Chimarrão
Por Alexandre Montagna, Quinta-feira, 29 Outubro 2009 | 16:29
Sou um amante do chimarrão, esta bebida quente de inverno e verão. Gosto de sorvê-lo no momento pós-prandial, meia hora depois da refeição, a fim de proporcionar aquele bem estar digestivo e emocional. Devido à minha rotina, costumo tomá-lo solito, o que me causa certo transtorno na hora de matear em grupo: às vezes, tomo duas cuias seguidas, mas é sem querer, devido ao condicionamento!
Chimarrão é uma tradição tão importante, tão forte, que a primeira coisa que recebi quando estava prestes a sair da casa dos meus pais foi uma garrafa térmica própria, cuia e bomba. Na tradição gaúcha, o guri está pronto para viver o mundo e enfrentar a vida quando já possui a sua própria parafernália de mate.
Encomendo de meu pai no Rio Grande do Sul as ervas que utilizo. Erva tem que ser forte, pura-folha, amarga, boa para um mate. Às vésperas de minha ida a Pelotas, estou tomando agora o último chimarrão, com o último punhado de erva-mate nobre que eu salvava num pote. Melhor seria se eu estivesse, nesse instante, com a Sary e com amigos, transformando o mate num fator gregário que ele é por natureza.
Chimarrão não leva açúcar nem leite. Daí já se torna outra bebida, outra coisa. Mate deve ser amargo e com água quente, mas não fervendo, para não prejudicar o nosso estimado e único esôfago que temos. Se você quiser ervas de bom gosto, procure pela Fontana (pacote vermelho, pura folha), ou Madrugada (pacote amarelo, pura folha) ou outras puras folhas vendidas à granel na sua região. As ervas uruguaias geralmente são bueníssimas. Entretanto, sempre faça um rodízio de ervas. Aliás, faça um rodízio com tudo na vida: rodízio de água mineral, dentifrícios e outras substâncias de contato direto e constante com nosso organismo.
Volta e meia fazem uma reportagem sobre os benefícios do chimarrão. Como todas as cousas que vêm da terra, a erva-mate tem lá suas propriedades muito boas. Mas lembre-se que também tem cafeína (há quem diga que a mateína é, na verdade, cafeína) e pode viciar um pouco. Se há um vício “mais inocente” que me permito, é este.
Mas evite beber mais do que um litro de chimarrão por dia. Aí estará bueno.
“Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.”
Trecho da poesia de Glaucus Saraiva extraído do livro Poesias, de Apparicio Silva Rillo, editora AGE, 1992.
Obtido na Página do gaúcho.
Oigalê!
Erva Buena
Poema do meu amigo Rogério Peres que foi – honrosamente informo – inspirado por este post.
Ah! Erva buena
Que me tens em tuas entranhas
Me reservas coisas tamanhas
Donde nem lembro de quando ainda guri
Um dia de ti me servi
E se há algo que nunca me arrependi
Foi teimar como vício que carrego
Ao prazer que em todos os dias me entrego
Como se não pudesse viver sem ti.Ah! Erva buena
Quantos amigos me apresentaste
E por quantos lugares comigo andaste
A tiracolo de um passado valente
Como índio Tupy
Ou Guarany resistente
Que me legaram um viver diferente
De respeito e valor a uma tradição
Numa eterna roda de chimarrão.









Outubro 29th, 2009 às 18:51
Mas que beleza de texto, meu amigo. Inclusive, me inspirei em escrever um poema, que dedico a ti. Dá uma olhada lá no meu blog.
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Alexandre Montagna Reply:
Novembro 5th, 2009 at 23:52
Excelente poema, meu amigo. Conforme mencionei antes em minhas intenções, já colei no original do post.
Foi uma profunda alegria te visitar neste fim de semana passado. Observe que resolvi seguir a recomendação do Mestre de sair cedo, mesmo querendo ficar mais. O grande detalhe é que fiquei 8 horas e, mesmo assim, foi pouco.
Vamos tentar reavivar o nosso xadrez pro-amador. Um forte abraço!
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Outubro 29th, 2009 às 21:24
Nossa! Não imaginas o quanto me identifico com cada uma das palavras que escreveste!
Para mim é um momento único, uma tradição que carrego todos os dias, e um esforço brutal para conseguir comprar uma erva mate buena
Beijinhos, espero te encontrar logo para uma roda de mate!
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Alexandre Montagna Reply:
Novembro 6th, 2009 at 0:03
Me esbanja alegria me imaginar compartilhando tua presença numa roda de mate. Quero ter o prazer de te oferecer à mão um mate forte, feito por mim, em minha cuia do Bhávajánanda. Espero te encontrar logo para isso! Beijinhos, querida…
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Novembro 4th, 2009 às 10:46
É sempre um prazer matear contigo, meu amor!
E agora estamos com um bom estoque de erva boaaa =)
Beijos, quindim!
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Alexandre Montagna Reply:
Novembro 6th, 2009 at 0:05
Quero matear contigo neste fim de semana, princesa. Boas horas de boa conversa jogada dentro (e não fora).
Beijo ígneo.
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