião e futebol não se discutem!”. Você já perguntou-se por que disso? Porque a maioria (veja lá, hein, não vá vestir o capuz!) das pessoas que adota um partido político, religião ou time de futebol, defende sua escolha irracionalmente. Eu mesmo lembro de cenas minhas, quando era criança, andando com bandeiras de um partido político, gritando pelas ruas, fazendo festa, vaiando as bandeiras dos partidos adversários, como se o meu fosse o único que tinha valor – igualzinho no futebol, em que fazem o mesmo, e na religião, em que não há vaias, há coisa pior: guerras, inquisições e cruzadas. Eu não sabia quais eram os fundamentos daquele partido, quem eram seus principais representantes e quais os principais objetivos da instituição uma vez que ela estivesse no poder. Contudo, lá estava eu defendendo incondicionalmente aquela bandeira. Mas isso não acontece só com crianças: adultos fazem o mesmo e eu vejo a cena se repetir a cada eleição.


É impressionante o número de pessoas que acreditam que seu destino está traçado. Que absurdo! Se o nosso destino assim fosse, traçado, se já estivesse tudo “escrito nas estrelas”, então seríamos apenas marionetes vivendo uma vida já planejada – por aquela figura paterna invisível no céu, muitos dizem. Para os religiosos que repetem tal incoerência, uma pergunta: e o livre arbítrio? Se somos dotados da capacidade de realizar escolhas próprias, então não há a possibilidade de o futuro já estar previsto. Considerar a existência de um destino planejado implica em não aceitar que as suas decisões fazem diferença, e ainda abre portas para o perigo: se tudo está planejado, então, pombas, porque prenderam aquele assassino, já que estava previsto que ele deveria matar a inocente moça? Ele não tinha saídas: estava escrito no destino, não foi por mal. Porque choram tanto as pitangas pelas mortes da queda do avião da Gol, se isso era para acontecer, pois “Deus sabe o que faz”?
