Blog de Alexandre Montagna Alexandre Montagna com o educador DeRose em setembro de 2010.
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Solidão existencial Agosto 27, 2011 | 08:08 am

Pode estar rodeado de humanos, mas sente-se só.

Uma solidão existencial, me permitindo falar de coisa tão profunda, parece expressar que algo está incompleto ou inacabado, tal como fios soltos de um aparelho eletrônico. Esta ruptura em nossos fios é um pequeno detalhe nosso, de ausência notável. Os líderes religiosos aligeiram-se para manter a doutrinação e proclamam: “para unir os fios, é preciso a religião, é preciso reconectar-se com Ele“. Esta afirmação poderia ser verdade se o Elemento em questão não fosse uma personificação masculina do imponderável, um sujet mago e vago, que só existe por dogma de fé e nós já vimos que é ótimo para manipulação de rebanhos. Logo, a afirmação é inválida.

A solidão existencial está a chamar para algo superior, sim, mas que está além do intelecto, e não aquém dele.

Tenha discernimento para encarar a sua evolução pessoal sem acomodar-se nas palavras que lhe oferecerão para conforto emocional. Quanto maior a desestrutura nas emoções, maior também será a probabilidade das correntes espiritualistas conquistarem uma nova ovelha: você. Livre-se das crenças na busca pelo autoconhecimento, pois estas acabam muito mais mascarando a Natureza e distorcendo a trilha do que ajudando ir adiante. Os fracos tremem e desistem quando confrontam-se com suas próprias fraquezas, e fogem para as respostas amenas das crenças, que afagam as emoções enquanto afogam a inteligência.

Confira a tirinha presente no post Buraco no meio do peito, no blog do João Eduardo.

Concurso Miss Universo é pura marmelada! Junho 9, 2010 | 08:08 am

Não é diplomaticamente correto denominar Miss Universo uma mulher que não competiu com as beldades dos outros planetas! Esse concurso é geocêntrico. Cadê as gatinhas de Vênus, hein?

Devemos trocar o nome para “Concurso Miss Terra“.

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Ilustração inspirada na brincadeira compartilhada pelo @claushaas.

Para onde vamos depois que morremos? Maio 1, 2010 | 08:08 pm

Sensato é considerar que morrer é ir a todo lugar. E, ao mesmo tempo, a lugar algum.

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Que tal este estilo retrô de crença pós-mortis?

Desconverse quando alguém começar a falar nas vidas após a morte, reencarnação, reencadernação, etc. Os que consideram vidas vindouras são crentes, porque acreditam. Os que preferem saber são agnósticos quanto a isso. Vida após a morte é fitfty-fifty (“cinquenta-cinquenta”), ou seja, pode haver como pode não haver. Comprovar por via racional, em tese, não há como. Não há indícios de que exista tal façanha, e os registros mediúnicos de pessoas mortas que paranormais alegam ter feito e que vez ou outra escutamos falar podem perfeitamente serem compreendidos à luz da esperta linguagem genérica, que é a arte de falar muito sem dizer nada, parecendo que se disse tudo.

Por outro lado…

“Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!”
Miguel de Cervantes

“Hay, sí, pero no son brujas.”
Alexandre Montagna

Quando o pensador não-religioso e não-crente pensa, ele prefere levantar hipóteses sem apegar-se a elas freneticamente. Levantemos uma questão: quando morremos, para onde vão os nossos registros emocionais e mentais, como as nossas memórias? Para um materialista-seco tudo se acaba e ponto final. Está bem, vá lá. Pode ser isso mesmo. Entretanto, levantemos uma hipótese (hipóteses podem ser levantadas, não?): e se, ao morrermos, os traços de nossa personalidade ainda vagassem pela atmosfera? Ora, se você acha muito estranho o que estou falando, vale lembrar que neste exato momento há diversas ondas hertzianas viajando ao seu redor. São ondas de rádio-frequência que estão há muito tempo no ar, foram disparadas e seguem seu tráfego. (Um pouco de cultura geral profunda: cientistas declaram que boa parte da interferência nos sinais de televisão são ondas praticamente atemporais do Universo, radiação gerada desde o Big-Bang e que ainda estão por aí). Bem, e se nossos pensamentos fossem radioativos? Gerados e disparados no ar? E se pudéssemos desenvolver a capacidade de receptar os pensamentos em rádio-frequência que estão no ar? Bem isso seria a tão famosa telepatia. No mínimo, interessante. Mas, hei! E se o emissor dos pensamentos já estivesse morto? Aí então seria algo como a mediunidade, pois estaríamos escutando o que um morto disse*. Isso é, no mínimo, muito interessante!

