Alexandre Montagna

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A Cultura do Poder, do Saber e do Sentir

Instrutor do Método DeRose
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Tributo a Caymmi Agosto 23, 2010 | 03:35 am

Para não dizer que nunca coloco músicas no blog: assista este trecho de um show antológico gravado em 18 de outubro de 1978 em Milão, na Itália.

Tributo a Caymmi

http://www.youtube.com/watch?v=Gm_9Zw_IzrA

Garota de Ipanema

http://www.youtube.com/watch?v=0FEj8HCsBUg

Comercial das Havaianas com a velhinha moderninha Outubro 10, 2009 | 09:13 pm

Os publicitários da marca Havaianas promoveram um vídeo muito interessante e bem-humorado recentemente, com o diálogo entre uma avó moderninha e sua charmosa neta. A velhinha trata do sexo sem tabus e minhocas mentais, mas adivinhe só o que acontece? Depois do anúncio ter sido veiculado, a empresa recebeu diversas críticas negativas de conservadores que não gostaram dessa maneira soltinha e desreprimida. Felizmente, as Havaianas realizaram um segundo anúncio em resposta, cujo posicionamento foi belo e elegante. Veja:

Previsão otimista

Falta poucas décadas para boa parte do mundo ocidental estar livre dos velhos conceitos equivocados a respeito de sexo e toda a ética humana. Religião será apenas a cósmica, mas sequer será chamada assim: terá outro nome, mais bonito e que não remeta a crenças. As que conhecemos hoje serão seitas em decadência, e a boa filosofia ganhará seu devido lugar no alto do pedestal. Aí, as Havaianas poderão retornar com seu comercial e todos poderão usufruir da genial criatividade dos publicitários sem medos, demos, preconceitos, tabus, culpa e pecado.

Yôga não é para todo mundo Setembro 24, 2009 | 03:52 pm

A caminhada do Yôga pode ser resumida na palavra evolução. Para evoluir é preciso mudar, melhorar, aprimorar hábitos e condicionamentos. Isso inclui refinar hábitos alimentares e comportamentais, bem como ampliar o espectro da sutileza em todos os planos da existência. Se me permite acrescentar mais um ponto, penso que tratar com muito respeito o espaço vital dos outros seres vivos sobre a Terra é uma das principais evoluções que a filosofia preconiza. Analisando dessa forma, vemos que o Yôga não é para todo mundo. Muitos não querem saber de mudar coisa alguma e evoluir é um verbo que não aparece em seus dicionários. Aliás, geralmente quem não tem preparo cultural para praticar Yôga sequer tem um dicionário em casa. Se você não tem, não vá ficar zangado por vestir esse capuz! Reprograme suas sinapses cerebrais e, ao invés de zangar-se, comporte-se como um bom praticante do Método DeRose e me agradeça pelo incentivo para adquirir um majestoso exemplar Houaiss. Chamar dicionário de “amansa-burro” não é com a gente. Que absurdo! Como diz minha mãe, burro é quem não quer saber; o inteligente é sedento por conhecimento e vai atrás. Logo, dicionário é “amansa-inteligente“.

Tenho profunda convicção de que todas as pessoas do mundo podem realizar esta evolução, mas algumas estão muito aquém do que se espera de uma pessoa digna e sensível, e seria necessário despender muito tempo e energia para ajudá-las a abrir os olhos. Espero que você não seja assim. Espero que a semente da sede pela expansão da consciência e lucidez desabroche com força em você. Que você cultive carinho pela mudança e pelo seu aprimoramento pessoal. E juntos caminhemos na direção na qual a Humanidade, aos trancos e barrancos, apenas engatinha.

Um texto meu no “Livre Pensar do Yôga” Agosto 6, 2009 | 12:08 pm
Imagem característica do portal

Shiva, o criador mitológico do Yôga, ilustra o portal.

Tenho a alegria e o prazer de ver minha primeira contribuição ao belo portal chamado Livre Pensar do Yôga, gerenciado pelo meu amigo Caio Melo e que compila textos de diversos instrutores e praticantes da Nossa Cultura.

Inicialmente, publicaria o texto aqui no blog, mas ao perceber a possibilidade de publicar lá no Livre Pensar, enviei meu texto, pois achei cabido e gentil compartilhar minhas ideias noutros sites que me permitam fazer isso. O artigo chama-se Método DeRose é uma Cultura, e você pode encontrá-lo neste link: LivrePensardoYoga.com. Acesse!

Frase para carregar no coração e pendurar na porta de casa Maio 14, 2009 | 05:46 pm

Este é um texto para todos que possuem apurado senso crítico e estão abertos
a conversar sobre qualquer, qualquer, qualquer coisa!

Que este post seja um convite à boa reflexão, e que lhe cultive um sorriso de sincera alegria.

Let the humanity be informed by science, inspired by art and motivated by compassion for all living beings. There is no God!

