Duzentos anos de Darwin, quatro bilhões e meio de evolução
Por Alexandre Montagna, Domingo, 22 Fevereiro 2009 | 00:08Dia 12 de fevereiro de 2009 completou 200 anos do nascimento de Charles Darwin, nosso estimado filósofo, pesquisador, cientista naturalista britânico. As revistas e os jornais sempre citam a palavra “polêmico”, pois sua teoria científica (e hoje considerada francamente óbvia) foi contra a doutrina religiosa e sua pregação sobre o surgimento do mundo. Mas no século XXI continuar mencionando que ele é polêmico contribui para o atraso da Humanidade. Ele não é polêmico: os humanóides crentes que polemizaram com ele. Permita-me dizer que interpretar o gênesis bíblico como história literal é um distúrbio que deve ser tratado com a mesma atenção àqueles que acreditam em outras fantasias, como o Papai Noel.
Dia 24 de novembro de 2009, completará 150 anos do lançamento de seu livro, que no português foi resumido ao título de A origem das Espécies.

O homem que consagrou-se ao expor o mundo utilizando o verbo saber no lugar do verbo crer.
Eu tenho a minha teoria. É uma explicação sobre o motivo que leva as pessoas a demorarem a aceitar as ideias lúcidas geradas pelos ícones da filosofia e da ciência: identificação com a ignorância. Calma lá, não interprete mal esta palavra. Ignorante é aquele que ignora. Ignora o surgimento do mundo, ignora a mecânica da natureza, ignora seu passado e futuro e, principalmente, ignora o fato de existir pessoas e organizações que desejam manter a ignorância na cabeça do povo. Hoje em dia estes promotores das trevas conseguem fazer isso muito bem, deixando todo mundo correndo atrás da máquina, sem tempo para refletir sobre suas próprias vidas.
Por que o céu é azul? Por que o sol surge e desaparece? A Terra é plana ou redonda? Você e eu concordamos que estas perguntas já estão ultrapassadas. Mas, qual era a resposta para elas antigamente? Bem, o céu é azul porque Deus fez assim, ora bolas.. que perguntinha tola! O sol surge e desaparece porque ele gira em torno da Terra, fazendo o dia e a noite. Terra esta, aliás, que é plana, é claro. Errado, errado e errado. Vou desenvolver a segunda questão, que menciona o Sol girando ao redor da Terra, que é o superultrapassado geocentrismo. Sabe o que fez esta ideia dar tão certo? O fato de ela mencionar-nos como o centro do Mundo. Isso faz muito sentido no dogma religioso, pois Deus é o todo-poderoso, supremo, que manda prender e manda soltar, e, na crendice, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Uau! Para o manda-chuva do Cosmos ter criado seres à sua imagem e semelhança, esta turma de macaquinhos deve estar no centro do mundo, não é mesmo? E o Sol, obviamente, deve girar em torno destes primatas.
Estamos em 2009, já sabemos que somos poeira cósmica, que há bilhões e bilhões de planetas e galáxias como a Via-Láctea Universo afora, já desbravamos os céus e o homem invisível não apareceu, já descobrimos os ossos dos dinossauros e dos nossos antepassados homo-alguma-coisa. Vou reforçar: nós temos antepassados em comum com os primatas. Vou lembrar: nós somos parentes dos primatas (diga-se de passagem, humanos e macacos são quase idênticos!). E ainda assim chamamos Darwin de polêmico. Que triste.