* não diz mais, pois está morto – portanto, descartemos a possibilidade de conversa em tempo real com defuntos, coisas do tipo: “querida, eu morri mas estou bem, cuide das crianças” e etc.

Conclusão do cético-agnóstico-racional Montagna: duvide de tudo, mas não descarte nada. O mundo é louco o bastante para tudo ser possível. Aí alguém diz: – “Ué, Alexandre, mas se tudo é possível, então porque não acreditas nesta fantasia ou naquele delírio?”. Ora, é verdade que admito que tudo pode ser possível; ocorre que muita coisa é bastante improvável. Além do mais, eu não gosto de acreditar: prefiro saber! Se eu não souber, não preencherei minhas lacunas mentais com crenças. Isso, jamais! Aprofundando um pouco (e agora vem a parte mais metafísica do texto), eu defendo que não adianta dizer que isso ou aquilo é impossível porque, em pontos profundos, as nossas próprias vidas já são impossíveis. Não há motivos aparentes para estarmos aqui. Você já tentou regressar na história da humanidade, planeta, sistema solar e Cosmos? É uma loucura das grandes! Admito que, numa análise imparcial, nossa existência é bastante improvável. Entretanto, cá estamos, e há todo um Cosmos, micro e macro, a desvendar.

Vamos desvendá-lo!

Nota de rodapé: este post está na categoria Sámkhya: o Saber. Sámkhya é uma filosofia indiana de linha naturalista, que atribui causas naturais a todos os efeitos. Dess’arte, não há crença, misticismo, doutrinação, delírios. Trabalha-se o mapeamento e a enumeração do Cosmos através do verbo saber, e não do crer. É uma filosofia milenar que desnuda o Universo com muita propriedade: estudando o erudito Niríshwarasámkhya obtém-se grande percepção da realidade. Não é à toa que as escrituras indianas declaram “não há conhecimento como o Sámkhya” (Mahabhárata).

O Deus de Einstein e dos cientistas profundamente religiosos Abril 21, 2010 | 08:08 am
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Teísta ou ateísta? Teísta, perante um outro conceito de Theos

Certa vez, alguém disse: “os cientistas são os únicos profundamente religiosos”, e isso causou frisson devido ao maravilhoso argumento que então os religiosos passaram a possuir para unir ciência e religião. Mas será que é este o verdadeiro sentido da frase? O mais citado cientista que declaram ser religioso é Albert Einstein, tanto pelas margens que ele deu para essa interpretação como também devido à sua fama. Há outros que estão na lista, provável que injustamente, tais como Isaac Newton, Gauss, Kelvin e Jung – mas vou me concentrar no Albert, já que estou com seu livro Como vejo o mundo em minhas mãos. Vamos ver o que ele fala.

“[...] Sendo assim, que sentimentos e condicionamentos levaram os homens a pensamentos religiosos e os incitaram a crer, no sentido mais forte da palavra? Descubro logo que as raízes da idéia e da experiência religiosa se revelam múltiplas. No primitivo, por exemplo, o temor suscita representações religiosas para atenuar a angústia da fome, o medo das feras, das doenças e da morte. Neste momento da história da vida, a compreensão das relações causais mostra-se limitada e o espírito humano tem de inventar seres mais ou menos à sua imagem. Transfere para a vontade e o poder deles as experiências dolorosas e trágicas de seu destino. Acredita mesmo poder obter sentimentos propícios desses seres pela realização de ritos ou de sacrifícios. Porque a memória das gerações passadas lhe faz crer no poder propiciatório do rito para alcançar as boas graças de seres que ele próprio criou.” (Trecho retirado do livro Como vejo o mundo (original Mein Weltbild), de Albert Einstein, página 19, editora Círculo do livro)

