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Aborto e conservadorismo Novembro 9, 2009 | 08:08 am
Fac nos, Domine, instrumenta pacis tuae

Fac nos, Domine, instrumenta pacis tuae.

Agora, começarei falando sobre aborto inspirado no crítico social George Carlin: esses conservadores são mesmo umas aves raras. Fariam tudo por um feto, defendem ferrenhamente a vida de um pré-humano mesmo que seja filho de um ato de violência sexual forçada e criminosa, mesmo que seja acéfalo, mesmo que tenha quaisquer problemas, mas depois que o bebê nasce, não querem saber de mais nada: você que se vire pagando os gastos astronômicos da criança. Sabe o que esses caras são? Anti-mulheres, patriarcais e machistas, é isso o que eles são. Para esses conservadores religiosos, o papel principal da mulher é ser uma parideira para a sociedade. Eles defendem que a vida é sagrada, mas, quem disse isso? Deus? Não pode ser! Se você lê história sabe que as mais brutais e sangrentas guerras foram baseadas na intolerância religiosa. Aí você vê o quanto estes caras levam a sério essa história de “vida sagrada”.

Por mais que a vida fosse realmente sagrada, nós não praticamos isso. O humorista George Carlin, lembra todos que matamos mosquitos e moscas “porque são pestes“; leões e búfalos “porque é divertido“; bois e porcos “porque temos fome“! Lagartos, ostras, caranguejos não tem nada de sagrado no ponto de vista desses religiosos. Então parece que essa história de vida sagrada é algo meio seletivo… nós escolhemos os tipos de vida que consideramos sagradas para nossas conveniências e matamos todo o resto. Belo negócio! Sabe como isso aconteceu? Aconteceu porque nós inventamos essa bobagem toda! Mas passamos a autoria para Deus, claro. Dá mais credibilidade.

Não sou pró-aborto. Sou pró-liberdade; a liberdade de escolha deve ser respeitada. Todos têm o direito de fazer o que quiserem, enquanto não prejudique ninguém. Machucar o feto? Não, dependendo do momento em que o aborto for realizado. Deve ser feito enquanto o feto ainda não começou a ser chamado de tal forma, sendo ainda um embrião, e assim é até o início do terceiro mês de gestação.

Mas a igreja mais uma vez quer meter o fucinho na vida dos outros alegando que está exercendo a vontade de Deus – aquele homem invisível sentado em brancas nuvens, vigiando-nos o tempo todo. Já disseram certa vez que a religião precisa existir para colocar ordem nos indivíduos mais limitados intelectualmente. É verdade. Vemos que a tendência é que a parcela culta e inteligente da Humanidade seja avessa à seitas e religiões, e não precisam de Tábuas da Lei para sermos bons. O problema existe quando a igreja sai do seu quadrado e faz a cabeça das pessoas de tal forma que as supostas “Leis de Deus” viram lei. Lei mesmo, de constituição e polícia. Opa, daí me afeta, infelizmente.

Digo feliz e orgulhosamente que o presidente do meu país posicionou-se contrário à igreja toda vez que esta começou a mostrar suas garrinhas. Fez isso quando ela se posicionou contra as pesquisas sobre células-tronco e fez o mesmo depois, condenando o episódio do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, que excomungou a mãe de uma menina de nove anos após esta ter realizado um aborto de gêmeos, violentada pelo próprio padrasto. Feliz sou eu que tenho o Lula e não o George W. Bush como presidente. Bush é religioso de carteirinha, destes com o pensamento torto, contra o  aborto, o homossexualismo e que também acha que a vida é sagrada. É? A vida é sagrada para ele? Fale isso na frente das vítimas sobreviventes do Iraque para ver o que elas pensam disso. Você vai levar uma bordoada de barril de petróleo na cabeça.

Falemos a verdade: o presidente errou o alvo, pois o bispo Cardoso não está errado, o bispo está certíssimo! Ele está apenas seguindo os dogmas de sua entidade. A entidade é que é equivocada, ultrapassada, medieval, mas sobrevive até hoje. As religiões só ainda estão aqui porque estão sendo amenas com as doutrinas fortes, permitindo que você seja um religioso-não-praticante. Se as instituições religiosas mostrassem a que vieram, teríamos de volta os enforcamentos em praça pública, teríamos as queimadas, as excomunhões constantes e várias outras barbáries desumanas. Tudo muito lógico e divino, é claro, na Era das Trevas.

