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O Deus de Einstein e dos cientistas profundamente religiosos

Por Alexandre Montagna, Quarta-feira, 21 Abril 2010 | 08:08
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Teísta ou ateísta? Teísta, perante um outro conceito de Theos

Certa vez, alguém disse: “os cientistas são os únicos profundamente religiosos”, e isso causou frisson devido ao maravilhoso argumento que então os religiosos passaram a possuir para unir ciência e religião. Mas será que é este o verdadeiro sentido da frase? O mais citado cientista que declaram ser religioso é Albert Einstein, tanto pelas margens que ele deu para essa interpretação como também devido à sua fama. Há outros que estão na lista, provável que injustamente, tais como Isaac Newton, Gauss, Kelvin e Jung – mas vou me concentrar no Albert, já que estou com seu livro Como vejo o mundo em minhas mãos. Vamos ver o que ele fala.

“[...] Sendo assim, que sentimentos e condicionamentos levaram os homens a pensamentos religiosos e os incitaram a crer, no sentido mais forte da palavra? Descubro logo que as raízes da idéia e da experiência religiosa se revelam múltiplas. No primitivo, por exemplo, o temor suscita representações religiosas para atenuar a angústia da fome, o medo das feras, das doenças e da morte. Neste momento da história da vida, a compreensão das relações causais mostra-se limitada e o espírito humano tem de inventar seres mais ou menos à sua imagem. Transfere para a vontade e o poder deles as experiências dolorosas e trágicas de seu destino. Acredita mesmo poder obter sentimentos propícios desses seres pela realização de ritos ou de sacrifícios. Porque a memória das gerações passadas lhe faz crer no poder propiciatório do rito para alcançar as boas graças de seres que ele próprio criou.” (Trecho retirado do livro Como vejo o mundo (original Mein Weltbild), de Albert Einstein, página 19, editora Círculo do livro)

Nas páginas que se seguem, Einstein rejeita o conceito de um Deus antropomórfico, o que, convenhamos, deveria não ser surpresa para ninguém e deveria, também, ser o mínimo a se esperar de uma pessoa sensata.  Mais adiante, o autor cita Schopenhauer, Demócrito, Francisco de Assis e Spinoza. Quem ler com atenção, entenderá porque ele declara que os mais próximos da verdadeira religião são, realmente, os cientistas. Esqueça a religião da crença, Einstein está falando da religião cósmica. Isso tudo foi um belo jogo de cintura do cientista, que menciona religião e Deus e faz média com todo mundo, e só quem encara suas leituras entenderá que, considerando o Deus da religião, que recompensa e castiga, Einstein era categoricamente ateu; por outro lado, ele alegava crer sim em Deus, referindo-se ao Deus de Spinoza, de Schopenhauer, a Força Cósmica, a Emanação de Energia Universal, ou quem sabe a Massa Energética Indiferenciada (Mahat, em sânscrito). E foi isso o que eu quis dizer com jogo de cintura, afinal, por que Einstein haveria de chamar isso de Deus, palavra esta que está tão atrelada a conceitos antropomórficos, se não fosse para evitar causar um grande choque em seus admiradores e leitores teístas? Volto a convocar o nosso amigo Fernando Pessoa a participar deste post através de um de seus poemas naturalistas:

Se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e luar
Então acredito nele a toda hora.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar.

(Fernando Pessoa, ilustrando muito bem o pensamento naturalista)

Mitologia e verdade se misturam em mentes obtusas.

Mitologia e verdade se misturam em mentes obtusas.

“[...] Somente indivíduos particularmente ricos, comunidades particularmente sublimes se esforçam por ultrapassar esta experiência religiosa. Todos, no entanto, podem atingir a religião em um último grau, raramente acessível em sua pureza total. Dou a isto o nome de religiosidade cósmica e não posso falar dela com facilidade já que se trata de uma noção muito nova, à qual não corresponde conceito algum de um Deus antropomórfico.” (Trecho retirado do livro Como vejo o mundo (original Mein Weltbild), de Albert Einstein, página 20, editora Círculo do livro)

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8 respostas para “O Deus de Einstein e dos cientistas profundamente religiosos”

  1. Marcia Zanchi escreveu:

    Olá Alexandre, parabéns pelo blog. Aproveito a oportunidade para informar que estarei visitando a sua cidade no dia 19 de maio. Quero conhecer a sua unidade. E, seria uma alegria para mim contribuir de alguma forma para o fortalecimento da egrégora do Método DeRose em Chapecó. Se vc quiser organizar uma super prática comigo, entre em contato pelo skype marcia.zanchi ou pelo telefone da unidade aqui de Fortaleza (85) 3224-8054 para acertarmos os detalhes. Beijinhos e até breve.

    [Responder]

    Alexandre Montagna Reply:

    Uau!! Não tenho palavras para descrever a honra, Marcia! Seguramente, você é muito bem-vinda em nosso núcleo de Chapecó. Nesta segunda ligarei para você para conversarmos e acertarmos os detalhes. Um beijão!

    [Responder]

    Rômulo Justa Reply:

    Olha Alexandre, Marcia é minha instrutora e futura monitora, se eu fosse você, não declinaria desse convite, rsrsrs…

    Abração amigo!

    [Responder]

    Alexandre Montagna Reply:

    Certamente não, Rômulo. É uma honra poder contar com a presença catalisadora da Marcia aqui na cidade!
    Um forte abraço!

    [Responder]

  2. marina engler escreveu:

    Oi Alexandre,

    Muito bom seu texto!
    Compartilhei em meu blog, ok?

    Grande beijo,

    Marina Engler

    [Responder]

    Alexandre Montagna Reply:

    Obrigado, Marina. Pode compartilhar, claro. Ainda mais em seu site, que está lindo! Beijão!

    [Responder]

  3. Melize escreveu:

    Obrigada por esclarecer minha dúvida a respeito das crenças de Einsten. Sou cristã e apesar da forte repudia deste site a pessoas como eu, leio grande parte das postagens, em especial às que se referem à alimentação.
    Abraços.

    [Responder]

    Alexandre Montagna Reply:

    Olá, Melize. Muito obrigado pela sua participação e pela gentileza com que se expressou. Gostaria de esclarecer que não há rejeição às pessoas como você, que crêem; o que ocorre é que eu, de fato, recuso as crenças. Podemos comparar com a alimentação: eu repudio a alimentação com carnes de bichos mortos, mas não rejeito os que as comem, compreende? Mais uma vez, obrigado pelo carinho. Um abraço!

    [Responder]

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