Em português: ”Deixe a humanidade ser informada pela ciência, inspirada pela arte e motivada pela compaixão por todos os seres vivos. Não há Deus!

Gosto muito dessa frase. Ela resume brilhantemente as diretrizes ideais para a humanidade. Vou debulhá-la:

1) Deixe a humanidade ser informada pela ciência [...]

Ciência é o conhecimento. Qual o oposto de ciência? Ora, o célebre oposto da ciência é a crença. O que não falta nesse mundão são pessoas com as crenças o mais aleatórias possível, cegas para visualizar as coisas como elas são. Aquilo em que se crê é o que não pode ser comprovado e torna-se uma “questão de fé”, como dizem. E por que fé é boa? Os mais alienados, os homens-bomba, os assassinos, racistas, machistas e homofóbicos desse planeta são aqueles que possuem fervorosa fé em suas crenças. A crença desune as pessoas. Vou repetir: a crença desune as pessoas. O conhecimento une. Há milhares de teorias sobre a criação do mundo, com trocentos mil deuses e histórias de contos de fadas, mas os cientistas do mundo inteiro estão unidos em uma irrefutável e avassaladora evidência: o Evolucionismo. O conhecimento, de fato, une as pessoas.

2) [...] inspirada pela arte [...]

“E que seja perdido o único dia em que não se dançou”. É assim que Nietzsche concluiu que a vida inspirada pela arte é muito mais bela e poderosa. A arte incita à beleza, à sutileza, à percepção sutil, às nuances de sensações. Quando percebemos que arte e beleza estão em todo lugar, o tempo todo, elas tornam-se sinônimos. A vida artística sugere o que é mais refinado, mais sofisticado, transcende a existência e conduz o humano a uma dança existencial, no tom da música que mais lhe agradar. A arte ama o corpo, ama a sensorialidade e é, por conceito e essência, desrepressora.

3) [...] e motivada pela compaixão por todos os seres vivos. [...]

Essa é uma frase-irmã da lei primeira, universal. Não são necessários livros e mais livros de conduta, pois todas as regras, leis e mandamentos são apenas desdobramentos comentados desta lei primeira: “Não faças ao outro o que não queres que te façam, esta é a Lei”. Se você não gosta que lhe contem mentiras, então não minta. Se você não gosta que lhe agridam, então não agrida. Não mate, não roube, não fale mal dos outros, pois tudo isso você não gostaria que fizessem com você. Vamos parar os exemplos aqui, pois isso vai longe na forma de várias mini-leis! Na frase mencionada, ao outro significa exatamente ao outro, lato sensu, e não ao outro “humano”, stricto sensu. Quando a criatura homo-sapiens convence-se de que ela não é o centro do universo, mas sim um ser irmão coexistencial de todos os outros seres, a compaixão deve se fazer presente soterrando todas as barreiras entre espécies. E nós estamos no topo evolutivo aqui na Terra, nós é que devemos liderar a existência harmoniosa da natureza, e não o contrário! Há uma história hindu que conta de uma passagem de Rámakrishna, um yôgi tântrico do século XX que, vendo que um escorpião estava prestes a morrer afogado, tratou de tentar pegá-lo para trazê-lo de volta à terra. Porém, o escorpião tentou fincar-lhe o ferrão nos dedos, e Rámakrishna soltou-o de volta à água. Instantes depois, Rámakrishna pegou o escorpião novamente, pois o sábio hindu queria impedir a morte daquele pequeno animal, e a cena voltou a se repetir. E depois, mais uma vez. Depois, novamente. E então seu discípulo que acompanhava e via a sequência desde o início, indagou seu Mestre, com a sua lucidez em processo de expansão e com sua sede de compreensão: “Mestre, por que o senhor não deixa este ser morrer afogado? Não vês que este escorpião não merece ser salvo?” E Rámakrisha responde, com a sapiência de um verdadeiro indivíduo humano: “Ele só está agindo de acordo com sua natureza, e eu só estou agindo de acordo com a minha.

4) [...] Não há Deus!