Quem somos nós? (What the bleep do we know?) Maio 27, 2009 | 08:05 pm

Quem somos nós? foi o filme do nosso último Yôgacine, na casa da nossa querida colega Ozana. Se eu tiver que destacar um ponto ruim desse documentário, eu diria que é a abordagem excessiva do termo “espiritualidade”. Há inclusive um cientista (David Albert) que ficou indignado com o documentário, pois sua entrevista reiterou a não-relação entre física quântica e espiritualidade, enquanto a edição final de suas palavras insinuou o contrário. Depois, na segunda versão do filme que possui o subtítulo “Down the rabbit hole” (entrando na toca do coelho), o diretor ofereceu uma nova entrevista para esclarecer o posicionamento do professor Ph.D.

O radical espirit pode fazer o espectador começar a misturar com espiritualismo. Bem, caros amigos, é como diz o Mestre DeRose: “Não confunda espiritualismo com espiritualidade. A espiritualidade é um patrimônio do ser humano. O Yôga de qualquer modalidade, desde que autêntico, desenvolve a espiritualidade. Espiritualismo é a institucionalização da espiritualidade, ou o sistema que toma por centro o espírito em contraposição à matéria, baseando-se no conceito da dicotomia entre corpo e alma como coisas separadas e oponentes.” É importante reler este trecho para compreender bem estes conceitos e não misturá-los.

Há diversos links que podem ser feitos entre o filme em questão e a filosofia do Yôga, o que torna impraticável dialogar sobre todos eles em um só encontro de sábado à noite (após três deliciosas e saborosas pizzas gigantes vegetarianas). Um dos aprendizados mais importantes que temos para aplicar desde já no dia-a-dia é sobre os condicionamentos e o impacto das ações e reações em nossa rede neural. No Yôga, utilizamos os termos vásana (condicionamento) e sámskara (registro existencial) para abordar este assunto.  O filme ensina de forma clara como desenvolvemos a nossa personalidade baseada nos comportamentos anteriores, e como eles vão se consolidando e ganhando força. Alguém que se irrita uma vez, irritar-se-á outra vez mais adiante, e outra, e outra, chegando a tal ponto que o comportamento de irritação e descontrole emocional estará intrínseco à sua personalidade, amalgamando-se de tal forma que ficará difícil visualizar uma luz no fim do tunel daquela pessoa.

“O Homem faz escolhas, e as escolhas fazem o Homem.”
Ricardo Mallet

Ilustração da rede neural, onde registram-se os condicionamentos

Ilustração da rede neural, onde registram-se os condicionamentos

Encerro com o excelente texto de Joris Marengo, o bem conhecido Jojó, Presidente da Federação de Yôga do Estado de Santa Catarina:

O inconsciente é como um disco de vinil virgem.
Desde o nascimento são registrados, marcados na superfície lisa do disco, todas as experiências de dor e prazer.
Elas ficam ali, indefinidamente: totais, silenciosas, perenes e inconscientes. O Yôga denomina estes registros de samskáras.
O samskára, como sulcos de um vinil, obriga-nos a dançar sempre as mesmas músicas, ou seja, a repetir os atos condicionados, os vásanás.
Aquilo que denominamos de personalidade, individualidade são apenas atos condicionados mais sutis, mas ainda reações reflexas ao domínio silencioso do samskára.
- Existirá uma condição de liberdade, além dos samskáras e vásanás?
É este o estado não-condicionado que o yôgin aspira com toda a força do seu sádhana, dia após dia, samyama após samyama, sem concessões, até a liberação absoluta.

Joris Marengo

Ele ainda acrescenta no rodapé:

Samskára: as raízes profundas dos condicionamenos humanos, tendências subconscientes de caráter inato e hereditário.
Vásaná: odor, desejo, ignorância. Impressões subconscientes, tendências ou disposições que condicionam o homem.

