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Saramago escreve sobre o perdão a Darwin Novembro 24, 2009 | 06:08 pm

Há uma publicação feita no O Caderno de Saramago que é tão pequena que, apesar das valiosas dicas do meu amigo Alessandro Martins, que sugere não copiar artigos inteiros de outros blogs, não consigo me convencer a replicar aqui este, de Saramago, apenas em fragmentos. Espero que você aprecie o texto tanto quanto eu apreciei.

Perdão para Darwin?

Uma boa notícia, dirão os leitores ingénuos, supondo que, depois de tantos desenganos, ainda os haja por aí. A Igreja Anglicana, essa versão britânica de um catolicismo instituído, no tempo de Henrique VIII, como religião oficial do reino, anunciou uma importante decisão: pedir perdão a Charles Darwin, agora que se comemoram duzentos anos do seu nascimento, pelo mal com que o tratou após a publicação da Origem das Espécies e, sobretudo, depois da Descendência do Homem. Nada tenho contra os pedidos de perdão que ocorrem quase todos os dias por uma razão ou outra, a não ser pôr em dúvida a sua utilidade. Mesmo que Darwin estivesse vivo e disposto a mostrar-se benevolente, dizendo “Sim, perdoo”, a generosa palavra não poderia apagar um só insulto, uma só calúnia, um só desprezo dos muitos que lhe caíram em cima. O único que daqui tiraria benefício seria a Igreja Anglicana, que veria aumentado, sem despesas, o seu capital de boa consciência. Ainda assim, agradeça-se-lhe o arrependimento, mesmo tardio, que talvez estimule o papa Bento XVI, agora embarcado numa manobra diplomática em relação ao laicismo, a pedir perdão a Galileu Galilei e a Giordano Bruno, em particular a este, cristãmente torturado, com muita caridade, até à própria fogueira onde foi queimado.

Este pedido de perdão da Igreja Anglicana não vai agradar nada aos criacionistas norte-americanos. Fingirão indiferença, mas é evidente que se trata de uma contrariedade para os seus planos. Para aqueles republicanos que, como a sua candidata à vice-presidência, arvoram a bandeira dessa aberração pseudo-científica chamada criacionismo.

http://caderno.josesaramago.org/2008/09/17/perdao-para-darwin/

José Saramago

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Abaixo, um vídeo que saiu no Jornal Nacional citando Darwin:

Para que lado está a arca? Novembro 24, 2009 | 08:08 am

Apesar de as primeiras descobertas de dinossauros ocorrerem há mais de dois mil anos nas terras chinesas – o que culminou na cultura de dragões daquele país – nós só codificamos a primeira espécie no ano de 1824 da era cristã. Puxa, foi tarde demais! Talvez, se tivéssemos o conhecimento efetivo dos dinos alguns séculos antes, os homens que inventaram um deus à nossa imagem e semelhança teriam feito algo melhor e boa parte da nossa ignorância sobre o Universo não existiria.

Charles tinha 15 anos e deve ter ficado fascinadíssimo com a descoberta científica de 1824. Anos mais tarde, no embalo da expedição feita com o barco Beagle, tornou-se um grande naturalista britânico e um dos mais importantes cientistas da História, proporcionando Luz e afastando Trevas com seu livro A Origem das Espécies, que neste dia 24 de novembro completa 150 anos desde a primeira publicação. Valeu, Darwin!

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Os progressos e regressos do Estado Agosto 17, 2009 | 03:47 am

lei-moral-biblia-politica-blog-alexandre-montagnaVocê já refletiu que horrível que é ter que obedecer a um conjunto de leis repressoras e sem sentido, supostamente desenvolvidas por um Ser Superior? A garantia de que essa doutrina realmente veio de uma Força onipresente e onipotente não há, isso é dogma de fé e não se deve questionar. Aliás, questionar a validade desse conjunto de leis constitui blasfêmia, sacrilégio e já heresia das fortes. A era em que o mundo presenciou a mais intensa aplicação desse tipo de regras sociais entrou para a História com o rótulo de Era das Trevas. Por que será?

As trevas, nas tradições culturais, na filosofia e na mitologia sempre estiveram associadas à ignorância. Sempre foram Trevas em oposição à Luz, que é o conhecimento. A-luno é “não-luz”, aquele que está nas trevas, na ignorância. Dito isso, percebemos que quanto mais longe estivermos do verdadeiro conhecimento, mais nas trevas – ou ignorância – estaremos. É com pesar que leio uma notícia na União Nacional dos Ateus, indicada pelo Alessandro Martins, que informa sobre a aceitação de um projeto de lei para ler-se diariamente a Bíblia no preâmbulo das sessões do plenário. Que triste. Enquanto batermos na tecla de Criacionismo, Deus e Bíblia, estaremos carregando, de arrasto, como uma mala pesada e sem alça, a Idade das Trevas. Perdoe-me a categoria de linguagem.