O conceito de Deus ganhou forças entre sociedades místicas, crentes, e fáceis de serem assustadas e manipuladas. Ganhou forças em épocas que não conseguíamos explicar o mundo e apelávamos ao sobrenatural. Na verdade, alguns líderes espertos inventavam histórias e nós acreditávamos, como cordatos cordeiros com fé. Achávamos que Deus havia criado o homem à sua imagem e semelhança quando, na verdade, ocorreu o exato oposto. Em nossa própria história ocidental, chamamos de Era das Trevas o período em que a sociedade foi tomada pela crença e abolia o conhecimento, mandando cientistas às fogueiras e às prisões, somente por terem ousado expôr o conhecimento e falar a verdade… foi uma verdadeira Idade das Trevas mesmo! Mais guerras já foram travadas em nome de Deus do que em nome de qualquer outra coisa. Ódio, castigo e punição são fenômenos típicos teístas: Deus castiga, Deus odeia bichas, Deus odeia negros, e – claro – Deus odeia todos aqueles que não estão na minha religião. Os índios que aqui viviam no Brasil eram felizes e serelepes, andavam e brincavam nus em grande contato com a natureza. Então a religião veio trazendo Deus: pecado, culpa e salvação, e conseguiram, afinal, vestir roupas nos índios, escondendo-lhes o corpo, levando-os às igrejas para serem salvos de seus pecados. Na Bíblia, aquele livro que me soa igual ao Corão, está escrito que ateus são tolos. Senti cheiro de insegurança aí. Completamente cheia de julgamentos e de reputação duvidosa, a Bíblia institui a fé para que ela seja válida (afinal é preciso ter muita fé para acreditar que um senhor de barbas brancas que vive em brancas nuvens foi a fonte de conteúdo para este livro). Repito a pergunta: por que fé é boa? Por que acreditar parece tão bom aos ouvidos de muitos de nós? Os mais alienados, os homens-bomba, os assassinos, racistas, machistas e homofóbicos desse planeta são aqueles que possuem fervorosa fé em suas crenças. 75% da população dos EUA é cristã, e 10% é ateísta. 75% da população carcerária dos EUA é cristã, e apenas 0.2% é ateísta. Você percebe a proporção? Traficantes carregam um grande crucifixo no peito. Criminosos e marginais picham os muros com “Jesus salva” após matarem um casal na esquina para lhes roubar as joias. Políticos erguem a Bíblia nas mãos para fazer a média com a parcela crente do eleitorado, e cometem as maiores barbáries governamentais. Fé é uma ferramenta de manipulação. Certa vez alguém disse, ao presenciar uma cena criminosa na TV: “isso é falta de Deus no coração”. Eu diria que é falta de amor no coração, falta de compaixão com todos os seres vivos do planeta, mas não falta de Deus. Aliás, dentre os maiores problemas que a humanidade passa, um deles é o excesso de Deus.

Dr. Drauzio Varella fala sobre ser ateu (recomendo que você assista)

Alguns ateus/agnósticos famosos

Sugestão de filmes e vídeos para assistir e se aprofundar nestes assuntos que já são profundos:

  • O Ponto de Mutação (Mindwalk);
  • Quem Somos Nós? – É hora de ficar esperto! (What the bleep do we know?), de William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente;
  • Zeitgeist – parte 1, de Peter Joseph;
  • Religulous, de Bill Maher;
  • Cosmos, de Carl Sagan;
  • O Poder do Mito, de Joseph Campbell;
  • Deus, o Universo e tudo o mais, com Stephen Hawking, Carl Sagan e Arthur C. Clarke;
  • Os inimigos da razão (The enemies of reason), de Richard Dawkins.

O que é terapia? Cultura não é! Patch Adams concorda. Abril 23, 2009 | 03:53 pm

Um dos vários assuntos de ontem após terminar a aula foi terapia. A Ju (..liana Werlang) expôs sua dúvida em relação a este aspecto e também ao fato de rechaçarmos a confusão entre Yôga e terapia, bem como a fusão de Yôga com outras filosofias correlatas. Há diversas linhas técnicas, filosofias, correntes, metodologias que devem ser respeitadas, e Yôga é uma delas: deve-se praticar Yôga e só, sem misturar com outras técnicas orientais – independentemente se são elas boas ou não. O pior é que algumas vezes você lerá na parte distorcida da imprensa que Yôga é terapia. Será que é mesmo? Com certeza não! Terapia é ótima, mas não tem nada a ver com Yôga: terapia ou tratamento é a investida para remediar um problema de saúde. Yôga é cultura, é filosofia de vida, é arte também!

No filme Patch Adams, estrelado por Robin Williams, conhecemos o médico que ficou famoso por defender uma medicina mais humana e que aparece como um sujeito que tenta curar os pacientes com o riso. Contudo, parece que ele próprio tem algumas ressalvas quanto a esta imagem. O Patch Adams da vida real foi entrevistado no programa Roda Viva em 2007, e nessa entrevista ele fala sobre o termo “terapia”: – “[...] quero corrigir a idéia de que rir seja uma terapia. Também nunca penso em música como terapia, nem em arte, nem em dança. Nunca precisam da palavra “terapia”, que é pequena para ajudar. A arte não precisa de ajuda da palavra “terapia”. É a cultura humana. Não fazemos terapia de cultura. Se estamos saudáveis, fazemos cultura.”

Precisa dizer algo mais? Faça Yôga antes que você precise. Não se faz Yôgaterapia. Se faz Yôga.


Se o vídeo não estiver mais disponível no YouTube, acesse
a entrevista diretamente no site do Roda Viva, com o vídeo.

Agradecimento ao Alessandro Martins, que mencionou esta entrevista originalmente em seu blog.


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