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Cena que encerra o documentário

Blog do Jojó: www.yogafloripa.com/blogdojojo/

Blog do DeRose: www.uni-yoga.org/blogdoderose/

Twitter de Ricardo Mallet: twitter.com/ricardomallet

Futebol: uma paixão mantida no seu lugar Abril 3, 2009 | 02:44 am

politica-religiao-futebolA frase popular reza: “política, religião e futebol não se discutem!”. Você já perguntou-se por que disso? Porque a maioria (veja lá, hein, não vá vestir o capuz!) das pessoas que adota um partido político, religião ou time de futebol, defende sua escolha irracionalmente. Eu mesmo lembro de cenas minhas, quando era criança, andando com bandeiras de um partido político, gritando pelas ruas, fazendo festa, vaiando as bandeiras dos partidos adversários, como se o meu fosse o único que tinha valor – igualzinho no futebol, em que fazem o mesmo, e na religião, em que não há vaias, há coisa pior: guerras, inquisições e cruzadas. Eu não sabia quais eram os fundamentos daquele partido, quem eram seus principais representantes e quais os principais objetivos da instituição uma vez que ela estivesse no poder. Contudo, lá estava eu defendendo incondicionalmente aquela bandeira. Mas isso não acontece só com crianças: adultos fazem o mesmo e eu vejo a cena se repetir a cada eleição.

Essa atitude não faz sentido, faz? Para as pessoas comuns, pode até ser normal, mas, para pessoas sedentas pela expansão da lucidez, todas as escolhas devem ser conscientes, e não baseadas na irracionalidade – ou nas emoções, como preferir.

Sobre o futebol, escolhi conscientemente manter minha torcida. Contudo, devo ter cuidado: se eu disser que torço para o Sport Club Internacional, crio instantaneamente um rompimento energético com os gremistas próximos a mim. Não é verdade? E como sou um adepto da União, Integração (Yôga), evito mencionar e até mesmo cultivar em mim valores que acabam por me separar dos demais, como o orgulho gaúcho ou a religiosidade colorada. Que dá uma vontade às vezes de entrar no clima, dá, pois é tudo muito bonito dentro do clã. Porém, ao travar contato com o outro clã, cria-se aquela barreira mencionada anteriormente e, sinceramente, barreiras entre as pessoas não me servem. Por isso, torço com discrição, e me deixo exaltar apenas entre amigos que não vão interpretar nada mal.

Essa mesma barreira ocorre na política e, fortemente, na religião. Portanto, hoje sou apolítico, agnóstico, mas cheguei à conclusão de que não precisarei ser também afutebolístico. Não precisarei abandonar o esporte das massas para manter a harmonia do meu savoir vivre. Política e religião definem princípios e pontos de vista, mas o inocente futebol assemelha-se às escolhas mais triviais, como gostar de sorvete de manga ou de abacaxi. Claro que, entre colorados, não considero assim, mas essa é uma boa vacina para evitar o fanatismo, brigas e rompimentos energéticos quando há pessoas de outras linhas. E assim vou curtindo o futebol, o Inter, o Gauchão, a Copa do Brasil, o Brasileirão, a Sudamericana, a Libertadores, a Recopa e o Mundial Interclubes, com uma grande paixão quando estou entre os meus assemelhados, mas que é também uma paixão educada, que sabe muito bem qual o seu lugar no dia-a-dia: discretamente, ao lado do sorvete de limão.

O conhecimento leva à união.
A ignorância, à dispersão.

Rámakrishna

O Yôgacine foi ótimo! Filme: O Feitiço do Tempo (Groundhog Day) Março 25, 2009 | 12:55 am

No sábado passado, dia 21 de março, fizemos um Yôgacine na sala de práticas. O filme faz parte da série sobre karma, e o título em português é O Feitiço do Tempo - um dos prediletos do Mestre DeRose. Então só aí já se vê que não é pouca coisa…

Título original: Groundhog Day

Título original: Groundhog Day ("O dia da marmota")

A Universidade de Yôga divulga a seguinte sinopse + texto complementar:

Sinopse do filme – Trata-se de uma comédia de muito bom gosto e com um fundo filosófico. A personagem principal acorda todas as manhãs no mesmo dia e repete as mesmas coisas, os mesmos erros, dia após dia, até que, anos depois, aprende a lição e torna-se uma pessoa melhor. Só então, consegue libertar-se de sua prisão no tempo e passar ao dia seguinte.

