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Frase para carregar no coração e pendurar na porta de casa

Por Alexandre Montagna, Quinta-feira, 14 Maio 2009 | 17:46

Este é um texto para todos que possuem apurado senso crítico e estão abertos
a conversar sobre qualquer, qualquer, qualquer coisa!

Que este post seja um convite à boa reflexão, e que lhe cultive um sorriso de sincera alegria.

Let the humanity be informed by science, inspired by art and motivated by compassion for all living beings. There is no God!

Em português: ”Deixe a humanidade ser informada pela ciência, inspirada pela arte e motivada pela compaixão por todos os seres vivos. Não há Deus!

Gosto muito dessa frase. Ela resume brilhantemente as diretrizes ideais para a humanidade. Vou debulhá-la:

1) Deixe a humanidade ser informada pela ciência [...]

Ciência é o conhecimento. Qual o oposto de ciência? Ora, o célebre oposto da ciência é a crença. O que não falta nesse mundão são pessoas com as crenças o mais aleatórias possível, cegas para visualizar as coisas como elas são. Aquilo em que se crê é o que não pode ser comprovado e torna-se uma “questão de fé”, como dizem. E por que fé é boa? Os mais alienados, os homens-bomba, os assassinos, racistas, machistas e homofóbicos desse planeta são aqueles que possuem fervorosa fé em suas crenças. A crença desune as pessoas. Vou repetir: a crença desune as pessoas. O conhecimento une. Há milhares de teorias sobre a criação do mundo, com trocentos mil deuses e histórias de contos de fadas, mas os cientistas do mundo inteiro estão unidos em uma irrefutável e avassaladora evidência: o Evolucionismo. O conhecimento, de fato, une as pessoas.

2) [...] inspirada pela arte [...]

“E que seja perdido o único dia em que não se dançou”. É assim que Nietzsche concluiu que a vida inspirada pela arte é muito mais bela e poderosa. A arte incita à beleza, à sutileza, à percepção sutil, às nuances de sensações. Quando percebemos que arte e beleza estão em todo lugar, o tempo todo, elas tornam-se sinônimos. A vida artística sugere o que é mais refinado, mais sofisticado, transcende a existência e conduz o humano a uma dança existencial, no tom da música que mais lhe agradar. A arte ama o corpo, ama a sensorialidade e é, por conceito e essência, desrepressora.

3) [...] e motivada pela compaixão por todos os seres vivos. [...]

Essa é uma frase-irmã da lei primeira, universal. Não são necessários livros e mais livros de conduta, pois todas as regras, leis e mandamentos são apenas desdobramentos comentados desta lei primeira: “Não faças ao outro o que não queres que te façam, esta é a Lei”. Se você não gosta que lhe contem mentiras, então não minta. Se você não gosta que lhe agridam, então não agrida. Não mate, não roube, não fale mal dos outros, pois tudo isso você não gostaria que fizessem com você. Vamos parar os exemplos aqui, pois isso vai longe na forma de várias mini-leis! Na frase mencionada, ao outro significa exatamente ao outro, lato sensu, e não ao outro “humano”, stricto sensu. Quando a criatura homo-sapiens convence-se de que ela não é o centro do universo, mas sim um ser irmão coexistencial de todos os outros seres, a compaixão deve se fazer presente soterrando todas as barreiras entre espécies. E nós estamos no topo evolutivo aqui na Terra, nós é que devemos liderar a existência harmoniosa da natureza, e não o contrário! Há uma história hindu que conta de uma passagem de Rámakrishna, um yôgi tântrico do século XX que, vendo que um escorpião estava prestes a morrer afogado, tratou de tentar pegá-lo para trazê-lo de volta à terra. Porém, o escorpião tentou fincar-lhe o ferrão nos dedos, e Rámakrishna soltou-o de volta à água. Instantes depois, Rámakrishna pegou o escorpião novamente, pois o sábio hindu queria impedir a morte daquele pequeno animal, e a cena voltou a se repetir. E depois, mais uma vez. Depois, novamente. E então seu discípulo que acompanhava e via a sequência desde o início, indagou seu Mestre, com a sua lucidez em processo de expansão e com sua sede de compreensão: “Mestre, por que o senhor não deixa este ser morrer afogado? Não vês que este escorpião não merece ser salvo?” E Rámakrisha responde, com a sapiência de um verdadeiro indivíduo humano: “Ele só está agindo de acordo com sua natureza, e eu só estou agindo de acordo com a minha.

