Alexandre Montagna

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A Cultura do Saber, do Sentir e do Poder

Está morto: podemos elogiá-lo à vontade

Sábado, 27 Junho 2009 | 14:58

“Está morto: podemos elogiá-lo à vontade.”
Machado de Assis, no conto “O empréstimo” (1881)

Você sabe que estou falando de Michael Jackson. Há muito tempo me via sozinho no lado da risca dos que o declaravam inocente das acusações malsãs. Será tão difícil ver a malandragem? Será tão difícil observar a situação de acusação e sentir que algo está cheirando mal ali, como por exemplo, uma difamação caluniosa, maldosa, chantagista e puramente mercenária?

Le roi est mort... Vive le roi.

Le roi est mort... Vive le roi.

Sugiro aqui a leitura do texto “O grande defeito do brasileiro é que ele não tem a coragem de defender” do livro Quando é Preciso Ser Forte. Embora esteja mencionando uma nacionalidade específica, ele serve muito bem para ilustrar o comportamento que as pessoas têm de permitir que difamações sejam jogadas aos ventos contra alguém que não está presente para defender-se sozinho. A covardia é confortável: basta ficar quieto e deixar as calúnias ganharem terreno. Ou ainda pior, numa clara demonstração de personalidade frágil: agarrar a fofoca em uma mão e uma pedra na outra, e juntar-se ao grupo dos que atacam e humilham, por não ter forças para negar-lhes a razão.

Texto obrigatório para ler a respeito de Michael Jackson, por DeRose:

Uni-Yoga.org/blogdoderose/uni-yoga_arquivo_derose/michael-jackson/

Texto muito bom de Luigi Poniwass sobre o ícone:

Portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/anoitetoda?id=899779

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O grande defeito do brasileiro é que ele não tem coragem de defender
(extraído do livro Quando é preciso Ser Forte, do Mestre DeRose)

Como já ouvi dizer, deve ser complexo de ex-colônia! O brasileiro não tem peito para enfrentar quem esteja insultando seu amigo, sua empresa, seu país. Certa vez eu estava no Aeroporto Internacional de Guarulhos e o nosso voo sofreu atraso devido a problemas técnicos na aeronave. Na sala de embarque um senhor estrangeiro, revoltado, começou a proferir comentários deselegantes do tipo “isso só acontece aqui, porque se fosse na Europa…” e todos os brasileiros em volta mantinham-se calados, cabisbaixos. Não me convite e disse ao cavalheiro:

- Cale a boca! Eu já estive no seu país e lá é igual ou pior. Se o Brasil não o agrada, vá-se embora. Mas enquanto estiver aqui, comporte-se com a dignidade de um hóspede na casa que o acolhe!

A partir daí, todos passaram a concordar e recriminá-lo.

Noutra ocasião, eu estava descendo no elevador do edifício da Editora Nobel. O elevador parou em um andar, abriram-se as portas e um senhor estrangeiro perguntou: “está descendo?“. Respondi que sim. Ato contínuo, com a maior sem-cerimônia, o deseducado senhor entrou e começou a comentar:

- Está descendo, como o país. Também, com os políticos que o Brasil tem…

Mais uma vez, não pude ficar calado e respondi sério, sem muita cortesia:

- Os políticos do seu país são bem piores.

E fiquei encarando, olhos nos olhos, como quem vai partir para cima do outro. O estrangeiro deu um passo atrás, gaguejou e desculpou-se.

Mas o que é que os brasileiros geralmente fazem nessas situações?

Quase sempre concordam e entram no clima de falar mal do Brasil, ou de sua empresa, ou do seu amigo. “Pois é. É por isso que o Brasil na vai prá frente“; ou “esta empresa é assim mesmo, só quer saber de explorar os empregados“; ou “É, o Fulano não tem jeito…“. Será que é tão difícil defender? Será que não percebem o quanto é infame atacar e o quanto é canalha não defender?

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Sentiu o tapa?

