Escreva Yôga. Diga “O Yôga”.
Por Alexandre Montagna, Terça-feira, 24 Fevereiro 2009 | 23:40Palavras que terminam em A, no sânscrito, em 99,99% dos casos são do gênero masculino. Diga que está praticando o Yôga! Além disso, assim como Kung-Fu, Judô ou Karatê, a palavra Yôga deve ser escrita com inicial maiúscula. Não é necessário maiúscula para adjetivos como em a respiração yôgi, a alimentação do yôgin ou a beleza da yôginí, etc.
E o acento circunflexo é para fechar a pronúncia, certo? ….. errado.
Ali ocorre uma crase (fusão de duas letras, A + U), logo, é necessário usar acento. Qualquer sinal indicativo de crase poderia ser utilizado, dependendo da convenção de transliteração adotada. Mas, pergunto: para o nosso português, qual das maneiras abaixo é a mais adequada para grafar a palavra?
- Yöga – o trema poderia ser utilizado, afinal, convenção é convenção; mas não é a melhor opção;
- Yòga – o acento grave também poderia ser utilizado, mas há melhor alternativa;
- Yõga – o til serve para nasalizar.. não é muito adequado para o nosso caso;
- Yóga – o acento agudo poderia ser utilizado, mas induziria o leigo a pronunciar com o O aberto (yóóóga);
- Yôga – o acento circunflexo, para o português, é a melhor opção. Além de sinalizar a crase (necessário), ainda induz à pronúncia correta da palavra Yôga (muito útil).
Demonstração de que a palavra Yôga tem acento no seu original em alfabeto dêvanágarí:

Contudo, a Ióga existe. Surgiu no Brasil, na década de 1960. Geralmente, consiste em práticas utilitárias que misturam partes de técnicas do Yôga com uma infinidade de outras coisas. Não é nem aqui, nem na China, nem na Índia, nem de perto, nem de longe, parecida com a tradicional filosofia milenar indiana. Dizer que está praticando “ióga” com o Alexandre, que ensina Yôga, é uma gafe digna de Seu Creysson do Casseta & Planeta.
Em tempo: o melhor seria utilizarmos a grafia Yōga, com o mácron. Este acento grego é utilizado para indicar a sílaba longa, e é exatamente o que queremos. Entretando, não possuímos este sinal em nosso alfabeto, e ficamos com a segunda opção que é o acento circunflexo.
O acento está claramente indicado, uma vez que a letra ô no sânscrito é sempre longa e fechada. As transliterações ocidentais convencionaram que as letras longas devem ser assinaladas com o acento. Este pode variar de uma convenção para outra, mas o que se observa é que o circunflexo foi adotado por um renomado autor indiano, Sri Purohit Swami, que escreveu Os aforismos do Yôga de Pátañjali, em inglês, e também pelo célebre autor Kastberger, que escreveu o Léxico de filosofía hindú, em castelhano. Ora, nenhuma das duas línguas possui o circunflexo e, apesar disso, ambos reconheceram a necessidade da sua presença na palavra Yôga.
Durante muitos anos não se aplicou o acento uma vez que ninguém ousou questionar isso. Primeiro, quem colonizou a Índia foram os britânicos que não tinham acentos em suas tipografias, mas possuíam um argumento intelectualmente muito persuasivo que era sua poderosa Armada. Segundo, no Ocidente conhecia-se bem pouco o sânscrito (na Índia eles não ligam a mínima se a transliteração para alfabetos ocidentais está correta ou não). Terceiro, há muito patrulhamento ideológico neste segmento e ninguém queria se expor a críticas, ainda que chegasse a estas mesmas conclusões.
Retirado do libreto Tudo sobre Yôga, de DeRose
BIBLIOGRAFIA PARA O IDIOMA ESPANHOL:
Léxico de Filosofía Hindú, de Kastberger, Editorial Kier, Buenos Aires.
BIBLIOGRAFIA PARA O IDIOMA INGLÊS:
Aphorisms of Yôga, de Srí Purôhit Swámi, Faber and Faber, Londres.
BIBLIOGRAFIA PARA O IDIOMA PORTUGUÊS:
Poema do Senhor, de Vyasa, Editora Relógio d’Água, Lisboa.








Fevereiro 26th, 2009 às 19:15
Também gostei bastante do seu blog, Alexandre! É tão bom ver quantas pessoas estão se dedicando a escrever sobre a nossa cultura…
Um abraço pra você!
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Montagna Reply:
Fevereiro 27th, 2009 at 1:25
Êeeeeeee valeu, Evelyne! Aguardo novos posts por lá. Um abração!
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