Abril 24th, 2009 às 16:37
Há muito mais entre o céu a terra do que supõe e imagina a nossa vã filosofia. O dogma não apenas pertence ao campo religioso, ele pertence também ao campo científico. O darwinismo é muito mais uma visão de mundo do que uma teoria. Não há newtonismos, nem eisteinismos, mas há darwinismo, marxismo… não é curioso isso? Se Darwin quer que a evolução continue dando certo e não sustentada apenas por uma guerra fundamentalista entre crentes e ateus, sua teoria tem que libertar-se de si próprio. Tem que ser libertada do pedestal sagrado do dogma e do culto a Darwin. Se há evidências que a contrariam, não é certo que os ateus estariam dispostos a matar quem defende essas evidências só porque elas poderiam ter complicações de ordem metafísica, ainda que verdadeiras? (Não estou falando de criacionismo). Essa postura arrogante, intelectualóide, “eu não sou ignorante, sou civilizado” não é penas uma capa para amedrontar a quem ousa desafiar pensar contrário? Afinal de contas, quem quer ser rotulado de “ignorante”, simples tolo e crédulo de mitos e fábulas? Afinal, o culto a Darwin nada mais é do que o medo oculto, inconsciente de que os crentes se espalhem pelo mundo com suas idéias tolas e ultrapassadas. Ou de quem tenha evidências científicas contrárias possa ter seu paradigma afinal de contas reconhecido como legítimo ou tenha no mínimo uma chance de ser comentado, discutido, sem ser rotulado de “ignorante” para baixo. É tudo apenas uma questão de quem estar assumindo o “poder” no campo das idéias ou ideologias, tal como acontece na economia, na política e em outras áreas da vida humana. Ciência não é verdade absoluta nem nunca será. Afinal, o mérito em si da ciência é afirmar que nenhuma verdade é absoluta e pode ser contestada, investigada… A verdade de Einstein não é uma verdade absoluta, é apenas um paradigma cinetífico que superou outro paradigma e esperando que outro paradigma a supere também. Porém, a verdade de Darwin é incontestável, virou dogma, e isso é tão paradoxal quanto o discurso dos darwinistas contra a verdade absoluta defendida por religiosos. Isso virou culto, é estranho… nada mais que um medo e uma defesa contra o criacionismo, por exemplo, que não tem nada a ser temido, pois é fundamentada em idéias metafísicas, e não científicas, dentre outras correntes não só religiosas mas científicas que querem, sim, que as evidências a favor de Darwin sejam postas em discussão. O adágio é simples e vem do senso comum, mas quem não deve, não tem nada a temer.
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Montagna Reply:
Abril 25th, 2009 at 15:26
Olá, Sergio. Para começar, agradeço a sua inesperada participação. Senti um tom ofensivo em seu texto, talvez por você ter travado discussões prévias sobre o assunto e ter ficado meio aborrecido, mas prefiro encarar que você veio aqui com a cabeça fria e atitude cordial.
Se você é contra os estudos de Darwin, então definitivamente não concordaremos. E fico um pouco triste com isso, Sérgio, pois eu gosto de concordar com as pessoas e achar um ponto em comum. Você disse que o Criacionismo não tem nada a temer porque é fundamentado em ideias metafísicas. Nesse contexto, ideias metafísicas é um sinônimo de crença. E é claro que não tem como refutar uma crença, pois toda crença é subjetiva. Se você cismar com a ideia de que existe um Criador acima e além de tudo, ninguém conseguirá dizer que você está errado, da mesma forma como você não conseguirá provar que está certo: é tudo crença. Metafísica está sendo utilizado como eufemismo para crença, da mesma forma como design inteligente está sendo usado como eufemismo para Criacionismo.
Quanto ao termo Darwinismo, lembre-se de que isto é apenas uma maneira de referir-se ao cientista. Se alguém faz culto a Darwin, problema dessa pessoa. Não existe Einsteinismo ou Newtonismo porque eles difundiram basicamente uma fórmula matemática, não se cria um “ismo” para referir-se a uma fórmula, mas sim para quem elabora uma teoria, daí ocorrer o mesmo com Marxismo. Há 150 anos atrás, a evolução era uma provável teoria. Hoje, está bastante comprovada: sugiro que você compre a coleção Charles Darwin, com 4 DVD’s, que mostra como a teoria da evolução das espécies auxiliou na compreensão de vários estudos do DNA, genética, doenças e tendências biológicas.
Ah, e fico muito feliz de concordar com você numa afirmação: os estudos de Darwin constituem uma teoria que também é uma visão de mundo.
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Maio 18th, 2009 às 13:37
[...] pergunta. Quando vi os blogs acima, fui pesquisar sobre o evolucionismo e vi que tem um outro blog (http://alexandremontagna.com/blog/arquivo/duzentos-anos-de-darwin-quatro-bilhoes-e-meio-de-evolucao/) que diz que o homem é apenas poeira cósmica e que existe bilhões de outros planetas no [...]
Maio 28th, 2009 às 9:40
toc toc aqui e com quantos anos ele morreu?
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Maio 28th, 2009 às 9:48
desculpa , è q eu tenho q fazer 1trabalhos de trabalho de Darwinpara amanha e tenho q falar isso !
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Montagna Reply:
Maio 28th, 2009 at 13:10
Neste caso, nada melhor do que a Wikipedia para te ajudar, Thalita.
Eis o link que já busquei para você: http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin
Um abraço e bom trabalho!
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Julho 20th, 2009 às 17:02
Estou aqui lendo artigos sobre Darwin, por justamente ser um dos assuntos que os professores têm dificuldade em trabalhar em sala de aula (a evolução)…mas a dificuldade se encontra justamente por “ignorar Darwin”, como vi em outro post – Darwin é muito famoso e pouco lido.
