Blog de Alexandre Montagna Alexandre Montagna com o educador DeRose em setembro de 2010.
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Aborto e conservadorismo Outubro 8, 2010 | 12:48 am

Republicação do post de 9/11/2009

Fac nos, Domine, instrumenta pacis tuae

Fac nos, Domine, instrumenta pacis tuae.

Falarei sobre aborto inspirado no crítico social George Carlin: esses conservadores são mesmo umas aves raras. Fariam tudo por um feto, defendem ferrenhamente a vida de um pré-humano mesmo que seja filho de um ato de violência sexual forçada e criminosa, mesmo que seja acéfalo, mesmo que tenha quaisquer problemas, mas depois que o bebê nasce, não querem saber de mais nada: você que se vire pagando os gastos astronômicos da criança. Esses caras são anti-mulheres, patriarcais e machistas, é isso o que eles são. Para estes conservadores religiosos, o principal papel da mulher é ser uma parideira para o Estado. Eles defendem que a vida é sagrada, mas, quem disse isso? ..Deus? Não pode ser! Se você lê história sabe que as mais brutais e sangrentas guerras foram baseadas na intolerância religiosa. Aí você vê o quanto estes caras levam a sério essa história de “vida sagrada”.

Por mais que a vida fosse realmente sagrada, nós não praticamos isso. Carlin nos lembra: matamos mosquitos e moscas “porque são pestes“; leões e búfalos “porque é divertido“; bois e porcos “porque temos fome“! Lagartos, ostras, caranguejos não tem nada de sagrado no ponto de vista desses religiosos. Então parece que essa história de vida sagrada é algo meio seletivo… nós escolhemos os tipos de vida que consideramos sagradas para nossas conveniências e matamos todo o resto. Belo negócio! Sabe como isso aconteceu? Aconteceu porque nós inventamos essa bobagem toda! Mas passamos a autoria para Deus, claro. Dá mais credibilidade.

Não sou pró-aborto. Sou pró-liberdade; a liberdade de escolha deve ser respeitada. Todos têm o direito de fazer o que quiserem, enquanto não prejudique ninguém. Machucar o feto? Não, dependendo do momento em que o aborto for realizado. Deve ser feito enquanto o feto ainda é um embrião, e assim é até o início do terceiro mês de gestação.

Mas a igreja mais uma vez quer meter o fucinho na vida dos outros alegando que está exercendo a vontade de Deus – aquele homem invisível sentado em brancas nuvens, vigiando-nos o tempo todo. Já disseram certa vez que a religião precisa existir para colocar ordem nos indivíduos mais limitados intelectualmente. É verdade. Vemos que a tendência é que a parcela culta e inteligente da Humanidade seja avessa a seitas e religiões, e não precisam de Tábuas da Lei para agir bondosamente. O problema existe quando a igreja sai do seu quadrado e faz a cabeça das pessoas de tal forma que as supostas “Leis de Deus” viram leis humanas, de constituição e polícia. Opa, daí me afeta!

Digo feliz e orgulhosamente que o presidente do meu país, o Lula, posicionou-se contrário à igreja toda vez que esta começou a mostrar suas garrinhas. Fez isso quando ela se posicionou contra as pesquisas sobre células-tronco e fez o mesmo depois, condenando o episódio do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, que excomungou a mãe de uma menina de nove anos após esta ter realizado um aborto de gêmeos, violentada pelo próprio padrasto. Feliz sou eu que tenho o Lula e não o George W. Bush como presidente. Bush é religioso de carteirinha, destes com o pensamento torto, contra o  aborto, o homossexualismo e que também acha que a vida é sagrada. É? A vida é sagrada para ele? Fale isso na frente das vítimas sobreviventes do Iraque para ver o que elas pensam disso. Você vai levar uma bordoada de barril de petróleo na cabeça.

Falemos a verdade: o presidente errou o alvo, pois o bispo Cardoso não está errado, o bispo está certíssimo! Ele está apenas seguindo os dogmas de sua entidade. A entidade é que é ultrapassada, medieval, mas sobrevive. As religiões só ainda estão aqui porque amenizaram as doutrinas fortes, permitindo que você seja um religioso-não-praticante. Se as instituições religiosas mostrassem a que vieram, teríamos de volta os enforcamentos em praça pública, as queimadas, as excomunhões constantes e várias outras barbáries desumanas, bem como as mise-en-scènes espirituais. Tudo muito lógico e divino, é claro, na Era das Trevas.

Os progressos e regressos do Estado Agosto 17, 2009 | 03:47 am

lei-moral-biblia-politica-blog-alexandre-montagnaVocê já refletiu que horrível que é ter que obedecer a um conjunto de leis repressoras e sem sentido, supostamente desenvolvidas por um Ser Superior? A garantia de que essa doutrina realmente veio de uma Força onipresente e onipotente não há, isso é dogma de fé e não se deve questionar. Aliás, questionar a validade desse conjunto de leis constitui blasfêmia, sacrilégio e já heresia das fortes. A era em que o mundo presenciou a mais intensa aplicação desse tipo de regras sociais entrou para a História com o rótulo de Era das Trevas. Por que será?

As trevas, nas tradições culturais, na filosofia e na mitologia sempre estiveram associadas à ignorância. Sempre foram Trevas em oposição à Luz, que é o conhecimento. A-luno é “não-luz”, aquele que está nas trevas, na ignorância. Dito isso, percebemos que quanto mais longe estivermos do verdadeiro conhecimento, mais nas trevas – ou ignorância – estaremos. É com pesar que leio uma notícia na União Nacional dos Ateus, indicada pelo Alessandro Martins, que informa sobre a aceitação de um projeto de lei para ler-se diariamente a Bíblia no preâmbulo das sessões do plenário. Que triste. Enquanto batermos na tecla de Criacionismo, Deus e Bíblia, estaremos carregando, de arrasto, como uma mala pesada e sem alça, a Idade das Trevas. Perdoe-me a categoria de linguagem.

Na notícia divulgada, o pretexto utilizado para tal institucionalização da leitura bíblica foi que isso melhoraria os ânimos dos políticos. Mentira. Religião é uma excelente ferramenta política de manipulação e não é segredo que serve também, de bônus, para desvio de verbas e isenção de impostos. Assim sendo, começar a estipular como lei a leitura desse livro fictício, motivo de tantas guerras, escrito por autor desconhecido e de procedência duvidosa, é um primeiro passo rumo a trevas maiores, como a elaboração de regras sociais baseadas no que diz em suas páginas, bem como a implementação do “Design Inteligente” nas escolas, em pé de igualdade com o já consagrado, constatado, concluído e amplamente aceito Evolucionismo. Não vamos bagunçar mais as coisas, tampouco nos permitir este regresso. Ordem e progresso, Brasil!

“Que a Humanidade seja informada pela ciência,
inspirada pela arte
e motivada pela compaixão por todos os seres vivos”

(Frase de autor desconhecido que resume como deve ser a Constituição das sociedades)


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