4) [...] Não há Deus!

O conceito de Deus ganhou forças entre sociedades místicas, crentes, e fáceis de serem assustadas e manipuladas. Ganhou forças em épocas que não conseguíamos explicar o mundo e apelávamos ao sobrenatural. Na verdade, alguns líderes espertos inventavam histórias e nós acreditávamos, como cordatos cordeiros com fé. Achávamos que Deus havia criado o homem à sua imagem e semelhança quando, na verdade, ocorreu o exato oposto. Em nossa própria história ocidental, chamamos de Era das Trevas o período em que a sociedade foi tomada pela crença e abolia o conhecimento, mandando cientistas às fogueiras e às prisões, somente por terem ousado expôr o conhecimento e falar a verdade… foi uma verdadeira Idade das Trevas mesmo! Mais guerras já foram travadas em nome de Deus do que em nome de qualquer outra coisa. Ódio, castigo e punição são fenômenos típicos teístas: Deus castiga, Deus odeia bichas, Deus odeia negros, e – claro – Deus odeia todos aqueles que não estão na minha religião. Os índios que aqui viviam no Brasil eram felizes e serelepes, andavam e brincavam nus em grande contato com a natureza. Então a religião veio trazendo Deus: pecado, culpa e salvação, e conseguiram, afinal, vestir roupas nos índios, escondendo-lhes o corpo, levando-os às igrejas para serem salvos de seus pecados. Na Bíblia, aquele livro que me soa igual ao Corão, está escrito que ateus são tolos. Senti cheiro de insegurança aí. Completamente cheia de julgamentos e de reputação duvidosa, a Bíblia institui a fé para que ela seja válida (afinal é preciso ter muita fé para acreditar que um senhor de barbas brancas que vive em brancas nuvens foi a fonte de conteúdo para este livro). Repito a pergunta: por que fé é boa? Por que acreditar parece tão bom aos ouvidos de muitos de nós? Os mais alienados, os homens-bomba, os assassinos, racistas, machistas e homofóbicos desse planeta são aqueles que possuem fervorosa fé em suas crenças. 75% da população dos EUA é cristã, e 10% é ateísta. 75% da população carcerária dos EUA é cristã, e apenas 0.2% é ateísta. Você percebe a proporção? Traficantes carregam um grande crucifixo no peito. Criminosos e marginais picham os muros com “Jesus salva” após matarem um casal na esquina para lhes roubar as joias. Políticos erguem a Bíblia nas mãos para fazer a média com a parcela crente do eleitorado, e cometem as maiores barbáries governamentais. Fé é uma ferramenta de manipulação. Certa vez alguém disse, ao presenciar uma cena criminosa na TV: “isso é falta de Deus no coração”. Eu diria que é falta de amor no coração, falta de compaixão com todos os seres vivos do planeta, mas não falta de Deus. Aliás, dentre os maiores problemas que a humanidade passa, um deles é o excesso de Deus.

Dr. Drauzio Varella fala sobre ser ateu (recomendo que você assista)

Alguns ateus/agnósticos famosos

Sugestão de filmes e vídeos para assistir e se aprofundar nestes assuntos que já são profundos:

  • O Ponto de Mutação (Mindwalk);
  • Quem Somos Nós? – É hora de ficar esperto! (What the bleep do we know?), de William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente;
  • Zeitgeist – parte 1, de Peter Joseph;
  • Religulous, de Bill Maher;
  • Cosmos, de Carl Sagan;
  • O Poder do Mito, de Joseph Campbell;
  • Deus, o Universo e tudo o mais, com Stephen Hawking, Carl Sagan e Arthur C. Clarke;
  • Os inimigos da razão (The enemies of reason), de Richard Dawkins.