Nas páginas que se seguem, Einstein rejeita o conceito de um Deus antropomórfico, o que, convenhamos, deveria não ser surpresa para ninguém e deveria, também, ser o mínimo a se esperar de uma pessoa sensata.  Mais adiante, o autor cita Schopenhauer, Demócrito, Francisco de Assis e Spinoza. Quem ler com atenção, entenderá porque ele declara que os mais próximos da verdadeira religião são, realmente, os cientistas. Esqueça a religião da crença, Einstein está falando da religião cósmica. Isso tudo foi um belo jogo de cintura do cientista, que menciona religião e Deus e faz média com todo mundo, e só quem encara suas leituras entenderá que, considerando o Deus da religião, que recompensa e castiga, Einstein era categoricamente ateu; por outro lado, ele alegava crer sim em Deus, referindo-se ao Deus de Spinoza, de Schopenhauer, a Força Cósmica, a Emanação de Energia Universal, ou quem sabe a Massa Energética Indiferenciada (Mahat, em sânscrito). E foi isso o que eu quis dizer com jogo de cintura, afinal, por que Einstein haveria de chamar isso de Deus, palavra esta que está tão atrelada a conceitos antropomórficos, se não fosse para evitar causar um grande choque em seus admiradores e leitores teístas? Volto a convocar o nosso amigo Fernando Pessoa a participar deste post através de um de seus poemas naturalistas:

Se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e luar
Então acredito nele a toda hora.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar.

(Fernando Pessoa, ilustrando muito bem o pensamento naturalista)

Mitologia e verdade se misturam em mentes obtusas.

Mitologia e verdade se misturam em mentes obtusas.

“[...] Somente indivíduos particularmente ricos, comunidades particularmente sublimes se esforçam por ultrapassar esta experiência religiosa. Todos, no entanto, podem atingir a religião em um último grau, raramente acessível em sua pureza total. Dou a isto o nome de religiosidade cósmica e não posso falar dela com facilidade já que se trata de uma noção muito nova, à qual não corresponde conceito algum de um Deus antropomórfico.” (Trecho retirado do livro Como vejo o mundo (original Mein Weltbild), de Albert Einstein, página 20, editora Círculo do livro)

Textículo de Krauss Março 6, 2010 | 03:49 pm

Eis abaixo um pequeno texto de Lawrence Krauss:

Lawrence-Krauss-stardust-blog-Alexandre-Montagna
“Todos os átomos do seu corpo vieram de uma estrela que explodiu. E os átomos na sua mão esquerda provavelmente vieram de uma estrela diferente dos átomos de sua mão direita. É, realmente, a coisa mais poética que eu sei sobre física: você é completamente poeira das estrelas. Você não poderia estar aqui se as estrelas não tivessem explodido, porque os elementos – carbono, nitrogênio, oxigênio, ferro, todas as coisas que importam para a evolução e para a vida – não foram criadas no início dos tempos. Elas foram criadas nas fornadas nucleares das estrelas, e a única maneira para que elas tenham chegado no seu corpo é se aquelas estrelas foram gentis o suficiente para explodirem. Então, esqueça Jesus. As estrelas morreram para que você pudesse estar aqui hoje.”

Lawrence Krauss

Lawrence, 55 anos, é um físico estadunidense que ficou famoso ao sugerir que a chave para entender o surgimento do Universo é um tipo de matéria impossível de detectar da Terra, conhecida como matéria escura. Ele também se dedica a combater a aproximação entre ciência e religião e está em campanha contra o criacionismo, que contesta a teoria da evolução de Darwin (sim, em pleno século XXI ainda há criacionistas perambulando por aí). Sobre esse assunto, Krauss já manifestou sua preocupação até em uma carta aberta enviada ao papa em 2005.

Os créditos da fonte deste texto já estão apagados pelo tempo, talvez tenha sido compartilhado pelo @Alessandro_M, que tuíta muita coisa interessante, ou por um dos blogs agnósticos cujo feed RSS eu assino.