Abraços.
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Montagna Reply:
Julho 22nd, 2009 at 14:53
Olá, pessoal da Biosfera MS! Ao avançarmos na caminhada da cultura e compreensão de mundo, percebemos que isto é privilégio de poucos. Ainda há quem acredite que o mundo tem dez mil anos de existência e que os fósseis de dinossauros foram colocados abaixo da terra “porque Deus está testando nossa fé“. Cabe à parcela inteligente e culta da Humanidade a responsabilidade de espargir consciência e conhecimento, incentivando o gosto pelo verbo saber no lugar do crer.
Fico feliz de, quem sabe, ter ajudado de alguma forma com esse artigo.
Abraços do Alexandre!
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Julho 31st, 2009 às 11:33
Olá Montagna,
Não conheço o Sérgio, que fez o comentário acima, mas achei muito pertinente. Concordo com você em não ver de modo ofensivo, creio que o tom cordial foi realmente mantido por ele na exposição de suas idéias.
Gostaria de aproveitar a abertura do blog para fazer também meu comentário.
Ontem estava revendo um dos episódios do Carl Sagan, aquele no qual ele tenta explicar que a união de gases e raios pode ter feito os átomos se juntarem inesperadamente e criarem o que hoje conhecemos por “vida”. O fato é que ao final do programa, numa atualização do autor, o mesmo relata e aceita que hoje já existem teorias de cientistas conceituados que acreditam que a vida tenha chegado a nosso planeta por meio de meteoros vindos de outros lugares.
Estou dizendo isso porque vejo em muitos comentários em blogs ateus, assim como o Sérgio disse acima, uma dogmatização de algumas teorias que, se tem alguma base científica, podem não ser necessariamente exatas, visto que muita coisa diferente do que imaginamos pode ter ocorrido em 4 bilhões de anos. Logo, dizer que tem certeza de que foi assim ou assado parece muita presunção.
Não sou ateu, não tenho nada contra pessoas atéias, até mesmo porque, diferente do que é passado na maioria dos comentários que tenho lido nestes blogs, aprendi, em minha fé, que devo amar e respeitar tudo e a todos.
Neste sentido, gostaria de lembrar que, a meu ver, a tão comentada improbabilidade de que haja um criador para a vida é tanta quanto a improbabilidade de nós existirmos. O fato de “imaginarmos” que houve um “big bang” não responde a pergunta anterior de como surgiu a “centelha” que causou tal explosão. Sendo assim, como a teoria da “geração espontânea” ou a idéia de que algo não pode surgir do nada já foi descartada pela ciência, fica difícil conceber que esta resposta se dará no campo científico.
Vejo na teoria de Darwin muitos pontos aparentemente claros e evidentes, à luz da “razão” humana, no entanto vejo também momentos em que a abstração e a imaginação tem tido seu papel, uma vez que, afirmar que um fóssil de alguns milhares de anos é, com certeza, meu ancestral porque tem polegares e posição dos olhos iguais aos meus, só tem sentido quando eu crio um sistema de pensamento que me leve a compreendê-lo dessa forma. Nada impede que amanhã ou depois se encontre outro fóssil que descarte completamente essa idéia, não é mesmo?
Além disso, no contexto social, acreditar que evoluí de uma explosão ou que fui criado por Deus vai me tornar uma pessoa melhor? Eu não acredito ser apenas um aglomerado de átomos que está escrevendo um texto na internet por força do acaso, que o amor que sinto por minha esposa seja apenas fruto de reações químicas, assim como não penso que amar o meu inimigo seja apenas uma reprogramação cerebral para desviar-me da conduta biológica e selvagem (se somos apenas animais) que eu deveria ter de destruí-lo. Não acreditar nisso me torna ignorante e imbecil? Acreditar nisso me torna um iluminado?
Por fim, não quero que tome este comentário como algo malicioso, não o é, não é esta a minha intenção. Faço isso apenas porque ao ver tanta gente se dizendo a parte “culta e inteligente da humanidade” simplesmente porque não acredita em Deus, gostaria de lembrar que nem todas as pessoas têm acesso ao conhecimento científico e, sejam elas religiosas ou não, não são menos humanas por isso. Além disso, caráter, bondade, amor, respeito, civilidade não são frutos da ciência, são coisas que precedem a avanço científico e tecnológico que vivemos hoje. Creio que ninguém deva ser obrigado a cultuar o conhecimento científico como a solução para todas as mazelas da humanidade,assim como, acredito que ninguém deve ser obrigado a abdicar de suas crenças metafísicas porque existem algumas teorias científicas que as descartam. Uma das mais importantes características humanas (prove-se ou não cientificamente) é o aprendizado constante e, de maneira especial, o aprendizado com os erros. Se houve erros no passado, devemos aprender com eles. Neste momento da história, no qual estamos aprendendo a conviver com as nossas diferenças, não queiram criar a inquisição do ateísmo.