Preleção feita pelo instrutor antes do início do filme – Não assista ao filme apenas como uma excelente comédia. Tenha sempre em mente que a maior parte dos filmes que exibimos tem alguma mensagem ou é útil de alguma maneira para a formação do caráter dos nossos futuros instrutores. Atente para o fato de que os dias, no filme, podem perfeitamente significar reencarnações (lembre-se de que não somos uma escola reencarnacionista, no entanto, podemos aprender muito com essa metáfora [esse negrito foi por minha conta]). Enquanto a personam não aprende a lição, volta e renasce no mesmo lugar e no mesmo dia. E como o pobre coitado sofre por ser rançoso…  Depois de muitas tentativas e erros, inúmeras experiências com câmbios de personalidade e de atitude, aprende a valorizar as coisas simples do dia-a-dia e a sentir carinho pelas pessoas. Aí, passa a ser feliz, todos o amam em retribuição e ele evolui para uma etapa seguinte.

Ou seja, o filme realmente é maravilhoso. E é preciso rever algumas vezes para sentir sua mensagem com mais profundidade.

Estávamos em 6 na sala, e foi um momento gostoso, não só porque o filme foi bom e porque éramos todos pessoas legais, mas sim por ser um programa diferente do encontro comum, que ocorre nas aulas regulares.

oi

Todos brindando com chai em copinhos térmicos! Da esquerda para a direita: Carla, que sempre diz que talvez não vá, mas sempre aparece - que bom!; eu; Eunice, que apareceu depois de um longo jejum de aulas, e espero que agora mantenha o ritmo; Jeferson, que tem marcado presença regularmente nos eventos extra-práticas; Sary, a pessoa com quem compartilho minha vida; e Sérgio, que também tem marcado presença regularmente nos eventos extra-práticas.

A surpresa é que tivemos chai, a deliciosa bebida indiana! Clique em cima da palavra chai para ler o post em que eu divulgo a receita que a Uni-Yôga orienta, a fim de fazer o chai mais fiel às raízes indianas.

A bebida é tão boa que o Sérgio não desperdiçava um minuto sem tomá-lo.

 

Cena recorrente durante o filme

Cena recorrente durante o filme

Valeu muito. Agradecimentos à Carla pelo registro das fotos com sua câmera. E que venha o próximo Yôgacine!!!

Karma aí! O meu destino a mim pertence! (Dois terços, pelo menos) Março 23, 2009 | 11:37 pm

Artigo inspirado no livro Karma e dharma. O subtópico “A parábola” é uma extração desse livro.

estrada_primavera_blogÉ impressionante o número de pessoas que acreditam que seu destino está traçado. Que absurdo! Se o nosso destino assim fosse, traçado, se já estivesse tudo “escrito nas estrelas”, então seríamos apenas marionetes vivendo uma vida já planejada – por aquela figura paterna invisível no céu, muitos dizem. Para os religiosos que repetem tal incoerência, uma pergunta: e o livre arbítrio? Se somos dotados da capacidade de realizar escolhas próprias, então não há a possibilidade de o futuro já estar previsto. Considerar a existência de um destino planejado implica em não aceitar que as suas decisões fazem diferença, e ainda abre portas para o perigo: se tudo está planejado, então, pombas,  porque prenderam aquele assassino, já que estava previsto que ele deveria matar a inocente moça? Ele não tinha saídas: estava escrito no destino, não foi por mal. Porque choram tanto as pitangas pelas mortes da queda do avião da Gol, se isso era para acontecer, pois “Deus sabe o que faz”?

Por que achamos que o destino é planejado

Todo esse disparate do destino foi criado e adotado por pessoas enfraquecidas nas emoções, que precisam constantemente justificar as tristezas que ocorrem em suas vidas através de crenças convenientes. Aliás, não é este o motivo de toda a crença, afinal? É muito mais confortante e fácil aceitar que você foi demitido, que seu casamento acabou, seu carro foi roubado, que sua casa foi inundada pela enchente e que um ente querido morreu muito cedo na vida porque tudo isso “era para acontecer”. Assim, você resigna-se no conforto de quem não tem alternativas e precisa aceitar as coisas como são. Eu me empenho em manter este agradável conforto emocional em todos, mas sem crença alguma.

