Alexandre Montagna

BLOG DE

Alexandre Montagna

A Cultura do Poder, do Saber e do Sentir

Instrutor do Método DeRose
Cultura & Geral A Nossa Cultura Tantra, o Sentir Sámkhya, o Saber Yôga, o Poder Assine meu feed RSS Visite meu perfil no Facebook Visite meu perfil no Orkut Siga meu Twitter Visite o portal do Método DeRose Conheça o site da escola Av. Rio Branco, de Florianópolis

Conforto emocional sem crença

Por Alexandre Montagna, Sexta-feira, 6 Novembro 2009 | 08:08

Da série A crença conduz à ignorância

As consequências do ato crer são negativamente infindáveis. Aceitar que uma figura chamada Yeshua (Jesus) tenha existido vá lá, mas acreditar que tenha nascido de mãe virgem, fez milagres, ressuscitou e ascendeu aos céus… o que você acharia de uma cabeça que crê nisso? Não peço a julgar pessoas, devo advertir, mas peço, sim, que se compartilhe a percepção dessa situação. Somos tão racionais a respeito de todo o resto, tacharíamos de louco se alguém acreditasse em duendes ou gnomos, mas relevamos as alucinações das religiões institucionalizadas tradicionais.

De tempos em tempos, aprofundo-me um pouco mais na questão da crença. Ela parece assolar o planeta. Tanto é que a maioria das pessoas não consegue abandonar o ato de crer instantâneamente, e passamos por uma fase em que há a crença em um Senhor onipotente e onisciente, mas sem igreja. Seria isso o significado da frase ”tenho um lado espiritual independente de religiões“? Talvez, pois é uma frase que dá margem a algumas interpretações. Em partes, vejo essa expressão como uma ponte ao agnosticismo, funcionando como uma transição saudável e gradual para não causar rupturas muito grandes com nossos laços medievais – afinal, nossa criação geral bane conceitos como ateísmo e agnosticismo, e há um receio em declarar que somos ateus ou agnósticos aos quatro ventos. Mas voltemos à crença: a crença faz o impossível e improvável se tornar verdadeiro na cabeça do crente, que acredita apenas porque sua fantasia lhe é conveniente. Triste é a mente que precisa recorrer às ilusões para conquistar conforto emocional. Jamais moveria um dedo para tirar tal conforto de qualquer criatura desse mundo, mas vivo e trabalho para que tamanha felicidade seja conquistada por mim e por toda a Humanidade, sem necessitar do véu de misticismo e crendice que mascara a Natureza e esconde a nossa real existência. Larguemos a crença e sejamos felizes. Assim seja.

Artigos possivelmente relacionados:


5 respostas para “Conforto emocional sem crença”

  1. Rogério escreveu:

    Diz o velho deitado (hehe): “A esperança é a última que morre”.
    O meu conforto emocional foi o de que a crença morreu pelo caminho.
    Abração.

    [Responder]

    Alexandre Montagna Reply:

    Este blog estava sentindo tua falta, meu amigo. Já estava com a pulga atrás da ovelha com o teu sumiço.
    O meu conforto emocional foi a tua participação aqui.
    Um grande abraço!

    [Responder]

  2. Rômulo Justa escreveu:

    Alexandre, conheces um texto do filósofo Imannuel Kant, chamado “O que é o Iluminismo”? Pelo que li neste teu post, vai fazer você sorrir de uma orelha a outra :)

    Um trecho só para ilustrar…:
    “O iluminismo é a saída do homem de um estado de menoridade que deve ser imputado a ele próprio. Menoridade é a incapacidade de servir-se do próprio intelecto sem a guia de outro. Imputável a si próprios é esta menoridade se a causa dela não depende de um defeito da inteligência, mas da falta de decisão e da coragem de servir-se do próprio intelecto sem ser guiado por outro. Sapere aude! Tenha a coragem de servir-te da tua própria inteligência! – é, portanto, o lema do Iluminismo.”

    Lembre-me depois de te falar de Ludwig Feuerbach, outra dinamite….

    Grande abraço!
    Rômulo Justa

    [Responder]

    Alexandre Montagna Reply:

    Fantástico, Rômulo! Obrigado pela contribuição. Acho muito interessante o legado de Imannuel Kant e as abordagens do Iluminismo.

    Esse assunto me fez lembrar do que o Mestre DeRose fala sobre o casamento do verbo Saber com o verbo Sentir (no campo da filosofia indiana, seria a união do Sámkhya com o Tantra). Pois, para a humanidade dar certo, não basta que ela utilize o serviço da própria inteligência, é preciso que ela adote compaixão e sensorialidade por todos os seres vivos. Hitler, por exemplo, era um adepto do casamento entre o Saber e o Dominar (Sámkhya e Brahmácharya), e nós sabemos muito bem qual foi o resultado disso.

    Aguardo com alegria o comentário sobre a dinamite Ludwig Feuerbach.

    [Responder]

    Rômulo Justa Reply:

    Brilhante, amigo. O Saber iluminista sem o Sentir gerou os déspotas esclarecidos, esse paradoxo em ato, pois com despotismo nenhum esclarecimento é possível…

    O fato é que já há Saber em excesso sobre quase tudo, cérebros demais empenhados em assuntos mil. É hora dos corações esclarecidos virem à tona e cabe a nós, hearthunters, convocá-los não à maneira de um chamado para a guerra, mas como uma comuna de intenções. Aí sim iremos ter o que o sociólogo Boaventura de Sousa Santos chama de “um saber prudente para uma vida decente”.

    Grande abraço!

    [Responder]

Deixe seu comentário


Yôga em Movimento SwáSthya - A Cultura Livre pensar do Yôga Descubra por que o Yôga é 10 Federação de Yôga do Estado de Santa Catarina Blog do Jojó Blog do DeRose Método DeRose / DeRose Method / Méthode De Rose