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Montagna Reply:
Julho 31st, 2009 at 17:09
Olá, Rinaldo. Primeiramente, quero agradecê-lo pelo seu comentário, é um texto longo e eu aprecio o seu tempo investido nele. Vou me esforçar para comentar suas colocações com o máximo de clareza.
De fato, em muitos blogs ateus há uma dogmatização de certas teorias e isso não é muito sábio, pois causa estagnação de ideias, abalando o principal triunfo da Ciência que é o de flexibilidade na percepção de mundo. Ao mesmo tempo, certas coisas já não são mais meras teorias, como o Evolucionismo. Negar que viemos de antepassados e hoje somos o que somos por causa dessa evolução seria uma clara aceitação do Criacionismo, que prega que nós já viemos à Terra do jeito que somos. O Criacionismo ganhou forças numa época em que não tinhamos conhecimento de nosso real histórico e que estudar o mundo buscando o conhecimento do Saber era pecado e significava heresia. A Terra era considerada plana e também o centro do Universo. O conceito do Criador à nossa imagem e semelhança veio dessa época. Sobre esse ponto, leia meu post “A personificação do imponderável” que será lançado dentro de alguns dias.
Não consigo ver a ligação entre a improbabilidade do Criador e a improbabilidade de nossa existência, Rinaldo. Afinal, para nós existirmos precisamos ter sido criados? Tudo bem, eu aceitarei isso. Fomos criados pelo Criador e está acabado. Mas, então, quem criou o Criador? Para o Criador existir, ele precisa ter sido criado, concorda? Eu acho que um Criador Maior o criou. E um Criador ainda maior criou o Criador Maior, e assim vamos num loop infinito de deuses.
Agora, se Deus sempre existiu, porque não aplicamos esta mesma resposta para a Vida? Podemos. Podemos entender que a vida sempre existiu, e isso me soa simples e não exige crença em coisa alguma, afinal, não preciso crer na Vida para saber que ela existe. Estou vivo, não estou? Da mesma forma, não defendo que precisamos acreditar no Big-Bang, até porque eu sugiro sempre, de coração, abolir o verbo acreditar de nossas vidas. Acreditar para quê? Se não há comprovação, por que ei de criar suposições imaginárias no campo da metafísica? Encerro este parágrafo dizendo que nenhum ateu ou religioso é capaz de explicar a origem do Universo. Nunca ninguém será, ouso dizer. A centelha que causou a explosão do Big-Bang é tão misteriosa quanto a ideia do loop infinito de deuses que utilizamos no parágrafo anterior.
Quem é Deus? Se alguém me disser que Deus é o Pai Nosso que está no Céu, então sou ateu. Por outro lado, se me disserem que é uma massa de energia infindável que sustenta a vida no Universo inteiro, então sou apenas agnóstico, uma vez que acreditar nisso seria indiferente para a minha felicidade e minha existência.
Caráter, bondade, amor, respeito e civilidade são todas virtudes belas e que devem ser cultivadas independentemente de crença. É preciso acreditar em Deus para amar a esposa e ser ético na Natureza? Foi através desse pretexto absurdo que muitos ateus maravilhosos foram difamados, queimados, presos e torturados, se não mortos. Sobre as emoções, entendê-las no nível sub-atômico das reações químicas ajuda bastante para treinarmos uma reeducação comportamental, e não implica numa robotização da vida. Utilizo com meus alunos esse aprendizado para falar dos condicionamentos, estrutura neural e reprogramação emocional. O documentário Quem Somos Nós é bastante interessante sobre esse assunto. Você já viu?
Ninguém precisa abdicar crenças metafísicas porque existem conhecimentos científicos que as descartam. A menos, é claro, que essa pessoa busque o Conhecimento. Nesse caso, não pode ficar estagnada em nenhuma suposta Verdade, e sim, estar disposta a aprimorar seus pontos-de-vista através do aprendizado constante. Aprende-se observando, refletindo, constatanto, concluindo e, por fim, sabendo. Jamais crendo.
Um abraço fraternal, Rinaldo. E sugiro que você não participe dos blogs ateus. Nem eu participo. Geralmente, o tom é ofensivo, o conteúdo é irônico demais e os pontos de vista são expressados sem muitas preocupações com a diplomacia. Uma pena.
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