Conforto emocional sem crença Novembro 6, 2009 | 08:08 am

Da série A crença conduz à ignorância

As consequências do ato crer são negativamente infindáveis. Aceitar que uma figura chamada Yeshua (Jesus) tenha existido vá lá, mas acreditar que tenha nascido de mãe virgem, fez milagres, ressuscitou e ascendeu aos céus… o que você acharia de uma cabeça que crê nisso? Não peço a julgar pessoas, devo advertir, mas peço, sim, que se compartilhe a percepção dessa situação. Somos tão racionais a respeito de todo o resto, tacharíamos de louco se alguém acreditasse em duendes ou gnomos, mas relevamos as alucinações das religiões institucionalizadas tradicionais.

De tempos em tempos, aprofundo-me um pouco mais na questão da crença. Ela parece assolar o planeta. Tanto é que a maioria das pessoas não consegue abandonar o ato de crer instantâneamente, e passamos por uma fase em que há a crença em um Senhor onipotente e onisciente, mas sem igreja. Seria isso o significado da frase ”tenho um lado espiritual independente de religiões“? Talvez, pois é uma frase que dá margem a algumas interpretações. Em partes, vejo essa expressão como uma ponte ao agnosticismo, funcionando como uma transição saudável e gradual para não causar rupturas muito grandes com nossos laços medievais – afinal, nossa criação geral bane conceitos como ateísmo e agnosticismo, e há um receio em declarar que somos ateus ou agnósticos aos quatro ventos. Mas voltemos à crença: a crença faz o impossível e improvável se tornar verdadeiro na cabeça do crente, que acredita apenas porque sua fantasia lhe é conveniente. Triste é a mente que precisa recorrer às ilusões para conquistar conforto emocional. Jamais moveria um dedo para tirar tal conforto de qualquer criatura desse mundo, mas vivo e trabalho para que tamanha felicidade seja conquistada por mim e por toda a Humanidade, sem necessitar do véu de misticismo e crendice que mascara a Natureza e esconde a nossa real existência. Larguemos a crença e sejamos felizes. Assim seja.

George Carlin em “Salve o planeta” Agosto 22, 2009 | 01:08 am
George Carlin

George Carlin

Foi através da rotina “Save the planet” que eu comecei a apreciar George Carlin. Comediante falecido em 2008, ele tem uma trajetória excepcional no humor. Gosto muito dele por ele ser, na verdade, um belo crítico social que utiliza a comédia como ferramenta. Essa linha profissional não é exclusividade do George, mas ele é excepcional no que faz.

Tudo o que eu pensava sobre o planeta coincidiu com o que Carlin mencionou no vídeo abaixo. Houve más interpretações sobre o que ele realmente quis dizer, mas, paciência! – é o preço que se paga por ou ser irônico demais ou deixar alguma lacuna na exposição de um argumento. Ele deixou lacunas na exposição de alguns argumentos, e isso fez com que pessoas mais limitadas entendessem que ele está se lixando para o planeta. Não é isso.

O planeta está muito bem! Sempre esteve, está e sempre estará. Quando as geleiras derretem, quando as indústrias de carne e frigoríficos poluem preciosos lençóis freáticos, quando são lançadas toneladas de dioxina na atmosfera e quando é feita muita sujeira, não é o planeta que é prejudicado: somos nós. Nós e as demais formas de vida senscientes terrestes, que sofrem muito pelos nossos atos e não tiveram nada a ver com isso.


Trecho do show de Carlin “Jammin’ in New York“, de 1992
http://www.youtube.com/watch?v=X_Di4Hh7rK0

Após ter assistido a todos os últimos 6 shows desse entertainer, vejo que muitas vezes ele aplica um tom ofensivo em suas falas, o que acaba por torná-lo um crítico censurado. Ah, se Carlin tivesse conhecido a Nossa Cultura, teria ele se tornado, quem sabe, mais contente e mais diplomático…

Encerro o post com um comentário de Arnaldo Jabor no Jornal da Globo em fevereiro de 2007, totalmente em concordância com o posicionamento de Carlin:

A personificação do imponderável Agosto 19, 2009 | 08:08 am
Papai sumiu! Ou será que nunca esteve lá?

Da nossa necessidade de antropomorfização, fizemos nascer o Pai.