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2 respostas para “Frase para carregar no coração e pendurar na porta de casa”

  1. Ozana escreveu:

    Brilhante comentário, realmente este é um assunto que me fascina.
    Faço porém uma ressalva, pra mim a frase correta é ”Deixe a humanidade ser informada pela ciência, inspirada pela arte e motivada pela compaixão por todos os seres vivos. Há Deus!“ E Deus está nisso. A ciência existe para provar o que Deus criou, cria e criará sempre. RESSALTO, NÃO O DEUS INSTITUCIONALIZADO PELA RELIGIÃO, NEM A FÉ INSTITUCIONALIZADA. Raciocinemos, a religião foi criada pelo homem como forma de explicar Deus, e é obvio e lógico (está aí a prova, inclusive no seu cometário) que não conseguiu. Não podemos nos deixar influenciar por isso tudo que está institucionalizado, isso remete apenas as limitações de mentes pouco iluminadas ou instruídas ou libertas, como queira.
    Concordo com tudo o que foi dito, menos dizer que pessoas como as mencionadas tinham fé e/ou Deus no coração, poderiam ter qualquer coisa, menos Fé e Deus em seus corações, caramba….Não posso crer que pessoas inteligentes sejam ateus, sem saber de fato que é Deus e o que é Fé, repito, esqueçam as institucionalizações. Evolucionismo é sinônimo de Deus, não de religião, ciência é sinônimo de Deus, não de religião, pensemos, refletimos um pouco e os desafio a pensar diferente. Vele a pena. Afinal de contas o mundo vive, pensa e age em função das institucionalizações, já é tempo de desintegrar esse ponto de vista e abrir nossa mente/consciência para uma concepção destituída de religião, talvez nem precisemos dela, mas com certeza precisamos de Deus e de Fé. Sei que muitos podem pensar, ah… isso é só um ponto de vista, talvez uma nova crença ou supertição, não, não e não…. as crenças, as supertições são sinônimos de ignorância, de desinformação, isso também precisa ser desmascarado, precisa acabar, porém, só acabará com informação, com conhecimento. PARA REFLETIR – DEUS, FÉ, ESPIRITUALIDADE ESTÃO ACIMA DAS RELIGIÕES, DAS SUPERTIÇÕES, CRENÇAS……………..É, de fato há muito mais coisas entre o céu e a terra do que ousa minha vã filosofia……..(Não lembro o autor da frase, mas que é verdade é…. BJS

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    Montagna Reply:

    Oi, Ozana! Fico feliz pelo teu comentário. Devo dizer que é quase impossível citar Deus sem gerar relação com o conceito religioso de um Deus pessoal, ou seja, de um Deus com figura humana – que é o mais difundido. Perante um censo, todo aquele que não acredita nesse Deus pessoal é ateísta, mesmo que negue essa categoria.

    Ao dizer que há um criador, afunilamos um conceito cósmico na figura de uma existência, o que me soa equivocado. Equivocado porque o cosmos sempre existiu, sem precisar de um criador. Se eu estiver errado, e se há sim um criador, então me vem a pergunta: quem o criou o criador? Um outro criador-mor, estabelecendo um loop infinito de criadores? Se alguém pensar “Deus sempre existiu”, então não me soa absurdo pensar que é a natureza que sempre tenha existido. Talvez o criador e a criação seja uma coisa só. Poético, não? E isso vai ao encontro do documentário Quem Somos Nós, quando expressam que nós, enquanto partículas de consciência, somos os criadores do universo. É interessante esse ponto de vista, assim como é interessante refletir sobre a necessidade de Deus no coração. Faço muita coisa boa – quiçá, tudo! – e não preciso de nada no meu coração além de amor e compaixão por todos os seres vivos. Se houver Deus, ele não se importa se acredito ou não nele; não julga, não premia e não castiga. Se houver deus, ele sequer se ofenderá caso eu escreva seu nome de referência com inicial minúscula. A mim me cativa apenas o fato de que sou parte da teia da vida e um co-criador do amanhã, desenhando um destino que ainda não está escrito.

    Um bom exemplo do pensamento naturalista é o trecho da poesia de Fernando Pessoa, que utilizo para encerrar meu comentário te deixando um abração :)

    Se Deus é as flores e as árvores
    E os montes e sol e luar
    Então acredito nele a toda hora.

    Mas se Deus é as árvores e as flores
    E os montes e o luar e o sol,
    Para que lhe chamo eu Deus?
    Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar.

    (Fernando Pessoa)

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