Na notícia divulgada, o pretexto utilizado para tal institucionalização da leitura bíblica foi que isso melhoraria os ânimos dos políticos. Mentira. Religião é uma excelente ferramenta política de manipulação e não é segredo que serve também, de bônus, para desvio de verbas e isenção de impostos. Assim sendo, começar a estipular como lei a leitura desse livro fictício, motivo de tantas guerras, escrito por autor desconhecido e de procedência duvidosa, é um primeiro passo rumo a trevas maiores, como a elaboração de regras sociais baseadas no que diz em suas páginas, bem como a implementação do “Design Inteligente” nas escolas, em pé de igualdade com o já consagrado, constatado, concluído e amplamente aceito Evolucionismo. Não vamos bagunçar mais as coisas, tampouco nos permitir este regresso. Ordem e progresso, Brasil!

“Que a Humanidade seja informada pela ciência,
inspirada pela arte
e motivada pela compaixão por todos os seres vivos”

(Frase de autor desconhecido que resume como deve ser a Constituição das sociedades)

Duzentos anos de Darwin, quatro bilhões e meio de evolução Fevereiro 22, 2009 | 12:08 am

Dia 12 de fevereiro de 2009 completou 200 anos do nascimento de Charles Darwin, nosso estimado filósofo, pesquisador, cientista naturalista britânico. As revistas e os jornais sempre citam a palavra “polêmico”, pois sua teoria científica (e hoje considerada francamente óbvia) foi contra a doutrina religiosa e sua pregação sobre o surgimento do mundo. Mas no século XXI continuar mencionando que ele é polêmico contribui para o atraso da Humanidade. Ele não é polêmico: os humanóides crentes que polemizaram com ele. Permita-me dizer que interpretar o gênesis bíblico como história literal é um distúrbio que deve ser tratado com a mesma atenção àqueles que acreditam em outras fantasias, como o Papai Noel.

Dia 24 de novembro de 2009, completará 150 anos do lançamento de seu livro, que no português foi resumido ao título de A origem das Espécies.

 

O homem que consagrou-se ao expôr o mundo utilizando o verbo saber no lugar do verbo crer.

O homem que consagrou-se ao expor o mundo utilizando o verbo saber no lugar do verbo crer.

 

Eu tenho a minha teoria. É uma explicação sobre o motivo que leva as pessoas a demorarem a aceitar as ideias lúcidas geradas pelos ícones da filosofia e da ciência: identificação com a ignorância. Calma lá, não interprete mal esta palavra. Ignorante é aquele que ignora. Ignora o surgimento do mundo, ignora a mecânica da natureza, ignora seu passado e futuro e, principalmente, ignora o fato de existir pessoas e organizações que desejam manter a ignorância na cabeça do povo. Hoje em dia estes promotores das trevas conseguem fazer isso muito bem, deixando todo mundo correndo atrás da máquina, sem tempo para refletir sobre suas próprias vidas.

Por que o céu é azul? Por que o sol surge e desaparece? A Terra é plana ou redonda? Você e eu concordamos que estas perguntas já estão ultrapassadas. Mas, qual era a resposta para elas antigamente? Bem, o céu é azul porque Deus fez assim, ora bolas.. que perguntinha tola! O sol surge e desaparece porque ele gira em torno da Terra, fazendo o dia e a noite. Terra esta, aliás, que é plana, é claro. Errado, errado e errado. Vou desenvolver a segunda questão, que menciona o Sol girando ao redor da Terra, que é o superultrapassado geocentrismo. Sabe o que fez esta ideia dar tão certo? O fato de ela mencionar-nos como o centro do Mundo. Isso faz muito sentido no dogma religioso, pois Deus é o todo-poderoso, supremo, que manda prender e manda soltar, e, na crendice, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Uau! Para o manda-chuva do Cosmos ter criado seres à sua imagem e semelhança, esta turma de macaquinhos deve estar no centro do mundo, não é mesmo? E o Sol, obviamente, deve girar em torno destes primatas.

Estamos em 2009, já sabemos que somos poeira cósmica, que há bilhões e bilhões de planetas e galáxias como a Via-Láctea Universo afora, já desbravamos os céus e o homem invisível não apareceu, já descobrimos os ossos dos dinossauros e dos nossos antepassados homo-alguma-coisa. Vou reforçar: nós temos antepassados em comum com os primatas. Vou lembrar: nós somos parentes dos primatas (diga-se de passagem, humanos e macacos são quase idênticos!). E ainda assim chamamos Darwin de polêmico. Que triste.


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