Quando surgir uma outra difamação na mídia ou num grupo de conversa, você será um forte ou um canalha?

Aprenda com a história.

Otimismo realista: taça meio cheia e pés no chão

Quinta-feira, 25 Junho 2009 | 15:27

Beba água mineral em taça de cristal.
(frase inspirada em história de DeRose)

Feliz porque o copo está meio cheio, mas de olho na jarra para encher mais.

Feliz porque a taça está meio cheia, mas de olho na jarra para encher mais.

Duvide quando alguém diz: “não estou sendo pessimista, só estou sendo realista“, pois isso será, em 99% das vezes, um mero pretexto que o interlocutor utilizará para justificar suas palavras promotoras de desânimo. Toda vez que alguém se posiciona em relação a um fato está tendendo ou ao otimismo ou ao pessimismo. Ser realista seria comportar-se tal e qual o ideal romântico de um jornalista profissional: imparcialmente, contentando-se em descrever os fatos sem provocar um pio de parcialidade, não podendo sequer utilizar os subterfúgios de insinuação que só a artística sutileza da língua portuguesa permite.

O otimismo, embora seja muito querido, possui uma falha: falta o pé no chão. Vejamos como funciona:

Pessimismo - “A taça está meio vazia” - toma uma posição e só vê um lado. Só um olho aberto.
Otimismo - “A taça está meio cheia” - toma uma posição e também só vê um lado. Só um olho aberto.
Realismo - “A taça está meio vazia e meia cheia” - não toma posição, olha aos dois lados: é o fato em si. Olhos abertos.

Nesse ponto, tanto o otimista quando o pessimista ignoram o outro lado da história. A melhor atitude, então, é o otimismo realista: embora você saiba que a taça está meio vazia, fica contente porque está meio cheia. Vive feliz e de olhos abertos.

Comportando-se desta forma, você cultivará uma das dez normas éticas do Yôga: santôsha, o contentamento.

O yôgin deve cultivar a arte de extrair contentamento de todas as situações. O contentamento e sua antítese, o descontentamento, são independentes das circunstâncias geradoras. Surgem, crescem e cingem o indivíduo apenas devido à existência do gérmen desses sentimentos no âmago da personalidade. Preceito moderador: A observância de santôsha não deve induzir à acomodação daqueles que usam o pretexto do contentamento para não se aperfeiçoar.

Este foi um trecho sobre santôsha extraído do Código de Ética do Yôga (Yamas e Niyamas), elaborado pelo Mestre DeRose baseado no Yôga Sútra de Pátañjali. São dez as normas éticas milenares do Yôga. Seguí-las não é um ato de obediência, pois não são leis: é um ato de sabedoria, pois são dispositivos que conferem poder sobre si próprio. Falarei mais sobre elas num próximo post.

Mudanças para mim e para a Meg

Sexta-feira, 12 Junho 2009 | 16:07

Dentro de poucos dias realizarei uma mudança de casa, e isso sempre toma tempo antes, durante e depois. Não bastasse a mudança de casa, ainda passarei por uma separação: Meg, minha cachorrinha, não poderá ficar conosco - eu e Sary - no apartamento, pois seria inviável. Criar uma cachorrinha desde muy pequenina e depois ter que separar-se dela não é mole. É duro para mim, mas considero uma mudança ainda maior para ela, cachorrinha, com uma natureza geneticamente arraigada de matilha. Quem tem um cãozinho sabe: onde você vai, ele vai; seja para ir até a esquina ou para dar um salto nas Cataratas do Niágara. O mundo pode estar caindo e a chuva pode ser de canivetes: se você está bem e está por perto, então tudo está bem. Lealdade é mesmo uma virtude muito nobre. Basta eu refletir e me lembrar desta característica da Meg e pronto, a situação se inverte e a separação começa a ser pior para mim do que para ela, pois essas características são fortes, belas e comoventes, a ponto de me fazer chorar as pitangas.

