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Posts marcados com a tag ‘Charles Darwin’
A crença em Deus e o retrocesso estadunidense Março 7, 2010 | 10:08 am

Saiu hoje às 7h da manhã no G1: Inimigos de Darwin nos EUA agora atacam também o aquecimento global, no link http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1517447-5603,00.html.

Escreverei o post baseando-me no fato de que você leu o texto do link :)

Não é mais surpresa para mim perceber que os Estados Unidos estão infestados com maçãs estragadas. Maçãs estas que já vêm cheirando mal desde a simbólica árvore do Jardim do Éden, mencionada no livro de contos-de-fada chamado Bíblia. Estes frutos podres querem impregnar a educação e a ciência com seus sumos azedos da crença. Urge a necessidade de alguém limpar a árvore e quebrar esses galhos. Vale lembrar, claro, que isso não é tragédia exclusiva estadunidense. Também temos aqui nossas maçãs passadas. Entretanto, acredite, lá nos States a coisa demonstra estar bem pior.

A crença cria cegueira e ignorância mental. E não estamos falando da crença dos outros, e sim de toda e qualquer crença. Estas reações dos religiosos yankees são consequência natural por tomar como verdade fatos sem embasamento algum, como o “fato” de que um velho de barbas brancas criou o mundo e a Terra é o centro do Universo. Pode uma coisa dessas? Tanto pode como tem gente que crê nesse geocentrismo estapafúrdio remanescente da Idade Medieval (Era das Trevas.. Era da Ignorância) e quer obrigar mundo e meio a acreditar nisso também. É sempre assim.. “creia no que eu creio”. Aquele lance de “respeite a crença dos outros” só é dito pelas crenças menos expressivas. Quando a coisa ganha volume e poder, já passa a receber um tom de império e proliferação, com campanhas para converter ovelhas e queimar infiéis. Ninguém quer admitir o quão insensato é considerar que a Bíblia é a verdade suprema, mas o Corão não, ou o Torá, ou o Bhagavad Gítá, e etc. Cada religião elege a sua verdade. Sabe qual delas está correta? Chuta…

Enquanto houver crença, não haverá verdade alguma.

Para os não-religiosos, ateus, agnósticos, seculares ou simplesmente lúcidos (acabei de envolver aqui 99,9% dos cientistas, matemáticos, físico, filósofos de grande renome que transformaram o mundo), não há muita diferença entre um cristão comum e um homem-bomba muçulmano. Enquanto uns jogam bombas, outros tentam persuadir políticos a inserirem nos livros escolares a crença do criacionismo em nível de igualdade com o conhecimento da evolução das espécies. Há uma pequena diferença de grau, mas a farinha da ignorância está toda no mesmo saco crente. E para a parcela lúcida da humanidade, isso é mesmo um saco!

Aula de biologia com evolução das espécies e recombinação gênica Dezembro 14, 2009 | 08:08 am

Via Bule Voador.

Saramago escreve sobre o perdão a Darwin Novembro 24, 2009 | 06:08 pm

Há uma publicação feita no O Caderno de Saramago que é tão pequena que, apesar das valiosas dicas do meu amigo Alessandro Martins, que sugere não copiar artigos inteiros de outros blogs, não consigo me convencer a replicar aqui este, de Saramago, apenas em fragmentos. Espero que você aprecie o texto tanto quanto eu apreciei.

Perdão para Darwin?

Uma boa notícia, dirão os leitores ingénuos, supondo que, depois de tantos desenganos, ainda os haja por aí. A Igreja Anglicana, essa versão britânica de um catolicismo instituído, no tempo de Henrique VIII, como religião oficial do reino, anunciou uma importante decisão: pedir perdão a Charles Darwin, agora que se comemoram duzentos anos do seu nascimento, pelo mal com que o tratou após a publicação da Origem das Espécies e, sobretudo, depois da Descendência do Homem. Nada tenho contra os pedidos de perdão que ocorrem quase todos os dias por uma razão ou outra, a não ser pôr em dúvida a sua utilidade. Mesmo que Darwin estivesse vivo e disposto a mostrar-se benevolente, dizendo “Sim, perdoo”, a generosa palavra não poderia apagar um só insulto, uma só calúnia, um só desprezo dos muitos que lhe caíram em cima. O único que daqui tiraria benefício seria a Igreja Anglicana, que veria aumentado, sem despesas, o seu capital de boa consciência. Ainda assim, agradeça-se-lhe o arrependimento, mesmo tardio, que talvez estimule o papa Bento XVI, agora embarcado numa manobra diplomática em relação ao laicismo, a pedir perdão a Galileu Galilei e a Giordano Bruno, em particular a este, cristãmente torturado, com muita caridade, até à própria fogueira onde foi queimado.

Este pedido de perdão da Igreja Anglicana não vai agradar nada aos criacionistas norte-americanos. Fingirão indiferença, mas é evidente que se trata de uma contrariedade para os seus planos. Para aqueles republicanos que, como a sua candidata à vice-presidência, arvoram a bandeira dessa aberração pseudo-científica chamada criacionismo.

http://caderno.josesaramago.org/2008/09/17/perdao-para-darwin/

José Saramago

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Abaixo, um vídeo que saiu no Jornal Nacional citando Darwin:

Para que lado está a arca? Novembro 24, 2009 | 08:08 am

Apesar de as primeiras descobertas de dinossauros ocorrerem há mais de dois mil anos nas terras chinesas – o que culminou na cultura de dragões daquele país – nós só codificamos a primeira espécie no ano de 1824 da era cristã. Puxa, foi tarde demais! Talvez, se tivéssemos o conhecimento efetivo dos dinos alguns séculos antes, os homens que inventaram um deus à nossa imagem e semelhança teriam feito algo melhor e boa parte da nossa ignorância sobre o Universo não existiria.