Nos finalmentes da Antiguidade Tardia e primordios da Idade Média, pairava no ar uma grande ignorância acerca de nós mesmos e do funcionamento do mundo – e ainda paira um bocado até hoje. Antigamente, por olharmos ao nosso redor e encontrarmos apenas seres menos evoluídos intelectualmente (sic), foi muito fácil criar uma estrutura conceitual de criação do Universo baseada em nós mesmos. Nós, humanos primatas, somos ensimesmados. Daí a Terra ser o centro de tudo, o Sol girar em torno de nós e, claro, sermos criados à imagem e semelhança de um suposto criador. Daí, também, nos considerarmos a coroação da criação, o ápice existencial, a nata do leite e o recheio da última bolachinha. Soma-se a isso a nossa cultura patriarcal e, pronto, aí está: Deus, a personificação masculina do imponderável. Masculina porque em cultura patriarcalista é sempre o homem aquele que governa, o delegado que manda prender e manda soltar. É o Deus, no lugar de a Deusa; é Pai Nosso, Meu Senhor, O Criador, etc. Pelo que me consta, inicialmente era a Deusa-mãe, o que faz muito sentido, pois é a mulher quem gera um outro ser à sua imagem e semelhança, mas registra-se que foram os hebreus que converteram o sexo, e a Deusa virou Deus, e nunca mais se fez mulher novamente. Tipo Roberta Close, só que ao contrário. Não havendo espaço para dois sexos no Ser Absoluto, o gênero feminino surgiu no conceito de Mãe-Natureza – conceito esse que, analisando lucidamente, é o mesmo que Deus. Isso não muda muito as coisas. É tudo crença, afinal, e crença não se comprova, nem se refuta: se o indivíduo teimar que sua imaginação é real, não há argumentos convicentes que provem o contrário, “pois é uma questão de fé” – ele replicará. Ou invocará a metafísica. E assim se mantém o Pai Nosso que está no Céu até hoje. ATÉ HOJE!

Estamos ainda passando pelas transformações das descobertas do que realmente está lá fora, e isso está sendo bastante bom, pois já estamos bem mais prá frentex do que há alguns séculos. Contudo, alguns de nós ainda carregam velhos conceitos como a total inevitabilidade do destino que já está traçado, ou a ideia de um criador separado de nós que está lá em cima, ou ainda a necessidade da crença por si só em qualquer coisa. Ou seja, ainda temos uma carga grande de credo e de delirium misticum.

Contudo, nem todos os povos são ou foram crentes. Consta que, no segmento indiano da Proto-História, no seio da Civilização do Vale do Indo (harappiana), não havia religiões institucionalizadas. O povo da época, os drávidas, cultuava as forças da Natureza, mares, árvores, o luar e, principalmente, o sol. Isso é realmente espantoso se considerarmos que aqueles eram tempos profundamente religiosos noutras regiões do planeta, que construíram templos ou tumbas faraônicas e ostensivas motivadas por ideais místicos ou religiosos. Bem pelo contrário: para os drávidas, não havia um senhor de barbas brancas regendo o Cosmos, a sociedade era naturalista, não-espiritualista. Sorte de quem aprende e assimila esta cultura harappiana, e atribui um caráter completamente não-místico em sua percepção de mundo. Afinal, para que se importar com o mistério das cousas? Para mim, o único mistério é haver quem pense no mistério! (trecho de poesia de Fernando Pessoa). Que maneira bela de viver! Sem credo, catequese, doutrinação, fantasias, pecado ou temor ao sexo. Pelo que sei a respeito dos drávidas, alguns historiadores rotularam-los de ateístas, mas esse conceito é inexato, pois eles não negavam nada enquanto não havia nada para negar, já que só muitos séculos mais tarde é que o homem viria criar um Criador à sua imagem e semelhança. Portanto, o melhor termo para conceituar o posicionamento do povo drávida é agnosticismo, termo esse que está alheio às divinas comédias da crendice social. Assim sejamos todos.

Se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e luar
Então acredito nele a toda hora.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar.

(Fernando Pessoa, ilustrando muito bem o pensamento naturalista)


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