A vida é uma sucessão de experiências - para mim, para você, para todos… e para a Meg. Que ela tenha as suas, sem mim por perto, e que seja uma cachorrinha muito feliz, doce Meg.

Lealdade

Não há nada mais lindo que ser leal. Leal quando todos os demais já deixaram de sê-lo. Leal quando todas as evidências apontam contra o seu ente querido, pessoa amada, colega ou companheiro, mas você não teme comprometer-se e mantém-se leal até o fim.
Realmente, não há nada mais nobre que a lealdade, especialmente numa época em que tão poucos preservam essa virtude.

DeRose

Foi engraçado: o ângulo enganou bastante!

Sexta-feira, 5 Junho 2009 | 15:00

Por incrível que pareça (para alguns) não sou eu que estou na foto do post anterior.  Esse é um praticante de SwáSthya de Paris, cujo nome ainda não sei. Quem não me conhece há muito tempo, talvez não tenha achado tãão parecido, mas esse cara enganou algumas pessoas.. e muito! Veja só as semelhanças: Leia o restante deste artigo

Onde eu estava nesta foto?

Quinta-feira, 4 Junho 2009 | 13:57
Onde eu estava nesta foto?

Onde eu estava nesta foto?

Quem acertar ganha o trofeu “Tu Me Conheces”.

Vamos, participe! Dê o seu parecer. Existe um motivo muito grande para eu realizar esta pergunta.

O Fest-Yôga Floripa 2009 foi ótimo!

Quarta-feira, 3 Junho 2009 | 01:23

Para mim, o Fest-Yôga de Florianópolis deste ano foi ainda melhor, e imagino que esta seja uma tendência natural: estes encontros vão ficando ainda mais apaixonantes conforme vamos conhecendo mais pessoas e ampliando nosso círculo de amizades - o que é uma das características de pertencer à Uni-Yôga. Foi excelente!!

O evento organizado pela FYESC contou com 547 inscritos, dentre eles muitos praticantes novos e avançados, instrutores e dezenas de professores e Mestres. Abaixo, algumas fotos do evento:

Fest-Yôga Florianópolis 2009 está chegando!!

Quinta-feira, 28 Maio 2009 | 14:21

Postado novamente para ficar na primeira página

fest-yoga

Você sabe o que eu gosto no Fest-Yôga? É um evento de Yôga, e não de Oriente ou de alternativismo. São 600, 700 pessoas de boa cabeça, sem misticismo no ar, conversando e interagindo muito entre si. Ok, ok, vou falar com ainda mais objetividade: são centenas de pessoas respirando 3 beliíssimas filosofias: Yôga, Sámkhya e Tantra. Nada pode ser melhor do que isso. Bem, pode sim: melhor do que o festival, só mesmo se conviver com um grupo assim no dia-a-dia, rodeado de pessoas entusiasmadas pelo saber, desreprimidas, descomplicadas, que valorizam a sensorialidade e com um poder interior que cresce a cada prática de Yôga (o sádhana diário que confere força, poder e energia).

Chamamos a reunião destas 3 filosofias, Yôga, Sámkhya e Tantra, de Nossa Cultura - o caldo cultural do Método DeRose pelo mundo. E o Festival Internacional de Yôga de Florianópolis é, entre todos, o maior dos festivais do Método, pois, talvez por ser o mais antigo, e também com méritos à sua localização geográfica, é o mais cheio de participantes e o mais recheado de vivências: este Fest-Yôga bate o recorde de 3 vivências simultâneas! Não dá para fazer tudo, é muita coisa - muita coisa boa!

O evento ocorrerá nos dias 29, 30 e 31 de maio, e estamos indo eu, Dani, Sary, Mateus e Helio, numa aventura sobre quadro rodas a caminho do oriente catarinense, representando a egrégora chapecoense!

SwáSthya!

www.Fest-Yoga.com.br

Quem somos nós? (What the bleep do we know?)

