Futebol: uma paixão mantida no seu lugar
Por Alexandre Montagna, Sexta-feira, 3 Abril 2009 | 02:44
A frase popular reza: “política, religião e futebol não se discutem!”. Você já perguntou-se por que disso? Porque a maioria (veja lá, hein, não vá vestir o capuz!) das pessoas que adota um partido político, religião ou time de futebol, defende sua escolha irracionalmente. Eu mesmo lembro de cenas minhas, quando era criança, andando com bandeiras de um partido político, gritando pelas ruas, fazendo festa, vaiando as bandeiras dos partidos adversários, como se o meu fosse o único que tinha valor – igualzinho no futebol, em que fazem o mesmo, e na religião, em que não há vaias, há coisa pior: guerras, inquisições e cruzadas. Eu não sabia quais eram os fundamentos daquele partido, quem eram seus principais representantes e quais os principais objetivos da instituição uma vez que ela estivesse no poder. Contudo, lá estava eu defendendo incondicionalmente aquela bandeira. Mas isso não acontece só com crianças: adultos fazem o mesmo e eu vejo a cena se repetir a cada eleição.
Essa atitude não faz sentido, faz? Para as pessoas comuns, pode até ser normal, mas, para pessoas sedentas pela expansão da lucidez, todas as escolhas devem ser conscientes, e não baseadas na irracionalidade – ou nas emoções, como preferir.
Sobre o futebol, escolhi conscientemente manter minha torcida. Contudo, devo ter cuidado: se eu disser que torço para o Sport Club Internacional, crio instantaneamente um rompimento energético com os gremistas próximos a mim. Não é verdade? E como sou um adepto da União, Integração (Yôga), evito mencionar e até mesmo cultivar em mim valores que acabam por me separar dos demais, como o orgulho gaúcho ou a religiosidade colorada. Que dá uma vontade às vezes de entrar no clima, dá, pois é tudo muito bonito dentro do clã. Porém, ao travar contato com o outro clã, cria-se aquela barreira mencionada anteriormente e, sinceramente, barreiras entre as pessoas não me servem. Por isso, torço com discrição, e me deixo exaltar apenas entre amigos que não vão interpretar nada mal.
Essa mesma barreira ocorre na política e, fortemente, na religião. Portanto, hoje sou apolítico, agnóstico, mas cheguei à conclusão de que não precisarei ser também afutebolístico. Não precisarei abandonar o esporte das massas para manter a harmonia do meu savoir vivre. Política e religião definem princípios e pontos de vista, mas o inocente futebol assemelha-se às escolhas mais triviais, como gostar de sorvete de manga ou de abacaxi. Claro que, entre colorados, não considero assim, mas essa é uma boa vacina para evitar o fanatismo, brigas e rompimentos energéticos quando há pessoas de outras linhas. E assim vou curtindo o futebol, o Inter, o Gauchão, a Copa do Brasil, o Brasileirão, a Sudamericana, a Libertadores, a Recopa e o Mundial Interclubes, com uma grande paixão quando estou entre os meus assemelhados, mas que é também uma paixão educada, que sabe muito bem qual o seu lugar no dia-a-dia: discretamente, ao lado do sorvete de limão.
O conhecimento leva à união.
A ignorância, à dispersão.
Rámakrishna








Abril 4th, 2009 às 1:41
Duas poucas coisas.
Minha resposta para tua pergunta “Não é verdade?”. Não, não há verdades. Como bem sabes o poder da egrégora é forte suficiente para protegê-lo de qualquer rompimento energético. A não ser que se busque justamente o choque, neste caso a união com gremistas. Impossível, até proves o contrário. A exacerbação da paixão, ou a discussão com quem não está de acordo é que criam as verdadeiras barreiras.
Cabe ao gauchismo o mesmo princípio, mas com uma simples troca de princípio: orgulho por satisfação.
Abraço.
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Montagna Reply:
Abril 4th, 2009 at 12:18
Não podias ter respondido melhor, meu amigo.
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