Como o destino funciona

Você já ouviu o termo karma. Karma é a lei de ação e reação, a Lei Universal de causa e efeito e que não possui nenhuma relação com vidas passadas nem conotação mística. Karma é assim: se você cospe para cima, vai receber o cuspe de volta no olho. Ação e reação. Na tradição hindu, passa-se o conhecimento de que nós possuímos dois terços do controle sobre o nosso destino. Um terço está nas coisas que não podemos mudar. Oras, dois terços de controle sobre o destino é muita coisa, é mais da metade. Não precisa levar ao pé da letra: esta fração matemática serve para ilustrar que temos muito poder sobre nosso futuro, mas não completo. Para entender isso, imagine-se num cruzeiro em alto mar: você (micro) pode andar para o norte do navio, para o sul, leste ou oeste, mas o navio (macro) continuará rumo ao sul, pois isso está além das suas alternativas. A menos que você golpeie o capitão e assuma o comando do leme, mas pare com isso, não tente estragar o exemplo!!

Durante a nossa vida na Terra geramos trilhões de escolhas, ações e consequências que acabam por moldar o nosso futuro. Hoje quando eu for passear com minha cachorrinha, eu posso escolher conversar ou não com alguém que esteja por perto. Ao conversar com essa pessoa eu farei ela dedicar seu tempo a mim e ela irá para casa alguns minutos mais tarde, e esse pode ser o tempo exato para salvá-la de ser atropelada por um caminhão, ou para impedí-la de atender a um telefonema importante, ou etc-etc-etc. E daqui a 10 anos, as consequências das minhas decisões de hoje ainda estarão acontecendo. Coisas que você fez em 1992 ainda estão repercutindo hoje: zilhões de ações e consequências numa verdadeira cadeia de efeitos que se iniciam a cada nova ação. Essa teia de relacionamentos, ações e efeitos que você gera a cada instante, desde que nasce, é tão complexa e tão difícil de codificar num registro que muitas pessoas acabam por atribuir todo o destino a um Ser Superior que rege as cousas. Mas não precisamos disso. Paremos com os folclores.

A parábola

O destino é como as etapas das decisões do arqueiro

O destino é como as etapas das decisões do arqueiro

Existe uma parábola hindu que ilustra isso muito bem. O ser humano e o seu karma são como o arqueiro com suas flechas. Na primeira etapa, as flechas estão pousadas passivamente na aljava. Esse momento representa o karma passivo, com o qual você pode fazer o que bem entender. Na segunda etapa, o arqueiro saca uma das flechas, coloca-a no arco e tensiona-o. Ele pôs em estado de alerta uma energia potencial, mas ainda tem completo domínio, pois poderá conferir mais ou menos tensão ao arco, poderá atirar nesta ou naquela direção e, ainda, poderá desistir de lançar a flecha e guardá-la novamente no coldre. A terceira etapa, é quando o arqueiro solta a flecha. Aí não dá para voltar atrás, não é possível sair correndo para alcançar a flecha e fazê-la parar. Nesse caso, não há como impedir que toda uma sucessão de conseqüências se desencadeie. Somente sobre esta última forma de karma você não terá domínio.

Na verdade, o exemplo acima não pretende expressar uma precisão matemática de que tenhamos domínio sobre exatos dois terços do nosso karma. Trata-se de uma antiga comparação para nos proporcionar uma idéia de que temos domínio perfeito sobre a maior parte do nosso futuro.

Além disso, qualquer que seja o nosso karma, a liberdade que temos sobre as formas de cumpri-lo é bastante elástica. A sensação de restrição ou impedimento é muito mais decorrente dos próprios receios de mudar e da acomodação das pessoas, do que propriamente da lei de causa e efeito.

Quer ler sobre karma negativo e karma positivo e muito mais sobre o assunto? Faça o download do livro Karma e dharma – transforme sua vida, do Mestre DeRose, no site www.Uni-Yoga.org)


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