Quarta-feira, 27 Maio 2009 | 20:05

Quem somos nós? foi o filme do nosso último Yôgacine, na casa da nossa querida colega Ozana. Se eu tiver que destacar um ponto ruim desse documentário, eu diria que é a abordagem excessiva do termo “espiritualidade”. Há inclusive um cientista (David Albert) que ficou indignado com o documentário, pois sua entrevista reiterou a não-relação entre física quântica e espiritualidade, enquanto a edição final de suas palavras insinuou o contrário. Depois, na segunda versão do filme que possui o subtítulo “Down the rabbit hole” (entrando na toca do coelho), o diretor ofereceu uma nova entrevista para esclarecer o posicionamento do professor Ph.D.

O radical espirit pode fazer o espectador começar a misturar com espiritualismo. Bem, caros amigos, é como diz o Mestre DeRose: “Não confunda espiritualismo com espiritualidade. A espiritualidade é um patrimônio do ser humano. O Yôga de qualquer modalidade, desde que autêntico, desenvolve a espiritualidade. Espiritualismo é a institucionalização da espiritualidade, ou o sistema que toma por centro o espírito em contraposição à matéria, baseando-se no conceito da dicotomia entre corpo e alma como coisas separadas e oponentes.” É importante reler este trecho para compreender bem estes conceitos e não misturá-los.

Há diversos links que podem ser feitos entre o filme em questão e a filosofia do Yôga, o que torna impraticável dialogar sobre todos eles em um só encontro de sábado à noite (após três deliciosas e saborosas pizzas gigantes vegetarianas). Um dos aprendizados mais importantes que temos para aplicar desde já no dia-a-dia é sobre os condicionamentos e o impacto das ações e reações em nossa rede neural. No Yôga, utilizamos os termos vásana (condicionamento) e sámskara (registro existencial) para abordar este assunto.  O filme ensina de forma clara como desenvolvemos a nossa personalidade baseada nos comportamentos anteriores, e como eles vão se consolidando e ganhando força. Alguém que se irrita uma vez, irritar-se-á outra vez mais adiante, e outra, e outra, chegando a tal ponto que o comportamento de irritação e descontrole emocional estará intrínseco à sua personalidade, amalgamando-se de tal forma que ficará difícil visualizar uma luz no fim do tunel daquela pessoa.

“O Homem faz escolhas, e as escolhas fazem o Homem.”
Ricardo Mallet

Ilustração da rede neural, onde registram-se os condicionamentos

Ilustração da rede neural, onde registram-se os condicionamentos

Encerro com o excelente texto de Joris Marengo, o bem conhecido Jojó, Presidente da Federação de Yôga do Estado de Santa Catarina:

O inconsciente é como um disco de vinil virgem.
Desde o nascimento são registrados, marcados na superfície lisa do disco, todas as experiências de dor e prazer.
Elas ficam ali, indefinidamente: totais, silenciosas, perenes e inconscientes. O Yôga denomina estes registros de samskáras.
O samskára, como sulcos de um vinil, obriga-nos a dançar sempre as mesmas músicas, ou seja, a repetir os atos condicionados, os vásanás.
Aquilo que denominamos de personalidade, individualidade são apenas atos condicionados mais sutis, mas ainda reações reflexas ao domínio silencioso do samskára.
- Existirá uma condição de liberdade, além dos samskáras e vásanás?
É este o estado não-condicionado que o yôgin aspira com toda a força do seu sádhana, dia após dia, samyama após samyama, sem concessões, até a liberação absoluta.

Joris Marengo

Ele ainda acrescenta no rodapé:

Samskára: as raízes profundas dos condicionamenos humanos, tendências subconscientes de caráter inato e hereditário.
Vásaná: odor, desejo, ignorância. Impressões subconscientes, tendências ou disposições que condicionam o homem.

quem-somos-nos-reflita-blog-alexandre-montagna

Cena que encerra o documentário

Blog do Jojó: www.yogafloripa.com/blogdojojo/

Blog do DeRose: www.uni-yoga.org/blogdoderose/

Twitter de Ricardo Mallet: twitter.com/ricardomallet


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