Charles tinha 15 anos e deve ter ficado fascinadíssimo com a descoberta científica de 1824. Anos mais tarde, no embalo da expedição feita com o barco Beagle, tornou-se um grande naturalista britânico e um dos mais importantes cientistas da História, proporcionando Luz e afastando Trevas com seu livro A Origem das Espécies, que neste dia 24 de novembro completa 150 anos desde a primeira publicação. Valeu, Darwin!

which-way-to-the-ark-para-que-lado-esta-a-arca-dinossauros-blog-alexandre-montagna

Os progressos e regressos do Estado Agosto 17, 2009 | 03:47 am

lei-moral-biblia-politica-blog-alexandre-montagnaVocê já refletiu que horrível que é ter que obedecer a um conjunto de leis repressoras e sem sentido, supostamente desenvolvidas por um Ser Superior? A garantia de que essa doutrina realmente veio de uma Força onipresente e onipotente não há, isso é dogma de fé e não se deve questionar. Aliás, questionar a validade desse conjunto de leis constitui blasfêmia, sacrilégio e já heresia das fortes. A era em que o mundo presenciou a mais intensa aplicação desse tipo de regras sociais entrou para a História com o rótulo de Era das Trevas. Por que será?

As trevas, nas tradições culturais, na filosofia e na mitologia sempre estiveram associadas à ignorância. Sempre foram Trevas em oposição à Luz, que é o conhecimento. A-luno é “não-luz”, aquele que está nas trevas, na ignorância. Dito isso, percebemos que quanto mais longe estivermos do verdadeiro conhecimento, mais nas trevas – ou ignorância – estaremos. É com pesar que leio uma notícia na União Nacional dos Ateus, indicada pelo Alessandro Martins, que informa sobre a aceitação de um projeto de lei para ler-se diariamente a Bíblia no preâmbulo das sessões do plenário. Que triste. Enquanto batermos na tecla de Criacionismo, Deus e Bíblia, estaremos carregando, de arrasto, como uma mala pesada e sem alça, a Idade das Trevas. Perdoe-me a categoria de linguagem.

Na notícia divulgada, o pretexto utilizado para tal institucionalização da leitura bíblica foi que isso melhoraria os ânimos dos políticos. Mentira. Religião é uma excelente ferramenta política de manipulação e não é segredo que serve também, de bônus, para desvio de verbas e isenção de impostos. Assim sendo, começar a estipular como lei a leitura desse livro fictício, motivo de tantas guerras, escrito por autor desconhecido e de procedência duvidosa, é um primeiro passo rumo a trevas maiores, como a elaboração de regras sociais baseadas no que diz em suas páginas, bem como a implementação do “Design Inteligente” nas escolas, em pé de igualdade com o já consagrado, constatado, concluído e amplamente aceito Evolucionismo. Não vamos bagunçar mais as coisas, tampouco nos permitir este regresso. Ordem e progresso, Brasil!

“Que a Humanidade seja informada pela ciência,
inspirada pela arte
e motivada pela compaixão por todos os seres vivos”

(Frase de autor desconhecido que resume como deve ser a Constituição das sociedades)

A volta de Ida: encontramos o elo perdido? Maio 20, 2009 | 11:00 am

Ainda é muito cedo para lançar sólidas notícias… porém, já demonstro-me bastante empolgado com a leitura deste artigo divulgado no TED, que abaixo publico traduzido ao nosso bom português:

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Nesta última terça (19), no Museu Americano de História Natural, em New York, foi anunciada uma descoberta revolucionária – uma que permanecerá como um marco para paleontólogos e evolucionistas de todo o mundo. Cientistas da Universidade de Oslo descobriram “Ida”, também conhecida como Darwinius masillae, um fóssil de 47 milhões de anos que foi proclamado como o “elo perdido” na ligação entre a estrutura do esqueleto humano e os primeiros mamíferos.

Os cientistas encontraram Ida em Messel Pit, na Alemanha, e logo descobriram que ela é cerca de vinte vezes mais velha do que a maioria dos fósseis relacionados com a evolução humana. O que torna Ida tão especial é que, além de sua classificação como um precoce pró-símio (lêmures), ela tem certas características humanas inegáveis, como os olhos virados para a frente e até mesmo um polegar opositor.

Este é um dia emocionante de confirmação para os cientistas em todo o mundo. O apresentador e naturalista Sir David Attenborough disse: “Esta pequena criatura vai mostrar a nossa conexão com todo o resto dos mamíferos.”

Fique ligado no site oficial The Link para fotos, vídeos e mais informações sobre Ida e sobre a equipe de pesquisadores por trás dela.

ida-fossil-plate-darwin-evolucionismo-blog-alexandre-montagna

Será o elo perdido da nossa evolução? Será um alarme falso, que passou muito perto? Ou será apenas uma travessura de Deus para testar a nossa fé, como dizem alguns crentes?

Veja um trecho do artigo que saiu no Terra: “O formato do osso tálus dos humanos, que fica no calcanhar, é igual ao de Ida. Os polegares opositores e a presença de unhas em vez de garras também confirmam que ela era uma primata. A análise dos intestinos do fóssil mostrou que ela comia sementes e folhas.

Independentemente da importância deste esqueleto, a sua descoberta representa um importante passo na conquista do nosso mapa evolutivo.


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